Reforma administrativa ganha força
Foto: Agência Brasil
Modernização do Estado entra em discussão e é consenso entre representantes dossetores público e privado
Após um ano de intensos debates sobre a Reforma Tributária, 2025 promete ser o ano da Reforma Administrativa. O tema foi amplamente discutido no evento “A Necessária Modernização do Estado”, realizado na Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em Brasília. O encontro reuniu parlamentares, empresários e especialistas para debater a necessidade de modernizar a gestão pública, reduzir a burocracia e tornar os serviços mais eficientes para a população. Entre os principais desafios apontados está a busca por um Estado mais ágil, transparente e sustentável financeiramente.
O presidente em exercício do Senado, Eduardo Gomes (PL-TO), defendeu a criação de uma comissão especial para analisar as propostas de reforma, ressaltando que a eficiência na administração pública é fundamental diante da limitação de recursos orçamentários. O senador Efraim Filho (União-PB), por sua vez, destacou a necessidade de responsabilidade fiscal e gestão eficiente dos recursos públicos, reforçando que o equilíbrio das contas não deve depender apenas do aumento da arrecadação, mas também da melhor administração dos gastos.
Durante o evento, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, ressaltou que a sociedade exige cada vez mais eficiência e transparência no serviço público, enquanto o setor produtivo precisa de um ambiente econômico mais favorável para crescer e gerar empregos. O economista-chefe da CNC, Felipe Tavares, alertou para o crescimento contínuo dos gastos públicos, que podem fazer a dívida do país alcançar 100% do PIB em uma década se nenhuma mudança for feita. Segundo ele, a reforma administrativa é essencial para garantir a sustentabilidade das contas públicas no longo prazo.
O ex-presidente Michel Temer também participou do debate e trouxe um panorama sobre a evolução da administração pública no Brasil. Ele lembrou que o país passou por diferentes modelos de gestão ao longo dos anos e defendeu a aplicação da meritocracia no setor público como um meio de aumentar a eficiência dos serviços prestados à população. Segundo Temer, setores privatizados costumam apresentar maior eficiência, o que reforça a necessidade de aprimorar a estrutura administrativa estatal.
O consenso entre os participantes do evento foi de que a modernização do Estado é urgente. Atualmente, a alta carga tributária não se traduz em serviços públicos de qualidade, o que gera insatisfação na sociedade. Para os especialistas, a reforma administrativa deve focar na otimização dos gastos, na valorização do funcionalismo com base no desempenho e na redução da burocracia para tornar a máquina pública mais ágil e eficiente. O desafio, agora, será construir um projeto que equilibre interesses políticos e econômicos sem comprometer a prestação de serviços essenciais à população.