Bocejo pode tirar a mandíbula do lugar? Especialista explica caso de jovem do DF que.
O adolescente Felipe Santos Firmino, de 14 anos, precisou passar por dois hospitais do Distrito Federal depois que a mandíbula saiu do lugar durante um bocejo. O caso ocorreu no dia 27, na casa da família, em São Sebastião, e ganhou repercussão nas redes.
Felipe chegou a desmaiar de dor e teve uma crise de vômito. Após receber atendimento no Hospital de Base, a mandíbula foi recolocada no lugar. O adolescente ficou cinco dias em repouso, já retornou às aulas e continua a recuperação em casa.
Bocejo pode provocar luxação da mandíbula
O cirurgião bucomaxilofacial Rodrigo Fromer explica que o quadro é chamado de luxação da articulação temporomandibular, conhecida como ATM. Essa articulação liga a mandíbula ao osso temporal do crânio.
A luxação ocorre quando o côndilo, considerado a cabeça da mandíbula, ultrapassa um limite anatômico da articulação e fica preso fora da posição correta.
De acordo com o especialista, algumas pessoas apresentam predisposição anatômica para o problema. Uma eminência articular muito rasa pode permitir que o côndilo ultrapasse a estrutura óssea. A frouxidão dos ligamentos responsáveis pela estabilidade da articulação também pode favorecer a ocorrência.
Movimentos que exigem abertura máxima da boca, como o bocejo, podem desencadear a luxação.
Sensação de travamento exige avaliação
Em alguns casos, a luxação é precedida por episódios de subluxação. Nessa situação, a pessoa sente que a mandíbula vai travar, mas ela retorna sozinha à posição normal.
A repetição dessa sensação de abertura e travamento pode servir como sinal de alerta. A recomendação é procurar uma avaliação, preferencialmente com um cirurgião bucomaxilofacial.
Mandíbula travada precisa de atendimento imediato
Quando a mandíbula fica completamente travada, a orientação é buscar atendimento médico imediatamente. Segundo Rodrigo Fromer, a condição não é autorreduzível, o que significa que a própria pessoa não consegue recolocar a mandíbula no lugar.
A manobra deve ser feita por um profissional, e o especialista indicado é o cirurgião bucomaxilofacial. Quanto mais tempo a mandíbula permanece luxada, mais difícil pode ser o procedimento, porque os ligamentos ficam distendidos e a musculatura pode entrar em contração.
Recuperação pode levar até duas semanas
Matteus Santos Firmino, irmão de Felipe, contou que o adolescente ainda sente dor ao comer alimentos mais duros e chegou a ter a sensação de que a mandíbula quase saiu novamente.
O cirurgião bucomaxilofacial explica que, após a mandíbula voltar ao lugar, é esperado que o paciente tenha dor e dificuldade para mastigar durante alguns dias. A luxação provoca o estiramento dos ligamentos, a contração da musculatura e um processo inflamatório na articulação, que pode durar uma ou duas semanas.
Durante a recuperação, a recomendação é priorizar alimentos de consistência mais macia e evitar abrir excessivamente a boca.
Novos episódios podem ocorrer
Após a primeira luxação, aumenta a possibilidade de novos episódios. Quando as ocorrências se tornam frequentes, pode haver indicação de cirurgia para corrigir alterações anatômicas da articulação e impedir novos deslocamentos.
Segundo o especialista, a luxação é considerada recidivante quando há três ou mais episódios ao longo de seis meses.
Família percorreu dois hospitais do DF
Matteus relatou que Felipe havia chegado mais cedo da escola e estava com a mãe na sala de casa. O adolescente deitou no sofá e bocejou. Nesse momento, a boca travou, e ele não conseguia falar, apenas gritar.
A família levou o jovem ao Hospital Regional do Paranoá. Felipe recebeu uma pulseira laranja e passou por exames de raio-X e tomografia. Segundo o irmão, a unidade não tinha um cirurgião bucomaxilofacial para realizar o procedimento.
Com muita dor, o adolescente começou a passar mal. O hospital solicitou uma ambulância, e Felipe foi transferido para o Hospital de Base, na Asa Sul, onde havia um profissional da especialidade.
A mandíbula foi recolocada no lugar, e o adolescente voltou para casa com orientação de repouso por cinco dias.
Crédito da foto: Imagem ilustrativa gerada por IA

