quarta-feira, março 4, 2026
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Juros altos derrubam atividades da construção civil

Foto: José Paulo Lacerda/CNI

Confiança da indústria acumula mais de um ano em patamar negativo

A indústria da construção começou 2026 com desempenho abaixo do esperado, refletindo os efeitos do crédito mais caro e da retração na demanda. Dados da Sondagem Indústria da Construção, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), apontam que o nível de atividade do setor ficou em 43,1 pontos em janeiro — o pior resultado para o mês desde 2017. Indicadores abaixo de 50 pontos sinalizam retração na comparação com o período anterior.

Emprego e capacidade operacional recuam

O enfraquecimento não se limita ao ritmo das obras. O índice relacionado à evolução do número de empregados registrou nova queda em janeiro, marcando o terceiro recuo consecutivo. Já a Utilização da Capacidade Operacional caiu para 64%, o menor patamar para o período nos últimos cinco anos. Segundo análise da CNI, o ambiente de juros elevados encarece financiamentos, reduz investimentos e afeta diretamente a contratação de novos projetos, comprometendo o dinamismo do setor.

Confiança industrial segue em queda

A falta de confiança também segue como obstáculo. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da Construção permaneceu abaixo da linha de 50 pontos em fevereiro, acumulando mais de um ano em território negativo. A avaliação desfavorável das condições atuais da economia e das próprias empresas ajuda a explicar o cenário cauteloso, mesmo diante de uma leve melhora nas expectativas para os próximos meses.

Expectativas positivas, mas investimentos em baixa

Apesar da retração recente em alguns indicadores de expectativa — como compra de insumos, novos empreendimentos, contratações e nível de atividade — todos permanecem acima de 50 pontos, indicando projeção de crescimento moderado no horizonte de seis meses. Por outro lado, a intenção de investir voltou a cair após quatro altas seguidas, demonstrando que o empresariado ainda adota postura prudente diante das incertezas econômicas. A sondagem ouviu 312 empresas de diferentes portes no início de fevereiro, traçando um retrato do momento desafiador vivido pela construção civil brasileira.