sábado, outubro 17, 2026
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Professores de escola rural no DF denunciam perseguição e assédio moral de diretora; veja.

Professores da Escola Classe Café sem Troco, localizada na zona rural do Distrito Federal, denunciam perseguição e assédio moral por parte da direção da unidade. Segundo os servidores, os problemas começaram há mais de dois anos e se intensificaram após as.

A situação teria piorado com o retorno da diretora, que estava afastada desde fevereiro para responder a um processo administrativo. Após 60 dias de afastamento, ela voltou às atividades sem que a investigação da corregedoria tivesse sido concluída.

Dos 13 servidores que denunciaram as condutas, oito apresentaram atestados médicos. Alguns retornaram ao trabalho, enquanto outros permanecem afastados. Os profissionais associam os problemas de saúde às situações de assédio relatadas.

Servidores relatam crises de ansiedade e dificuldades no trabalho

Uma das funcionárias afirmou que passou a enfrentar crises de ansiedade diante da possibilidade de retorno da diretora. Segundo ela, os sintomas incluíram aceleração dos batimentos cardíacos, náuseas e necessidade de atendimento hospitalar.

A servidora relatou que, após realizar exames, recebeu diagnóstico de crise aguda de ansiedade generalizada e passou a utilizar medicamentos.

Os profissionais também afirmam que a direção intimidava funcionários que apresentavam opiniões divergentes e convocava reuniões individuais, sem a presença de testemunhas.

Professores encaminharam carta à governadora

Diante da situação, integrantes da equipe escolar enviaram uma carta à governadora Celina Leão (PP), relatando dificuldades na gestão e solicitando providências.

No documento, os servidores descrevem condutas que consideram autoritárias e persecutórias, além de possíveis episódios de assédio moral, problemas de diálogo e dificuldades na condução da escola.

Os profissionais afirmam que o retorno da diretora, sem conhecimento do resultado do processo administrativo, provocou apreensão entre os trabalhadores. Alguns relataram não ter condições psicológicas de comparecer à escola naquele momento.

A Secretaria de Educação do Distrito Federal informou que o processo administrativo tramita em sigilo, mas não esclareceu a demora na conclusão da apuração.

Denúncias incluem intimidação e restrição de espaço escolar

Duas das denúncias foram registradas em boletins de ocorrência. Em uma delas, apresentada em 2025, um educador relatou ter sido impedido de utilizar uma sala da escola para atender estudantes.

Após a proibição, o profissional passou a realizar os atendimentos em um espaço no corredor da unidade. Segundo a denúncia, o local foi posteriormente ocupado por entulhos, sem aviso ou justificativa.

Os servidores também apontam problemas na distribuição de turmas, alterações nas metodologias de ensino sem autorização da Secretaria de Educação e utilização de canais de comunicação da escola para propaganda política.

Outra acusação envolve a comercialização de doces e balas dentro da unidade escolar, prática apontada pelos denunciantes como proibida pela legislação.

Professores questionam mudanças no método de alfabetização

Os profissionais relatam que, em 2024, receberam uma cartilha de alfabetização elaborada pela própria diretora, que teria sido apresentada como substituta dos livros oficiais da Secretaria de Educação.

Áudios divulgados pelo g1 registram falas da gestora sobre a utilização das cartilhas e a adoção de seu método de alfabetização nas séries iniciais.

A Secretaria de Educação, no entanto, considerou improcedente a denúncia relacionada ao uso de cartilhas não autorizadas.

Os docentes também relatam interferências na condução das aulas. Um professor afirmou que a diretora desenvolveu um projeto de apadrinhamento para acompanhar as atividades pedagógicas e, durante as visitas, ministrava aulas aos estudantes utilizando sua própria metodologia.

Servidores denunciam pressão para evitar reprovações

Entre as acusações está a suposta pressão sobre professores do quinto ano para evitar a reprovação de estudantes.

Segundo os relatos, a medida teria como objetivo melhorar os indicadores de aprovação e, consequentemente, a nota da escola no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

O Ideb considera o desempenho dos alunos em avaliações de português e matemática, além das taxas de aprovação registradas no Censo Escolar.

A denúncia sobre a suposta interferência nos resultados escolares é apresentada pelos servidores e não consta como comprovada nas informações disponíveis.

Sindicato ofereceu orientação jurídica aos profissionais

A comunidade escolar também procurou o Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF), que ofereceu aconselhamento jurídico aos trabalhadores.

Segundo os relatos, a entidade não pôde assumir diretamente o caso porque a diretora denunciada também é servidora representada pelo sindicato.

O Sinpro-DF informou que participou de uma reunião com os professores no fim de setembro, mas não esclareceu quais medidas foram adotadas posteriormente.

As denúncias seguem relacionadas ao processo administrativo mencionado pela Secretaria de Educação. Até as informações disponíveis, não havia confirmação de conclusão da investigação nem de responsabilização da diretora pelas condutas apontadas.

Crédito da foto: Arquivo pessoal