Justiça solta mãe de bebê encontrado carbonizado e mantém prisão de companheiro
A Justiça do Distrito Federal concedeu liberdade provisória à mulher de 35 anos suspeita no caso do recém-nascido encontrado carbonizado em um terreno baldio no Recanto das Emas. A decisão foi tomada durante audiência de custódia neste sábado (26/9).
A soltura da mulher considerou a ausência de antecedentes criminais e o fato de ela ter outros três filhos. O homem permaneceu preso. Ele havia deixado a prisão há quatro meses, cumpria liberdade provisória por outro crime e tem passagens por descumprimento de medida protetiva.
Imagens de câmeras de segurança mostram o homem apontando para a direção onde a mulher deveria deixar a sacola com o bebê.
Polícia aguarda laudos do IML
A Polícia Civil do Distrito Federal continua investigando o caso, inicialmente tratado como infanticídio. Os investigadores aguardam o resultado da perícia do Instituto de Medicina Legal (IML) para determinar se o recém-nascido estava vivo quando foi deixado no terreno.
A polícia também aguarda os resultados da perícia realizada na casa da mulher. Uma das linhas de apuração é verificar se houve ingestão de medicamentos abortivos.
*Vamos verificar se houve ingestão de medicamentos abortivos*, afirmou o delegado Zander Pacheco, da 27ª Delegacia de Polícia, no Recanto das Emas.
Segundo a investigação, depois que o corpo foi deixado no local, a área foi incendiada por uma terceira pessoa ainda não identificada.
Recém-nascido foi encontrado pela manhã
O recém-nascido foi encontrado pouco depois das 7h30 de sexta-feira por uma cliente de uma borracharia próxima ao terreno, na Quadra 400 do Recanto das Emas.
A Polícia Militar chegou primeiro ao local e recebeu de moradores a informação sobre uma mulher grávida que vivia em um prédio próximo. As equipes localizaram a residência, e a própria suspeita atendeu à porta.
Aos policiais militares, ela relatou informalmente que havia tido sangramentos intensos na quinta-feira e, durante a madrugada, sentiu fortes cólicas. Segundo a versão apresentada por ela, ao urinar, sofreu um aborto espontâneo.
A mulher afirmou que, nervosa, colocou o corpo em um saco plástico, saiu de casa, caminhou cerca de 50 metros e deixou o bebê junto a entulhos. Ela negou ter provocado o incêndio.
Câmeras contradizem versão do companheiro
Na delegacia, o companheiro da mulher afirmou trabalhar em uma construção e apresentou versões diferentes sobre o caso. Primeiro, disse que não sabia da gestação. Depois, declarou que saiu para trabalhar e retornou para casa às 6h, quando a mulher já teria deixado o bebê no terreno.
A versão, no entanto, é confrontada pelas imagens de câmeras de segurança obtidas pela polícia. A investigação aguarda os laudos do IML e da perícia realizada na residência para esclarecer as circunstâncias do caso.

