sábado, setembro 26, 2026
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Moradores se mobilizam contra construção de novos Caps em áreas residenciais no DF

O Governo do Distrito Federal enfrenta resistência de moradores à construção de novos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) em áreas residenciais. Em Taguatinga, as obras foram paralisadas após mobilizações da comunidade.

O DF tem 19 Caps e prevê concluir cinco novas unidades até 2027, conforme acordo firmado com o Ministério Público. Duas das estruturas previstas são Caps III Álcool e Drogas, com funcionamento 24 horas e atendimento voltado a pessoas com problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas.

Obras paralisadas em Taguatinga

Na QNL 1, em Taguatinga, moradores realizaram manifestações contra a construção de um Caps. Entre os atos, houve protestos nas ruas, plantio de árvores nos buracos abertos para os alicerces e mobilização junto à administração regional.

Após uma audiência pública com a população, o governo voltou a paralisar as obras. Moradores também se reuniram com o presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

A principal reclamação é de que o terreno escolhido é utilizado há mais de três décadas como espaço de lazer pela comunidade.

O morador Bruno de Andrade, de 44 anos, defende que equipamentos públicos sejam construídos em áreas ociosas e que o espaço atualmente utilizado pela população seja preservado.

Moradores do Guará pedem mudança de local

Nas Quadras Econômicas Lúcio Costa, no Guará, também há resistência ao local escolhido para a construção de um Caps III Álcool e Drogas. Um abaixo-assinado com 781 assinaturas afirma que a comunidade é favorável ao serviço, mas pede que a unidade seja instalada em outro ponto.

Os responsáveis pelo documento afirmam que o terreno é usado como área de convivência e recreação ao ar livre. Também citam preocupações com segurança, aumento do trânsito de veículos, barulho após as 22h e possível interferência na Reserva Biológica do Guará.

O grupo sugere que o terreno seja destinado à construção de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou a outra estrutura de uso comunitário.

Há, porém, divergência entre moradores sobre a utilização da área. Uma moradora que preferiu não se identificar afirmou que o local nunca foi uma área de lazer e que pertencia à Secretaria de Educação.

Função dos Caps

A subsecretária de Saúde Mental do DF, Fernanda Falcomer, afirma que parte da resistência está relacionada a uma confusão sobre a estrutura e a finalidade dos Caps.

Entre as preocupações manifestadas por moradores está a possibilidade de internações involuntárias nas unidades. O modelo dos Caps, no entanto, prevê atendimento aberto e inserido na comunidade, e não funciona como internação em modelo manicomial.

Moradores também relacionaram a instalação das unidades ao Centro Pop, serviço voltado ao atendimento de pessoas em situação de rua, e demonstraram receio de que a presença do Caps provoque concentração de acampamentos nas proximidades.

Segundo Fernanda Falcomer, os Caps são destinados ao cuidado de pessoas com transtornos mentais graves e persistentes e devem estar integrados aos bairros, próximos de residências, comércio e escolas, como parte do processo de reabilitação psicossocial.

Crédito da foto: Divulgação/MPDFT