domingo, outubro 11, 2026
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BRB: decisão de comprar Master foi tomada em reunião na Suíça com Ibaneis, Paulo Henrique e Vorcaro, aponta Polícia Federal

A tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) começou a ser discutida em uma reunião realizada em Zurique, na Suíça, em janeiro de 2025. A informação consta de novos relatórios da Polícia Federal (PF) enviados ao Supremo Tribunal Federal.

O encontro reuniu o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), o empresário Daniel Vorcaro, que era dono do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, que presidia o BRB na época.

Segundo a investigação, as negociações já vinham sendo preparadas desde outubro de 2024, quando o BRB colocou ações no mercado com o objetivo de captar até R$ 1 bilhão para ampliar seu capital social.

Para a Polícia Federal, essa movimentação fazia parte das etapas preparatórias para uma futura aquisição do Banco Master pelo banco público do Distrito Federal.

Reunião na Suíça foi marcada após pedido de Ibaneis

Os investigadores analisaram mensagens extraídas dos celulares de Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro. Os dois estão presos, conforme as informações apresentadas na investigação.

Em 20 de janeiro de 2025, Paulo Henrique informou a Vorcaro que Ibaneis havia solicitado o agendamento de uma reunião.

Três dias depois, em 23 de janeiro, Ibaneis, Vorcaro e Paulo Henrique se encontraram em Zurique. Um quarto participante, identificado no relatório apenas como Leonardo, também esteve presente.

Em 26 de janeiro, Vorcaro enviou uma mensagem a Paulo Henrique perguntando sobre a negociação. Na conversa, afirmou que o questionamento havia partido do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

De acordo com a PF, Paulo Henrique demonstrou preocupação com a possibilidade de divulgação das tratativas e afirmou que o grupo não havia ampliado o número de pessoas envolvidas na negociação.

BRB comprou bilhões em carteiras de crédito do Master

Os relatórios também detalham operações financeiras realizadas entre as duas instituições.

Segundo a Polícia Federal, entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, o BRB adquiriu R$ 9,52 bilhões em carteiras de crédito emitidas pelo Banco Master.

Em um período de um ano, o volume dessas operações chegou a R$ 16,7 bilhões, conforme apontado em relatórios anteriores da investigação.

A PF também identificou indícios de gestão fraudulenta nas operações de compra de carteiras de crédito do Master pelo BRB. As conclusões fazem parte da investigação e não representam, por si só, uma condenação judicial dos envolvidos.

Polícia Federal aponta participação direta de Ibaneis

A investigação sustenta que a atuação de Ibaneis Rocha ultrapassou as atribuições institucionais do cargo de governador.

Segundo a PF, o então governador teria participado diretamente da articulação com agentes privados, da validação de decisões operacionais consideradas críticas, da definição da estratégia de expansão do BRB e da autorização de valores relacionados ao aumento de capital do banco.

Os investigadores afirmam que decisões estratégicas relevantes eram submetidas previamente à avaliação de Ibaneis, antes mesmo da análise pelos órgãos formais de governança da instituição financeira.

Para a Polícia Federal, as comunicações identificadas indicam centralização de decisões e interferência política direta na condução do banco público.

Essas conclusões representam o entendimento dos investigadores sobre os elementos reunidos no caso.

PF investiga participação indireta do Master no BRB

Um dos relatórios da Polícia Federal aponta que o Banco Master passou a integrar indiretamente a estrutura acionária do BRB.

Segundo a investigação, essa participação teria ocorrido por meio de fundos de investimento, entre eles Borneo, Verbier e Delta.

A PF sustenta que os fundos foram estruturados para ocultar o beneficiário final das operações e evitar a identificação formal de controle ou participação qualificada no banco.

Os investigadores relacionam essa estrutura às negociações entre as instituições financeiras e à atuação dos envolvidos nas decisões estratégicas.

Defesa de Ibaneis analisa relatório da investigação

O advogado de Ibaneis Rocha, Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, informou ao g1 que ainda estava lendo o relatório da Polícia Federal antes de apresentar uma manifestação.

Até o momento registrado na reportagem original, a TV Globo também buscava contato com as defesas de Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa.

As informações apresentadas nos relatórios integram a investigação conduzida pela Polícia Federal e encaminhada ao Supremo Tribunal Federal.

Crédito da foto: Renato Alves/Agência Brasília e Banco Master/Divulgação