quarta-feira, outubro 7, 2026
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Festival de Curtas Na Moral transforma histórias de estudantes em cinema

Estudantes da rede pública do Distrito Federal transformaram temas como bullying, violência contra a mulher, desinformação e desigualdade em curtas-metragens exibidos nesta quarta-feira, 7 de outubro, no Cine Brasília. A segunda edição do Festival de Curtas.

A iniciativa integra o projeto NaMoral, desenvolvido pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) em parceria com a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF). Nesta edição, 12 escolas participaram do projeto, com 494 estudantes e 31 professores.

Ao todo, foram produzidos 18 curtas-metragens.

Cinco produções foram premiadas

Os cinco filmes selecionados para a mostra foram *Ecos da mentira*, *Entre becos e sonhos*, *Integridade: uma história contada em rascunhos*, *O peso do apelido* e *Nenhuma mulher a menos*.

Na avaliação da comissão técnica, *Ecos da mentira* ficou em primeiro lugar, seguido por *Entre becos e sonhos* e *Integridade: uma história contada em rascunhos*.

Na votação popular, *Nenhuma mulher a menos* foi o vencedor. *Integridade: uma história contada em rascunhos* ficou em segundo lugar, e *Ecos da mentira*, em terceiro.

Estudantes também foram reconhecidos pela atuação

Maria Clara Marques, de 16 anos, estudante do CEM 404 de Santa Maria, recebeu o prêmio de melhor atriz pela atuação em *Ecos da mentira*.

“Participar do projeto NaMoral foi incrível e ajudou a mostrar o valor da nossa escola para além dos rótulos. Ver o nosso trabalho impactando as pessoas e gerando essa troca foi uma das experiências mais importantes da minha vida”, afirmou.

O prêmio de melhor ator ficou com Vitor Miguel Gomes, de 15 anos, do CED 17 de Ceilândia, pela atuação em *Entre becos e sonhos*.

“Essa conquista não é só minha, é de todo o nosso grupo. A gente começou do zero, apenas com um celular na mão, e ver esse reconhecimento agora é a prova de que dar o seu melhor vale a pena”, disse.

Violência contra a mulher foi tema de curta vencedor

O curta *Nenhuma mulher a menos*, vencedor do júri popular, abordou a violência contra a mulher e o feminicídio. A produção mostrou como agressões graves podem ser precedidas por comportamentos naturalizados no cotidiano.

Sofia Garcia, de 15 anos, estudante do CED 08 do Gama e integrante da produção, disse de discutir o tema antes que a violência se agrave.

“A violência não começa do nada: ela acontece num ponto de ônibus, numa risadinha na escola, em pequenas coisas que muitas vezes acabamos relevando. O feminicídio não pode ser o ponto final dessas mulheres. Acreditamos que uma sociedade de verdade se constrói com senso crítico”, afirmou.

Projeto estimula trabalho coletivo e cidadania

Isaac Carvalho, de 15 anos, do CEMAB, participou de *Integridade: uma história contada em rascunhos* e destacou o trabalho coletivo durante a produção.

“Foi todo mundo juntando os seus próprios talentos para tentar criar algo interessante. Foi gratificante porque mostrou que esforço vale a pena”, contou.

A professora Raabe Lima, do CEM 404 de Santa Maria, afirmou que a criação dos filmes também ampliou as possibilidades de aprendizagem dos estudantes.

“Ver os alunos engajados na criação do roteiro, discutindo cidadania, valores e as consequências de suas escolhas foi gratificante. Nossa maior expectativa é que tudo o que aprenderam com esse projeto seja levado para a vida toda”, disse.

Cinema como exercício de cidadania

Durante a cerimônia, o vice-procurador-geral de justiça jurídico-administrativo e procurador de justiça Nísio Tostes destacou a capacidade do cinema de estimular novas formas de olhar para situações do cotidiano.

“O cinema nos convida a enxergar pelos olhos do outro. Uma boa história pode nos fazer perceber uma injustiça que passava despercebida, compreender uma dificuldade, repensar uma atitude que parecia normal. Por isso, fazer um filme também pode ser uma forma de exercer a cidadania”, afirmou.

A coordenadora do NaMoral no MPDFT, promotora de justiça Fernanda Molyna, incentivou os estudantes a continuarem imaginando o próprio futuro e disse dos professores na trajetória dos jovens.

A secretária-geral do MPDFT, Claudia Tomelin, também acompanhou a premiação e ressaltou o talento e a dedicação dos estudantes e educadores envolvidos no projeto.