Tentativa de latrocínio revela estrutura que lavava milhões para facções
Uma investigação iniciada após uma tentativa de latrocínio levou a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) a identificar uma organização criminosa suspeita de atuar em fraudes bancárias, subtração de valores e lavagem de dinheiro. Na manhã desta quinta-feira.
A operação é conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), vinculada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (DECOR). As ordens judiciais são cumpridas no DF, em São Paulo, Mato Grosso, Santa Catarina e Goiás.
Investigação começou após tentativa de latrocínio
Em 2024, um homem que se tornou alvo da atual operação foi vítima de uma tentativa de latrocínio. Durante as investigações, a polícia descobriu que os autores do crime seriam integrantes do Comando Vermelho (CV) que haviam se deslocado do Mato Grosso para Brasília com o objetivo de roubar a vítima.
As apurações indicaram que os criminosos tinham informações privilegiadas sobre a rotina e a capacidade financeira do homem. Os dados teriam sido repassados por uma pessoa do círculo profissional da vítima.
Permanece sob investigação a possibilidade de que o homem seja integrante de uma facção rival.
Movimentação de recursos chamou atenção
O interesse dos integrantes da facção estaria relacionado à elevada quantidade de recursos financeiros movimentados pela vítima. Segundo a PCDF, o homem exerce o papel de *lavador profissional de dinheiro*, especializado em receber, movimentar, ocultar e dar aparência lícita a recursos de origem criminosa.
A polícia aponta que estruturas financeiras independentes podem atender simultaneamente diferentes facções e organizações criminosas, permitindo que grupos distintos utilizem a mesma infraestrutura para movimentar cifras milionárias.
Fraudes envolviam credenciais bancárias
De acordo com a investigação, a organização criminosa atuava desde o contato com as vítimas e a obtenção fraudulenta de credenciais bancárias, por meio de dispositivos de informática, até a retirada e posterior movimentação dos valores.
Após as fraudes, os recursos eram rapidamente distribuídos em contas de terceiros por meio de sucessivas transações.
Justiça determina bloqueio de bens e valores
Além dos mandados de busca, apreensão e prisão, a Justiça determinou o sequestro de cinco veículos de luxo utilizados pelos investigados e de dois imóveis avaliados, em conjunto, em mais de R$ 3,5 milhões.
Também foi determinado o bloqueio de valores existentes em contas e ativos financeiros dos investigados. A medida pode alcançar mais de R$ 60 milhões.

