quinta-feira, outubro 29, 2026
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Ex-presidente do BRB pressionou por compras de carteiras do Master mesmo após alertas, diz.

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, pressionou setores internos da instituição para acelerar a compra de carteiras de crédito do Banco Master, mesmo após receber alertas sobre possíveis irregularidades nas operações. A informação.

Mensagens analisadas pelos investigadores mostram que Costa estabelecia prioridades, definia valores e cobrava a conclusão das transações. As determinações ocorreram em um período em que a direção do BRB já tinha conhecimento de problemas identificados nas carteiras oferecidas pelo Master.

A Polícia Federal indiciou 15 pessoas no caso, entre elas o ex-presidente do BRB, o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e outros ex-dirigentes das instituições.

Mensagens revelam cobranças por operações milionárias

Em dezembro de 2024, após a identificação de irregularidades em uma carteira de crédito que ainda estava em análise, Paulo Henrique Costa cobrou rapidez na avaliação de uma operação de R$ 71 milhões.

Em resposta, o então diretor de Finanças do BRB, Dario Oswaldo Garcia Junior, afirmou que pressionaria a equipe responsável pela análise.

De acordo com o relatório da PF, o ex-presidente do banco definia quais operações deveriam receber prioridade, estabelecia os valores envolvidos e determinava os prazos para conclusão, além de cobrar pessoalmente a execução das transações pela Diretoria Financeira.

Operações previstas ultrapassavam R$ 1 bilhão

Em uma conversa de 23 de dezembro de 2024, Paulo Henrique Costa apresentou cinco operações que pretendia concluir. As movimentações envolviam compras de carteiras de crédito e vendas de créditos inadimplentes, com valores que, somados, ultrapassavam R$ 1 bilhão.

Entre as operações estavam duas compras de carteiras Credcesta, de R$ 408 milhões e R$ 196 milhões, além de uma terceira aquisição de R$ 70 milhões, vinculada ao uso de seguro prestamista.

O planejamento também incluía a liquidação de uma venda de créditos inadimplentes de R$ 200 milhões, acrescida de atualização, e uma nova venda de R$ 150 milhões.

Nas mensagens, Costa indicou que as operações de R$ 408 milhões e R$ 200 milhões deveriam ser concluídas prioritariamente naquele dia. Também manifestou interesse em antecipar a liquidação da operação de R$ 196 milhões.

Segundo a investigação, o planejamento das aquisições estava relacionado às necessidades de liquidez do Banco Master e seguia um cronograma de transações.

Alertas apontavam problemas nas carteiras de crédito

As cobranças ocorreram apesar de integrantes da cúpula do BRB terem recebido informações sobre inconsistências nas carteiras apresentadas pelo Banco Master.

O relatório aponta que Paulo Henrique Costa foi alertado sobre margens consideradas incompatíveis, índices de inadimplência de 28% e 15% e falhas nas planilhas utilizadas para avaliar as operações.

A Polícia Federal destaca que cabia à Diretoria Colegiada do BRB impedir negociações realizadas com informações incompletas ou em desacordo com as normas aplicáveis.

A investigação identificou, porém, que 13 das 14 notas executivas que iniciavam os processos de aquisição foram aprovadas antes da conclusão dos respectivos pareceres técnicos.

PF investiga fracionamento de compras de R$ 17,5 bilhões

Outro ponto destacado pelos investigadores é o possível fracionamento das aquisições de carteiras de crédito para evitar a necessidade de aprovação pelo Conselho de Administração do BRB.

Pelas regras internas, a Diretoria Colegiada podia deliberar sobre operações de compra e venda de carteiras de até R$ 750 milhões. Transações acima desse valor precisavam ser submetidas ao Conselho de Administração.

Segundo o relatório, a Diretoria Colegiada aprovou 25 transações que somaram R$ 17,5 bilhões. Desse total, 21 operações foram fixadas em exatamente R$ 750 milhões, o limite permitido para deliberação pelo colegiado.

A soma das operações corresponde a aproximadamente 23,3 vezes o limite individual de aprovação da diretoria. Para a PF, o padrão das transações é um dos pontos relevantes da investigação sobre a condução dos negócios entre os bancos.

Crise no BRB envolve operações com o Banco Master

O Banco de Brasília, que tem o Governo do Distrito Federal como acionista majoritário, enfrenta uma crise relacionada a perdas bilionárias em operações com o extinto Banco Master.

O BRB tentou adquirir o banco controlado por Daniel Vorcaro e chegou a destinar R$ 16,7 bilhões à instituição por meio de operações financeiras. A tentativa de compra foi barrada pelo Banco Central.

Posteriormente, o BRB identificou que parte das carteiras de crédito adquiridas era fraudulenta e não tinha lastro, conforme relatado na investigação.

Paulo Henrique Costa, Daniel Vorcaro e Augusto Lima foram alvos de diferentes fases da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades nos negócios do Banco Master. Costa e Vorcaro estão presos, conforme as informações apresentadas no relatório divulgado.

Polícia Federal indicia 15 investigados

O relatório parcial da Polícia Federal, divulgado na quarta-feira (28), registra o indiciamento de 15 pessoas relacionadas às investigações sobre o Banco Master e o BRB.

Entre os indiciados ligados ao Banco Master estão Daniel Vorcaro, Augusto Lima, Angelo Antônio Ribeiro da Silva, Luiz Antônio Bull, Alberto Félix de Oliveira Neto e Allan da Silva Machado.

Também foram indiciados Henrique Souza e Silva Peretto e André Felipe de Oliveira Seixas Maia, sócios da Tirreno, empresa de consultoria apontada pela PF como uma estrutura de fachada utilizada no esquema investigado.

A relação inclui ainda Daniel Lopes Monteiro, ex-advogado do Banco Master.

Pelo BRB, aparecem Paulo Henrique Costa, Dario Oswaldo Garcia Junior, Luana de Andrade Ribeiro, Cristiane Maria Lima Bukowitz, Diogo Ilário de Araújo Oliveira e José Maria Correa Dias Junior, todos ex-integrantes da administração do banco.

O indiciamento representa uma conclusão da investigação policial sobre a existência de indícios de envolvimento nos fatos apurados e não equivale a uma condenação judicial.

O g1 e a TV Globo informaram que buscavam contato com as defesas dos citados na investigação.

Crédito da foto: Jornal Nacional/ Reprodução