segunda-feira, novembro 2, 2026
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Dor forte e desmaios – paciente do DF tem condição rara que causa vazamento do líquido que.

Morador do Distrito Federal, Alexandre Ferraz Batista de Oliveira, de 46 anos, enfrenta uma condição rara que provoca o vazamento do líquido responsável por proteger o cérebro e a medula espinhal. Diagnosticado com fístula liquórica espontânea, ele sofre com.

Os primeiros sintomas apareceram em 2021, quando Alexandre começou a sentir pontadas na cabeça. Inicialmente leves, as dores se intensificaram e passaram a comprometer suas atividades diárias.

Após consultas e exames, ele recebeu o diagnóstico de fístula liquórica espontânea. Desde então, passou por diferentes procedimentos médicos, mas nenhum conseguiu solucionar o problema.

Dores intensas e desmaios mudaram a rotina do morador do DF

Alexandre relata que sente queimações na cabeça e na coluna, mesmo com o uso de medicamentos fortes. Além das dores, enfrenta episódios de perda de consciência, dificuldades para caminhar e falhas de memória.

Durante as crises mais intensas, ele também apresenta dificuldades para falar de maneira coerente. Em algumas ocasiões, chegou a permanecer mais de um dia dormindo, sem recordar o que havia acontecido.

Antes do diagnóstico, Alexandre trabalhava como segurança. Com o agravamento dos sintomas e as limitações físicas, precisou se aposentar por invalidez.

Pai de duas filhas, ele atualmente vive da aposentadoria e realiza trabalhos eventuais como autônomo para complementar a renda familiar.

O que é a fístula liquórica espontânea

O neurocirurgião Fabio Simões Fernandes, do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB), explica que o cérebro e a medula espinhal são protegidos por um líquido chamado líquor, envolvido por uma membrana denominada dura-máter.

Quando ocorre uma fragilidade nessa membrana, o líquido pode escapar, provocando uma fístula liquórica.

A condição pode surgir após traumas ou procedimentos cirúrgicos no sistema nervoso central. Também pode ocorrer espontaneamente, como no caso de Alexandre.

De acordo com o especialista, as fístulas espontâneas são raras, com aproximadamente cinco casos para cada 100 mil habitantes.

Entre os sintomas estão dores de cabeça e vômitos, que podem piorar durante esforços físicos ou quando o paciente permanece sentado ou em pé. Em alguns casos, há melhora ao se deitar.

O diagnóstico considera os sintomas apresentados e os resultados dos exames médicos.

Tratamentos anteriores não conseguiram resolver o problema

A enfermeira Cinthia Sobral Ribeiro, ex-esposa de Alexandre, conta que ele não apresentava problemas graves de saúde antes do surgimento dos sintomas.

Com o avanço da condição, passou a enfrentar dores de cabeça intensas, náuseas, vômitos e episódios de desorientação. Os sintomas pioravam quando ele ficava em pé e melhoravam parcialmente ao se deitar.

Apesar das manifestações, exames iniciais não identificaram alterações que explicassem o quadro. A família procurou diferentes unidades de saúde até chegar ao diagnóstico.

Segundo Cinthia, uma das principais dificuldades foi identificar a localização exata do vazamento do líquor, o que tornou o tratamento mais complexo.

Alexandre passou por procedimentos menos invasivos, incluindo tentativas de fechar a fístula com o próprio sangue, mas não obteve o resultado esperado.

Os especialistas que avaliaram o caso não se sentiram seguros para realizar uma cirurgia devido à complexidade do procedimento e à dificuldade de localizar a fístula. A preocupação era que uma intervenção pudesse agravar seu estado de saúde.

O neurocirurgião Fabio Simões Fernandes explica que a condição pode ser tratada com medicamentos para reduzir a produção do líquor e repouso. Quando essas medidas não resolvem o problema, pode ser indicada uma cirurgia para corrigir a membrana afetada.

Família busca R$ 72 mil para cirurgia em São Paulo

Diante das dificuldades enfrentadas no tratamento, a família procurou atendimento especializado em São Paulo.

Alexandre passou por uma avaliação com o neurocirurgião Roger Brock, que possui experiência no tratamento desse tipo de condição. A possibilidade de realizar uma cirurgia com o especialista representa uma esperança de melhora para o paciente.

O procedimento particular tem custo estimado em R$ 72 mil, valor que a família tenta arrecadar por meio de uma vaquinha virtual.

A campanha foi organizada por Isabela Vitória, de 19 anos, filha mais velha de Alexandre, para ajudar a pagar a cirurgia e as despesas da viagem.

Isabela conta que o pai evitava falar sobre a doença para não preocupar as filhas. Com o agravamento dos sintomas, porém, ela passou a perceber a gravidade da situação.

A jovem relata que já encontrou o pai desacordado em diferentes cômodos da casa, como a cozinha e o banheiro. Os episódios aumentaram sua preocupação com a segurança e a saúde dele.

Enquanto tenta reunir o dinheiro necessário para o procedimento, a família convive com as limitações provocadas pela doença e busca uma alternativa de tratamento que permita a Alexandre recuperar sua qualidade de vida.

Crédito da foto: Reprodução/Arquivo pessoal