sábado, outubro 17, 2026
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Em sabatina, Flávio não explica propostas e faz acusações sem provas Em sabatina na TV.

O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, participou de uma sabatina na TV Globo na noite de sexta-feira (16). Durante pouco mais de 40 minutos, o senador negou que os atos de 8 de janeiro de 2023 tenham sido uma tentativa de golpe de.

Flávio também falou sobre as relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso, e afirmou que não disputaria a reeleição caso chegasse à Presidência. Algumas propostas foram apresentadas sem explicações sobre sua execução ou viabilidade.

Flávio Bolsonaro nega tentativa de golpe em 8 de janeiro

Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro afirmou que a invasão e a depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023, não representaram uma tentativa de golpe de Estado.

Na ocasião, milhares de pessoas invadiram e vandalizaram os prédios do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF). Policiais também foram agredidos durante os ataques.

O candidato chamou de *farsa* o julgamento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão.

“Essa farsa, a história vai mostrar que foi totalmente armado para tentar tirar Bolsonaro da vida pública”, declarou.

Flávio também minimizou os acontecimentos ao mencionar que uma senhora carregando uma Bíblia não estaria tentando dar um golpe.

Possível participação de Jair e Eduardo Bolsonaro no governo

Questionado sobre a formação de um eventual governo, Flávio Bolsonaro afirmou que não discutiu com o pai a possibilidade de oferecer a ele um cargo no Executivo.

O senador já havia declarado anteriormente que concederia indulto a Jair Bolsonaro, mas não confirmou se o ex-presidente participaria de sua administração.

Flávio também descartou a indicação do irmão Eduardo Bolsonaro para o Ministério das Relações Exteriores.

*Ele é um perseguido político*, afirmou. O candidato acrescentou que Eduardo seria reconhecido futuramente por sua atuação política.

Eduardo Bolsonaro mora nos Estados Unidos e foi condenado no Brasil por coação no curso do processo.

A Justiça brasileira entendeu que ele atuou para estimular medidas tarifárias do governo norte-americano contra produtos brasileiros como forma de pressionar o país diante da possibilidade de condenação de Jair Bolsonaro.

Candidato muda posição sobre o fim da escala 6×1

Outro tema abordado foi o fim da escala de trabalho 6×1. Depois de manifestações contrárias à mudança, Flávio Bolsonaro afirmou ser favorável à medida, aprovada pelo Senado durante a semana e promulgada na sexta-feira (16).

O senador declarou que mudou sua posição após conversar com trabalhadores de diferentes regiões do país e afirmou ter votado a favor da proposta.

“Eu sempre defendi mais liberdade, inclusive para os trabalhadores montarem sua jornada de trabalho. Isso pressupõe que a escala 6×1 seja extinta”, disse.

Ao ser questionado sobre os direitos dos trabalhadores, afirmou que pretende manter as leis trabalhistas. Também defendeu que os profissionais tenham liberdade para escolher suas jornadas de trabalho.

Segurança pública e combate às facções criminosas

Na área de segurança pública, Flávio Bolsonaro reiterou a promessa de classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações narcoterroristas.

O candidato, porém, não explicou quais seriam os efeitos práticos dessa classificação no enfrentamento ao crime organizado.

Flávio também defendeu mudanças na legislação sobre armas de fogo para facilitar o acesso da população ao armamento.

“O problema é que as armas estão nas mãos das pessoas erradas”, afirmou.

Durante a entrevista, evitou detalhar seu apoio a uma proposta que prevê retirar a identificação de cápsulas de munições utilizadas pelas forças de segurança. A identificação é um instrumento empregado para rastrear munições, prevenir desvios e auxiliar investigações criminais.

Relações políticas no Rio de Janeiro são questionadas

Flávio Bolsonaro também respondeu a perguntas sobre suas relações com políticos do Rio de Janeiro citados em investigações envolvendo o crime organizado.

Entre os nomes mencionados estavam o ex-deputado Rodrigo Bacellar e o deputado eleito Márcio Canella.

O candidato afirmou ter ficado surpreso com as informações sobre possíveis ligações dos políticos com o Comando Vermelho.

Defendeu o direito à ampla defesa, mas ressaltou que a Justiça não deve poupar pessoas cuja culpa seja comprovada.

Relação com Daniel Vorcaro e financiamento de filme

A ligação de Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro também foi abordada na sabatina.

O candidato foi questionado sobre valores relacionados ao suposto financiamento do filme Dark Horse, incluindo cerca de R$ 60 milhões atribuídos a Vorcaro e uma cobrança de R$ 130 milhões.

Flávio afirmou que as questões envolvendo o financiamento já haviam sido esclarecidas. Segundo ele, o nome de Vorcaro surgiu durante a busca por possíveis investidores para a produção.

“E ele concordou quando não havia nada de errado”, declarou, ao se referir à situação do banco naquele momento.

O senador, no entanto, continuou cobrando recursos do ex-banqueiro mesmo após a divulgação de suspeitas de fraude envolvendo o Banco Master.

Dados do Inpe contradizem declaração sobre queimadas

Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro acusou o governo de registrar números recordes de queimadas na Amazônia.

“Esse foi o outubro com maior queimada na história da nação brasileira”, afirmou.

A declaração não corresponde aos dados apresentados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que monitora focos de calor desde 1989.

Até 15 de outubro de 2026, a Amazônia havia registrado 9.544 focos de calor, número distante dos maiores registros da série histórica.

Proposta prevê fim da reeleição presidencial

Flávio Bolsonaro voltou a defender o fim da possibilidade de reeleição para presidente da República.

Segundo o candidato, a mudança seria apresentada por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) e passaria a valer já para o próximo mandato presidencial, caso fosse aprovada.

Ele afirmou que caberia ao Congresso Nacional definir se a duração do mandato permaneceria em quatro anos ou seria alterada.

“Partiu de mim apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição onde acaba a reeleição para presidente. E aí depende do congresso a duração do mandato, se vai ser de quatro anos ou não”, declarou.

A proposta também impediria que parentes do presidente até o terceiro grau disputassem a Presidência imediatamente após o término do mandato.

Flávio afirmou não ter apego ao poder. Aos 45 anos, o candidato acumula 23 anos de mandatos como deputado estadual e senador.

Venda de imóveis públicos e exploração de petróleo

Na área econômica, Flávio Bolsonaro defendeu medidas para reduzir a dívida da União em mais de R$ 200 bilhões.

Segundo o candidato, parte desse resultado poderia ser alcançada por meio da venda de imóveis públicos abandonados. Ele não detalhou quais propriedades seriam negociadas nem apresentou cálculos que demonstrassem a arrecadação prevista.

O senador também afirmou que a exploração de petróleo na margem equatorial poderia gerar uma arrecadação inicial de R$ 100 bilhões.

A estimativa, porém, não foi acompanhada de explicações sobre o prazo para obtenção dos recursos. De acordo com o cronograma mencionado pela Petrobras, a exploração não começaria antes de 2033.

Redução de ministérios e cargos públicos

Flávio Bolsonaro afirmou ainda que pretende extinguir pelo menos dez ministérios caso seja eleito presidente.

O candidato não especificou quais pastas seriam eliminadas nem explicou como os serviços e as atribuições desses órgãos seriam reorganizados.

Durante a sabatina, também declarou que o governo de Jair Bolsonaro havia reduzido milhares de cargos em comissão, ocupados por indicação na administração pública.

A afirmação foi contestada por uma checagem do UOL, que apontou inconsistências na alegação de redução desses cargos durante a gestão do ex-presidente.