Grilagem no DF: DF Legal recupera 17,18 milhões m² e age na Estrutural
A DF Legal desobstruiu 17.184.757 metros quadrados de áreas ocupadas irregularmente no Distrito Federal entre 2024 e abril de 2026. No período, o órgão realizou 2.004 operações de desocupação em diferentes regiões da capital.
Mais de 1,4 milhão de metros quadrados recuperados em 2026
Entre janeiro e abril deste ano, foram realizadas 277 desobstruções, com a recuperação de 1.468.564 metros quadrados de terrenos públicos. O volume representa uma média superior a 12 mil metros quadrados recuperados por dia.
Em 2025, a DF Legal contabilizou 854 desobstruções e recuperou 9.390.485 metros quadrados, resultado 48,5% maior que o registrado no ano anterior.
Em 2024, foram 873 operações, que resultaram na recuperação de 6.325.708 metros quadrados. Somados, os dois anos tiveram 1.727 ações e mais de 15,7 milhões de metros quadrados devolvidos ao patrimônio público.
Força-tarefa remove estruturas na Estrutural
Na última semana, uma força-tarefa impediu uma tentativa de ocupação irregular em trechos da Área de Proteção Ambiental do Planalto Central, na região da Cidade Estrutural.
Durante a operação, equipes da DF Legal removeram 146 estruturas improvisadas, construídas com madeira e lona. Seis caminhões-caçamba que seriam utilizados para viabilizar o loteamento ilegal também foram apreendidos.
Dois homens foram presos em flagrante por envolvimento na ocupação irregular.
Suspeito foi localizado em Santa Luzia
Um dos suspeitos foi localizado após a Polícia Militar acionar a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente e à Ordem Urbanística. Ele foi encontrado na região de Santa Luzia com equipamentos e ferramentas usados na demarcação de terrenos.
Anotações encontradas com o suspeito passaram a integrar as investigações conduzidas pela Polícia Civil do Distrito Federal.
Um dos investigados, apontado como responsável por coordenar a ocupação, havia sido autuado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. O órgão aplicou multa de R$ 120 mil por infrações ambientais relacionadas à tentativa de ocupação da unidade de conservação.
Déficit habitacional amplia pressão sobre áreas públicas
A professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília, Vânia Raquel Teles Loureiro, relaciona a permanência da grilagem no Distrito Federal ao déficit habitacional enfrentado pela população de baixa renda.
Segundo a especialista, a demora nos programas de habitação social e o custo de vida acima dos rendimentos familiares levam parte da população a buscar moradia de menor custo em áreas periféricas, onde a posse não é segura.
Na avaliação da professora, os maiores beneficiados são os responsáveis pela organização e exploração econômica dos parcelamentos clandestinos.
Ocupações afetam planejamento e meio ambiente
A ocupação desordenada compromete o planejamento urbano, amplia a desigualdade social, prejudica o meio ambiente e gera custos para o Estado.
A especialista cita regiões como Sol Nascente, 26 de Setembro e Vicente Pires, que enfrentam problemas relacionados a infraestrutura, mobilidade, riscos hidrogeológicos e impactos ambientais decorrentes da ocupação irregular.
A ocupação de áreas verdes também pode agravar incêndios florestais, enxurradas e alagamentos. Para a professora, a preservação dos biomas deve fazer parte do planejamento urbano para reduzir a vulnerabilidade ambiental do Distrito Federal.
Política habitacional é apontada como alternativa
Vânia defende que o combate à grilagem seja acompanhado por uma política habitacional adequada ao perfil da população.
Segundo a professora, o planejamento deve ser construído em diálogo com as comunidades, com ampliação do acesso à moradia regular e redução do espaço ocupado pelo mercado ilegal de terras.
A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente e à Ordem Urbanística informou que as investigações e operações foram intensificadas em diferentes regiões da capital, com foco na responsabilização dos envolvidos e na interrupção de novos loteamentos clandestinos.
Crédito da foto: Divulgação/DF Legal
Crédito da foto: Divulgação/DF Legal

