Restauração produtiva do Cerrado: projeto do IPEDF aponta caminhos para o DF
O Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF) lançou nesta terça-feira (30) o projeto “Caminhos da Restauração: Valoração de Produtos Florestais Não Madeireiros do Cerrado”, iniciativa desenvolvida com apoio e financiamento da Secretaria.
A pesquisa reúne estudos sobre a valorização da sociobiodiversidade do Cerrado e o fortalecimento de cadeias produtivas ligadas a produtos florestais não madeireiros. O projeto aponta caminhos para conciliar conservação ambiental, geração de renda, recuperação de áreas degradadas e desenvolvimento sustentável.
Espécies nativas e produção rural
Os levantamentos indicam que espécies como baru, pequi, buriti, mangaba, jatobá e cagaita têm potencial econômico, nutricional e sociocultural.
Esses produtos podem contribuir para diversificar a produção rural, fortalecer a agricultura familiar, valorizar povos e comunidades tradicionais e ampliar estratégias de bioeconomia no DF e na Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Ride-DF).
De acordo com o secretário do Meio Ambiente, Rafael Santana, o projeto reforça a visão de que “o Cerrado em pé vale mais do que o Cerrado desmatado”. Ele afirma que dados técnicos sobre produtos como baru e pequi podem abrir caminho para políticas públicas mais efetivas.
O diretor-presidente do IPEDF, Manoel Barros, destaca que o Cerrado é um patrimônio ambiental e também um ativo estratégico para o desenvolvimento do Distrito Federal.
Para ele, a pesquisa mostra que é possível conciliar conservação e desenvolvimento ao valorizar espécies nativas e fortalecer cadeias da sociobiodiversidade.
Barreiras para ampliar mercados
Apesar do potencial identificado, o estudo aponta obstáculos para consolidar essas cadeias produtivas.
Entre os desafios estão sazonalidade da produção, limitações logísticas, dificuldades de armazenamento e beneficiamento, baixa padronização da oferta, dependência de atravessadores e falta de informações sistematizadas sobre produção e comercialização.
A pesquisa também indica a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas ao fortalecimento da sociobiodiversidade, com mecanismos que favoreçam a entrada de produtos agroextrativistas em mercados institucionais e aumentem sua competitividade.
A coordenadora de Estudos Ambientais do IPEDF, Aline da Nóbrega, afirma que o estudo ajuda a orientar ações para ampliar oportunidades a produtores, fortalecer a agricultura familiar e incentivar a conservação do Cerrado por meio da inserção de frutos e produtos em compras públicas distritais, especialmente na alimentação escolar.
Restauração produtiva com baru, banana e café
Um dos pontos do projeto é a análise econômica de um sistema agroflorestal formado por baru, banana e café, usado como exemplo de restauração produtiva.
A simulação considerou uma área de um hectare e um horizonte de avaliação de 30 anos. Foram utilizados indicadores financeiros como Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR), Retorno sobre o Investimento (ROI) e relação benefício-custo.
No modelo estudado, o baru foi implantado em espaçamento de 10 metros por 10 metros. A banana ocupa as entrelinhas nos primeiros anos, com retorno econômico mais rápido e contribuição para a geração de biomassa.
A partir do quinto ano, o café passa a integrar o arranjo produtivo, ampliando as possibilidades de renda até que o baru alcance sua plena capacidade produtiva.
Os resultados mostram que sistemas agroflorestais podem combinar benefícios ambientais e econômicos, com conservação do solo, aumento da biodiversidade, recuperação de áreas degradadas e diversificação da produção.
Compras públicas e alimentação escolar
O projeto também analisa a possibilidade de inserir frutos e produtos do Cerrado em programas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
A pesquisa aponta que as compras públicas podem estimular a produção local e fortalecer a agricultura familiar, desde que sejam enfrentadas questões sanitárias e estruturais nas cadeias produtivas.
Crédito da foto: Caroline Dantas/IPEDF

