Enfermeiros denunciam sobrecarga no Hospital de Santa Maria, no DF – ‘Somos tirados do.
Enfermeiros do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), no Distrito Federal, denunciam sobrecarga de trabalho, acúmulo de funções e dificuldades para cumprir os horários de descanso. As principais reclamações envolvem o centro obstétrico da unidade,.
Os profissionais relatam equipes reduzidas, escalas consideradas arbitrárias e deslocamento de enfermeiros para setores fora de suas especialidades. Também há queixas sobre a falta de acompanhamento psicológico diante das condições de trabalho.
O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) identificou irregularidades no dimensionamento das equipes e situações de sobrecarga assistencial. Em setembro, o órgão se reuniu com representantes do Iges-DF e estabeleceu prazo de 90 dias para a apresentação de medidas de readequação.
Enfermeiros relatam acúmulo de funções no centro obstétrico
De acordo com os relatos, um único enfermeiro chega a ficar responsável por diferentes atividades durante o plantão, mesmo quando há pacientes em estado grave que precisam de acompanhamento contínuo.
Além da classificação de risco, os profissionais afirmam que precisam realizar admissões, transferências, exames de cardiotocografia e atendimentos relacionados a partos que ocorrem na triagem. Também precisam substituir colegas durante os períodos de descanso.
A cardiotocografia é um exame que monitora os batimentos cardíacos do bebê e as contrações uterinas, utilizado na avaliação da gestação e do trabalho de parto.
Em mensagens compartilhadas durante os plantões, profissionais relatam dificuldades para atender à demanda de pacientes e realizar todos os procedimentos necessários.
Profissionais denunciam interrupções no horário de almoço
A rotina de trabalho no centro cirúrgico também é alvo de reclamações. Uma enfermeira afirma que a unidade já registrou 14 cirurgias em um único dia, com número reduzido de profissionais para acompanhar os procedimentos.
Segundo ela, a sequência de atendimentos dificulta até mesmo as pausas para alimentação e descanso.
“Às vezes, dá tempo de sentar dois minutos e já tem outra. Somos tirados do almoço para entrar em cirurgia”, relatou a profissional.
Os trabalhadores também apontam que a falta de vagas para internação contribui para a sobrecarga das equipes e interfere na rotina de atendimento.
Escalas de trabalho e atendimento a recém-nascidos geram reclamações
Outra preocupação envolve a designação de enfermeiros sem especialização em neonatologia para acompanhar recém-nascidos em estado grave.
Profissionais afirmam que enfermeiros obstétricos são deslocados para essas atividades mesmo com a existência de especialistas na unidade.
Há relatos de mudanças de setor consideradas arbitrárias e de possíveis retaliações após as denúncias sobre as condições de trabalho. Essas alegações são apresentadas pelos trabalhadores e não representam conclusões de órgãos de fiscalização.
Sindicato identifica superlotação e riscos no hospital
O Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal (SindEnf-DF) também realizou uma visita ao Hospital Regional de Santa Maria e denunciou superlotação e sobrecarga assistencial.
Durante a visita, a entidade identificou crianças recebendo cuidados intensivos em espaços improvisados enquanto aguardavam transferência para unidades de referência.
Para o sindicato, a situação demonstra limitações na estrutura disponível para atender à demanda e representa riscos à segurança dos pacientes e dos trabalhadores.
A entidade informou que pretende encaminhar representações ao Ministério Público e à Comissão de Saúde da Câmara Legislativa do Distrito Federal para solicitar providências.
Equipes também reclamam da falta de apoio psicológico
Além das dificuldades operacionais, profissionais relatam desgaste emocional relacionado à rotina hospitalar e à ausência de acompanhamento psicológico adequado.
Uma das enfermeiras mencionou o impacto causado na equipe após a prisão, em março, de uma técnica de enfermagem suspeita de tentar levar um recém-nascido da unidade.
Segundo a profissional, os colegas ficaram abalados com o episódio e não receberam acompanhamento psicológico ou psiquiátrico. Ela também relatou preocupações anteriores com as condições emocionais da trabalhadora envolvida.
As declarações representam relatos das profissionais e não estabelecem as circunstâncias ou as causas do episódio investigado.
Coren-DF cobra readequação das equipes
O Coren-DF confirmou que encontrou irregularidades no dimensionamento das equipes de enfermagem e situações de sobrecarga durante uma fiscalização no hospital.
Em reunião realizada em setembro, o conselho estabeleceu prazo de 90 dias para que o Iges-DF apresente medidas destinadas à readequação das condições de trabalho.
O órgão também confirmou a realização de tratativas com o instituto sobre os problemas identificados na unidade.
Iges-DF informa medidas para contratação de profissionais
O Iges-DF informou que acompanha continuamente o dimensionamento das equipes e os fluxos de atendimento do Hospital Regional de Santa Maria.
O instituto afirmou que adota medidas de acordo com a demanda dos diferentes setores assistenciais, incluindo ações para contratação e reposição de profissionais.
A administração também confirmou que mantém reuniões com o Coren-DF para tratar das condições de trabalho.
Até as informações disponíveis na reportagem, não havia confirmação de uma solução definitiva para as irregularidades apontadas pelos profissionais e pelos órgãos de fiscalização.
Crédito da foto: Reprodução/Agência Brasília

