quinta-feira, abril 3, 2025
Desta semanaSaúde

Lei determina cuidados com a saúde mental no trabalho

Foto: Drazen Zigic/Freepik

Medida visa reduzir casos de doenças psicológicas desencadeadas no ambiente organizacional

A partir de 26 de maio, entra em vigor a Lei 14.311/2022 e a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que obrigam as empresas a adotarem medidas para garantir um ambiente de trabalho psicologicamente saudável. O avanço legislativo ocorre em um momento crítico, diante do crescimento expressivo de afastamentos por problemas psicológicos. Em 2024, o Ministério da Previdência Social registrou mais de 472 mil licenças médicas relacionadas à saúde mental, um aumento de 68% em relação a 2014. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) ressalta que, embora o trabalho possa contribuir positivamente para o bem-estar, ambientes com pressão excessiva, jornadas exaustivas e metas inalcançáveis podem comprometer a saúde mental dos colaboradores.

Para a psicóloga Rosemary Andriani, a construção de um ambiente saudável deve começar pela liderança, que precisa fomentar uma cultura organizacional voltada ao bem-estar dos funcionários. Segundo ela, a mudança exige um olhar atento aos aspectos físicos, emocionais e psicológicos dos trabalhadores. A especialista destaca que a adoção de políticas eficazes de saúde mental não só beneficia os colaboradores, mas também melhora o desempenho da empresa como um todo.

Entre as medidas essenciais recomendadas para a adequação à nova legislação, estão treinamentos sobre estresse e Burnout, criação de políticas institucionais de saúde mental e oferta de suporte especializado, como parcerias para atendimento psicológico. Além disso, empresas devem investir em um ambiente físico adequado, com iluminação e ventilação apropriadas, além de implementar práticas de gestão do estresse, como horários flexíveis e pausas regulares. O acompanhamento contínuo da saúde dos trabalhadores também é essencial para garantir que as iniciativas tenham impacto real.

Para organizações que desejam ir além das exigências mínimas, Andriani recomenda a criação de programas mais amplos, incluindo atividades de bem-estar, ginástica laboral, meditação e capacitação de gestores para lidar com questões emocionais dos funcionários. Essas práticas ajudam a fortalecer o engajamento, reduzir afastamentos e criar um ambiente organizacional mais saudável e produtivo.

Os benefícios da implementação dessas medidas são mútuos. Para as empresas, refletem-se na maior produtividade, redução do absenteísmo e menor rotatividade de funcionários. Já para os trabalhadores, a melhora no bem-estar emocional e no equilíbrio entre vida pessoal e profissional impacta diretamente sua autoestima e motivação. Segundo Andriani, mudanças iniciais já podem apresentar resultados positivos em poucos meses, enquanto a consolidação de uma cultura organizacional mais saudável ocorre a médio e longo prazo.