sábado, julho 18, 2026
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Grande Sertão: Veredas faz 70 anos e segue instigante

Grande Sertao: Veredas, de Guimaraes Rosa, completa 70 anos mantendo a capacidade de encantar leitores e provocar debates sobre a literatura brasileira. O romance foi lancado em 16 de julho de 1956, na Livraria Jose Olympio, no centro do Rio de Janeiro.

Apuro formal e entrega criativa

Para o professor, economista e imortal da Academia Brasileira de Letras Eduardo Giannetti, a obra esta entre as mais ousadas e inovadoras da literatura brasileira.

Giannetti destaca que o livro combina um trabalho cuidadoso com a linguagem e uma intensa entrega criativa de Guimaraes Rosa. O escritor chegou a descrever o processo como um experimento quase mediunico.

Romance nasceu durante outra obra

Grande Sertao: Veredas e Corpo de Baile foram produzidos paralelamente entre 1946 e 1956. Os dois trabalhos comecaram a ser escritos em Paris, passaram por Bogota e continuaram no Rio de Janeiro, apos o retorno de Rosa em 1951.

O jornalista Leonencio Nossa, autor da primeira biografia sobre o escritor mineiro, afirma que Grande Sertao inicialmente fazia parte de Corpo de Baile, mas foi desmembrado e transformado em um romance independente.

Viagem por Minas inspirou o cenario

A paisagem das veredas e dos buritizais entrou na obra apos uma viagem de Guimaraes Rosa pelo interior de Minas Gerais com o amigo Pedro Barbosa Moreira.

Rosa levou cerca de dez anos para concluir o livro. Leonencio Nossa também dedicou uma decada a pesquisas sobre a vida do escritor para produzir a biografia João Guimaraes Rosa, biografia.

Pessoas conhecidas viraram personagens

O biografo relata que Guimaraes Rosa usou nomes de pessoas de seu convivio, incluindo familiares e figuras da cultura e da politica, na composicao dos personagens.

Entre as referencias estao o poeta Augusto dos Anjos e o avo do escritor, o major Luiz Guimaraes. Para Leonencio Nossa, esse aspecto reforca o carater autobiografico do romance.

Radio e cinema influenciaram a escrita

Durante a producao do livro, Rosa ouvia programas da Radio Nacional com artistas como Marlene, Emilinha Borba, Ademilde Fonseca e Virginia Lane.

O cinema também serviu de inspiracao. Um dos filmes assistidos pelo escritor durante o periodo foi Os Sete Samurais, dirigido por Akira Kurosawa.

Linguagem popular provocou criticas

Quando foi lancado, o romance recebeu criticas pela linguagem usada pelos personagens. Parte dos leitores considerava que as falas pareciam vir de outro planeta.

Leonencio Nossa afirma que Rosa reproduziu formas de falar encontradas entre moradores do interior de Minas Gerais, da Bahia e de Goias. O biografo destaca que até a palavra *nonada*, presente no inicio da obra, ja aparecia em jornais brasileiros e não foi criada pelo autor.