terça-feira, outubro 6, 2026
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DF elege dois LGB Ts, 10 negros e 8 mulheres em 2026; especialistas analisam.

O Distrito Federal elegeu duas pessoas LGBTQIA+, 11 candidatos que se autodeclaram negros e sete mulheres para o Senado, a Câmara dos Deputados e a Câmara Legislativa nas eleições de domingo (4). Os dados foram levantados a partir das informações declaradas.

Os números detalhados mostram oito eleitos que se declaram pardos e três pretos. Entre as pessoas LGBTQIA+ eleitas, estão Fábio Félix (PSOL), deputado federal eleito e homem gay, e Keka Bagno (PSOL), deputada distrital eleita e mulher bissexual.

Entre as mulheres eleitas estão Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL), para o Senado, além de Estefane Sampaio (Republicanos), Keka Bagno (PSOL), Jaqueline Silva (MDB), Renata Daguiar (Republicanos) e Dayse Amarilio (PSB), para a Câmara Legislativa.

O DF não elegeu nenhuma mulher para a Câmara dos Deputados. Segundo o levantamento, isso não ocorria desde 2006. A próxima composição da bancada do Distrito Federal no Senado será formada por três mulheres.

Representatividade nas bancadas

Para Kelly Quirino, professora da Universidade Católica de Brasília (UCB) e pesquisadora de relações étnico-raciais e de gênero, a eleição de integrantes de grupos historicamente sub-representados amplia a presença de diferentes experiências sociais no debate político.

Ela avalia, porém, que as barreiras permanecem, já que bancadas tradicionais continuam fortes e disputas sobre temas como racismo, LGBTfobia e violência contra a mulher devem continuar no Legislativo.

A professora Beatriz Sanchez, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), afirma que a participação desses grupos também é limitada por desigualdades anteriores à eleição, como acesso a financiamento, estrutura de campanha, exposição das candidaturas e redes políticas.

Segundo Sanchez, mulheres, pessoas negras e pessoas LGBT também permanecem sub-representadas nas direções partidárias, onde são tomadas decisões sobre candidaturas, distribuição de recursos e estratégias eleitorais.

A pesquisadora ressalta que identidade não determina automaticamente posicionamento político, mas experiências sociais distintas podem fazer com que determinados problemas sejam levados ao debate público e discutidos de formas diferentes.

Eleitos que se autodeclaram negros

Dos 34 candidatos eleitos pelo Distrito Federal, 23 se declararam brancos, oito pardos e três pretos.

Entre os eleitos que se autodeclaram negros estão Fábio Félix (PSOL), Prof. Reginaldo Veras (PV), Keka Bagno (PSOL), Max Maciel (PSOL), Chico Vigilante (PT), Roosevelt Vilela (PL), Pepa (PP), Ricardo Vale (PT), Wellington Luiz (MDB), Martins Machado (Republicanos) e Rogério Morro da Cruz (PSD).

No cenário nacional, a eleição manteve em 135 o número de cadeiras ocupadas por deputados pretos e pardos.

Candidaturas LGBTQIA+

As eleições de 2026 tiveram 406 candidatos que se autodeclararam LGBTQIA+ em todo o país, o equivalente a 2% dos 20.575 concorrentes.

Foi a primeira eleição geral em que essa informação passou a ser perguntada pela Justiça Eleitoral no registro das candidaturas.

Participação feminina

Nas eleições proporcionais, partidos e federações devem respeitar uma cota mínima de candidaturas de cada gênero. Pela Lei das Eleições, pelo menos 30% das candidaturas devem ser de um gênero e, consequentemente, no máximo 70% podem ser do outro.

Como os homens são maioria entre os candidatos, a regra funciona principalmente como garantia de participação mínima de mulheres nas disputas proporcionais.

Crédito da foto: Redes sociais/Keka Bagno