sexta-feira, janeiro 30, 2026
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Fraudes em canetas emagrecedoras preocupam médicos

Foto: Reprodução/ Internet

Especialista afirma que não há atalhos, mas um tratamento individualizado e seguro

A popularização das chamadas canetas emagrecedoras no Brasil trouxe avanços importantes no tratamento da obesidade, mas também abriu espaço para um problema grave de saúde pública: a circulação de versões falsificadas desses medicamentos. Comercializados de forma irregular pela internet, redes sociais e aplicativos de mensagens, esses produtos ilegais têm preocupado médicos e autoridades sanitárias pelos riscos que representam, que vão desde a ineficácia do tratamento até efeitos colaterais severos e internações hospitalares.

Nos últimos meses, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) intensificou alertas e ações de fiscalização após identificar fraudes envolvendo medicamentos para emagrecimento. Entre as irregularidades encontradas estão canetas totalmente falsificadas, reaproveitamento de dispositivos originalmente destinados à insulina, rótulos adulterados e anúncios enganosos que simulam produtos originais. Situações semelhantes já foram registradas em outros países, indicando que se trata de um problema global impulsionado pela alta demanda e pela facilidade de venda em canais digitais.

Segundo especialistas, o maior perigo está no fato de que o consumidor dificilmente consegue identificar a fraude apenas pela aparência da embalagem. O médico nutrólogo Ronan Araujo, referência no tratamento da obesidade, alerta que esses produtos podem conter doses incorretas, substâncias diferentes das declaradas, ausência total do princípio ativo ou até compostos tóxicos. “São medicamentos que interferem diretamente no metabolismo, na glicemia e no sistema gastrointestinal. Um erro de dose ou uma substância desconhecida pode provocar hipoglicemia, vômitos intensos, desidratação, infecções e até eventos cardiovasculares”, explica.

O crescimento desse mercado paralelo está ligado à busca por resultados rápidos, aos preços elevados dos medicamentos originais, à escassez pontual de alguns produtos e à facilidade de compra fora do ambiente farmacêutico. Para os médicos, o problema não está no tratamento em si, mas no uso sem prescrição e sem acompanhamento profissional. As canetas emagrecedoras, quando corretamente indicadas e monitoradas, são consideradas seguras e eficazes. O risco surge com a automedicação, o uso indiscriminado e a aquisição fora dos canais oficiais.

Para se proteger, a orientação é clara: comprar medicamentos apenas em farmácias regularizadas, exigir receita médica, desconfiar de preços muito abaixo do mercado e evitar ofertas feitas por redes sociais ou aplicativos de mensagens. A Anvisa reforça que não comercializa medicamentos e que qualquer venda direta ao consumidor fora da rede farmacêutica é irregular. 

O avanço das canetas falsificadas não invalida o tratamento da obesidade, mas expõe os perigos de banalizar medicamentos que exigem critério, responsabilidade e acompanhamento médico. Como resume o especialista, “em saúde não existem atalhos seguros — o que protege o paciente é a combinação entre ciência, individualização e cuidado profissional”, finaliza.