domingo, setembro 27, 2026
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Memes, medo e desinformação – por que os Caps ainda enfrentam resistência no DF

A instalação de novos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) no Distrito Federal enfrenta resistência de moradores, em meio ao déficit de cobertura da rede de atendimento em saúde mental. Até 2027, cinco unidades estão previstas para Taguatinga, Ceilândia,.

O DF conta atualmente com 19 Caps. A previsão de novas unidades considera a baixa cobertura no Distrito Federal, de 0,54 unidade para cada 100 mil habitantes, e consta em recomendação do Ministério Público do Distrito Federal.

Nas regiões onde há mobilização contrária aos novos centros, moradores apresentam argumentos relacionados à preferência por espaços de lazer, impactos ambientais e segurança. A falta de conhecimento sobre o funcionamento da rede de saúde mental também aparece no debate.

Resistência às unidades

A subsecretária de Saúde Mental do DF, Fernanda Falcomer, afirma que as mobilizações contra a instalação dos Caps não são novas, mas ganharam volume nos últimos meses.

Memes publicados nas redes sociais também contribuem para a desinformação e para o estigma relacionado às unidades e às pessoas que procuram tratamento. Menções aos Caps cresceram em 2024, de acordo com dados do Google Trends.

O modelo de assistência em saúde mental previsto no Sistema Único de Saúde (SUS) estabelece que os Caps funcionem dentro das comunidades, inclusive as unidades que atendem 24 horas e recebem pacientes em crise. A proposta é favorecer a reabilitação e a vida em comunidade.

Fernanda Falcomer afirma que os terrenos utilizados já possuem previsão para receber equipamentos públicos e defende que a população compreenda a função social dos Caps e de outras estruturas de saúde mental.

Participação dos moradores

Em Taguatinga, moradores questionam a destinação de um terreno que, segundo eles, ficou abandonado pelo poder público durante anos e passou a ser cuidado pela própria comunidade.

O professor de arquitetura e urbanismo da Universidade de Brasília (UnB) Frederico Flósculo defende maior participação popular nas decisões sobre esses espaços e aponta a necessidade de audiências públicas.

Flósculo também critica a arquitetura dos Caps no Distrito Federal. Segundo ele, os muros ao redor das unidades contribuem para o isolamento dos serviços em relação à comunidade.

Para o professor, os projetos poderiam ampliar a integração com os bairros por meio de espaços de convivência, hortas comunitárias e áreas de lazer.

Estigma e saúde mental

O doutor em saúde pública e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Silvio Yasui afirma que a resistência aos Caps havia diminuído com ações de conscientização e com os resultados do atendimento nas unidades.

Segundo Yasui, nos últimos dez anos houve um revés na imagem dos centros, fenômeno que ele atribui a uma onda de conservadorismo. Para o especialista, a reforma psiquiátrica envolve, além das mudanças no atendimento, uma proposta de convivência social baseada em solidariedade e empatia.

Crédito da foto: Imagem ilustrativa gerada por IA