Restrição a celulares nas escolas do DF melhora percepção de aprendizagem, diz pesquisa
Pesquisa da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEE-DF) aponta melhora na aprendizagem, na participação em sala e na convivência entre estudantes após a restrição ao uso de celulares nas escolas públicas. O levantamento foi realizado entre 25 de março.
A medida está ligada à Lei nº 15.100/2025, que regulamenta o uso de aparelhos eletrônicos portáteis nas instituições de educação básica.
Melhora percebida pelos professores
Entre os professores participantes, 85% disseram ter percebido melhora na aprendizagem dos estudantes desde a entrada em vigor da legislação.
Desse total, 45% apontaram contribuição significativa da medida para o desempenho escolar. Outros 40% relataram melhorias parciais, associadas ao aumento da atenção, do foco e da participação nas atividades pedagógicas.
Para a secretária de Educação do DF, Iêdes Braga, os dados mostram que a escola voltou a ocupar, ainda mais, seu papel como espaço de aprendizagem, convivência e desenvolvimento.
“O uso consciente da tecnologia continua sendo incentivado, mas dentro de uma perspectiva pedagógica. Ao reduzir as distrações em sala de aula, percebemos estudantes mais atentos, participativos e envolvidos com o processo de ensino e aprendizagem”, afirmou.
Participação em sala de aula
O levantamento também registrou reflexos no comportamento dos alunos. Entre os profissionais da educação consultados, 78,3% avaliaram positivamente as mudanças observadas após a implementação da lei.
Eles destacaram maior envolvimento nas atividades escolares, melhoria na socialização e fortalecimento da convivência nas unidades de ensino.
Outro ponto apontado pela pesquisa foi o engajamento em sala. Segundo o levantamento, 75,7% dos profissionais identificaram impactos positivos na participação dos estudantes após a redução das distrações provocadas pelos aparelhos eletrônicos.
Além disso, 32,3% perceberam melhora significativa na atenção dos alunos, com maior concentração durante as aulas e melhor aproveitamento das atividades propostas pelos professores.
Convivência entre estudantes
A pesquisa também aponta ganhos nas relações interpessoais dentro das escolas. Para 46,7% dos profissionais, a restrição ao uso dos celulares contribuiu significativamente para melhorar a convivência entre os estudantes.
Outros 36,3% relataram avanços parciais, com maior diálogo, fortalecimento dos vínculos e ampliação das interações presenciais nos momentos de convivência.
No Centro de Ensino Médio Asa Norte (Cean), o diretor Claudinei de Oliveira afirmou que a mudança foi percebida desde as primeiras semanas de implementação da medida.
“Os estudantes passaram a interagir mais entre si, os intervalos voltaram a ser espaços de convivência e, em sala de aula, os professores relatam maior atenção e participação”, disse.
Avaliação da comunidade escolar
Ao todo, o levantamento reuniu respostas de 1.888 estudantes, 1.665 familiares, 362 professores e 118 gestores escolares.
O objetivo foi avaliar os impactos da Lei nº 15.100/2025 no cotidiano das unidades escolares da rede pública do Distrito Federal.
Entre os profissionais da educação, 73,9% classificaram a implementação da legislação como eficiente ou muito eficiente.
Para apoiar as unidades de ensino, a SEE-DF desenvolveu o material *O Celular na Escola: Modo Aprendizagem*, com orientações sobre o uso responsável das tecnologias digitais e práticas pedagógicas alinhadas à legislação.
Os resultados indicam que a regulamentação do uso de celulares tem contribuído para reduzir distrações, ampliar a participação dos estudantes e fortalecer a convivência no ambiente escolar.
Crédito da foto: Felipe de Noronha / SEE-DF

