quarta-feira, julho 22, 2026
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China pode sobretaxar em 55% carne brasileira

O setor brasileiro de carne bovina acompanha com atenção o avanço das exportações para a China após o país asiático informar que o Brasil já utilizou cerca de 80% da cota anual de importação prevista para 2026. Caso o limite seja atingido, os embarques que excederem o volume autorizado passarão a sofrer uma sobretaxa de 55% sobre a tarifa de importação, o que pode reduzir a competitividade da proteína brasileira no principal mercado consumidor do produto.

Cota pode elevar custos para exportadores

O Brasil detém a maior cota individual entre os fornecedores de carne bovina para a China, com aproximadamente 1,1 milhão de toneladas autorizadas para este ano.

A medida faz parte de um mecanismo chinês de salvaguarda comercial, aplicado também a outros grandes exportadores, como Argentina, Uruguai, Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos. Segundo as regras, a sobretaxa entra em vigor poucos dias após o esgotamento da cota anual.

A possibilidade de incidência da tarifa adicional já provoca movimentações no mercado brasileiro. Frigoríficos têm reavaliado o ritmo dos embarques, reduzido abates, planejado férias coletivas e ajustado o planejamento da produção para evitar que cargas sejam enviadas sob a nova tributação, que, com a sobretaxa pode chegar a 67%.

O receio é que o aumento dos custos diminua a demanda chinesa pela carne brasileira e pressione toda a cadeia produtiva, desde os pecuaristas até as indústrias exportadoras.

Impactos no mercado interno

Especialistas avaliam que uma eventual redução das exportações para a China poderá ampliar a oferta de carne bovina no mercado doméstico, influenciando os preços pagos ao produtor e, em alguns casos, ao consumidor final.

Embora o cenário ainda dependa do ritmo das exportações nas próximas semanas, o mercado monitora diariamente a evolução da cota chinesa, já que a China permanece como o principal destino da carne bovina brasileira e um dos parceiros comerciais mais relevantes do agronegócio nacional.

 

Crédito da foto: Divulgação/Abiec