segunda-feira, agosto 31, 2026
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Mudanças climáticas – pesquisa mostra como o aquecimento global pode afetar o DF no futuro

O Distrito Federal cumpriu apenas três dos 15 pilares considerados essenciais para o enfrentamento às mudanças climáticas, de acordo com o Painel Clima Brasil, do Tribunal de Contas da União (TCU). O levantamento avalia como os estados e o DF estão se.

O diagnóstico mostra que o DF está abaixo dos estados em pelo menos um terço dos pilares analisados.

Entre as possíveis consequências para as próximas décadas estão o agravamento das ilhas de calor, o aumento de alagamentos, incêndios florestais e problemas de saúde associados à poluição, às chuvas e às altas temperaturas.

Regiões periféricas enfrentam maior vulnerabilidade

O coordenador do Laboratório de Climatologia Geográfica da Universidade de Brasília (UnB), Rafael Rodrigues Franca, afirma que os efeitos das mudanças climáticas devem ser mais evidentes nas regiões afastadas da área central.

Segundo o especialista, moradores de Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente e Samambaia poderão enfrentar mais dificuldades do que a população do Plano Piloto. Ele explica que essas regiões administrativas não foram planejadas com áreas verdes suficientes.

O indicador de justiça climática, que avalia as políticas ambientais destinadas às populações mais vulneráveis, recebeu uma das menores notas do DF. Assim como 40% das capitais, o Distrito Federal não possui um mapeamento das populações mais afetadas pelas mudanças do clima.

Falta de áreas verdes amplia riscos

A ausência de árvores, gramados e redes estruturadas de drenagem deixa as regiões de menor poder aquisitivo menos preparadas para temporais fortes, que podem se tornar mais intensos e frequentes com a crise climática.

Além de ajudarem na absorção da água das chuvas, as árvores contribuem para reduzir poluentes e temperaturas nas áreas urbanas. As ilhas de calor ocorrem quando locais com grande concentração de asfalto e concreto registram temperaturas superiores às de ambientes rurais.

Estiagem aumenta risco de incêndios

As mudanças climáticas também podem prolongar os períodos de seca e elevar o risco de incêndios florestais. Até julho deste ano, o Distrito Federal registrou 2.707 ocorrências de incêndio, conforme dados do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF).

A fumaça das queimadas favorece o aumento da poluição do ar. Os eventos extremos também elevam o risco de doenças relacionadas às chuvas, como a leptospirose, e de problemas provocados pelo calor intenso, como hipertermia e desidratação.

Calor pode favorecer transmissão da dengue

Rafael Franca alerta que temperaturas mais altas aceleram o desenvolvimento e o ciclo de reprodução do mosquito transmissor da dengue. Esse cenário pode aumentar a transmissão da doença e o número de casos, especialmente nas áreas urbanas.

Os índices mais elevados foram registrados no Varjão, em Sol Nascente/Pôr do Sol e em Santa Maria.

Legislação avança, mas orçamento é insuficiente

O Painel Clima Brasil foi elaborado em parceria com o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), responsável por auditar a governança, as políticas públicas e o financiamento das ações de enfrentamento às mudanças climáticas.

O auditor do TCDF Dashiell Velasque da Costa afirma que os pilares analisados são fundamentais para que as medidas sejam efetivamente implementadas.

O levantamento aponta que o Distrito Federal possui legislação avançada na área climática e incluiu no planejamento do governo ações destinadas a reduzir os efeitos do aquecimento global. A principal dificuldade, porém, é a falta de orçamento para executar as medidas.

A análise das Leis Orçamentárias Anuais de 2024 e 2025 não identificou ação orçamentária expressamente destinada à política de mudança do clima. Para Dashiell, o financiamento é uma das maiores fragilidades das políticas climáticas no país, especialmente na área do orçamento.

Mapeamento de riscos ainda é genérico

A auditoria também destacou a necessidade de aprimorar o mapeamento de riscos climáticos, utilizado para identificar áreas mais vulneráveis a eventos extremos, como enchentes e queimadas.

O diagnóstico atual do Distrito Federal foi considerado genérico por não relacionar medidas específicas a cada risco identificado. Também não apresenta prazos, responsáveis, recursos ou indicadores para acompanhar a execução das ações.

Crédito da foto: Imagem ilustrativa gerada por IA