sábado, outubro 31, 2026
Desta semanaJustiça

Enfermeiros denunciam sobrecarga no Hospital de Santa Maria, no DF – ‘Somos tirados do.

Enfermeiros do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), no Distrito Federal, denunciam sobrecarga de trabalho, acúmulo de funções e dificuldades para cumprir os horários de descanso. As principais reclamações envolvem o centro obstétrico da unidade,.

Os profissionais relatam equipes reduzidas, escalas consideradas arbitrárias e deslocamento de enfermeiros para setores fora de suas especialidades. Também há queixas sobre a falta de acompanhamento psicológico diante das condições de trabalho.

O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) identificou irregularidades no dimensionamento das equipes e situações de sobrecarga assistencial. Em setembro, o órgão se reuniu com representantes do Iges-DF e estabeleceu prazo de 90 dias para a apresentação de medidas de readequação.

Enfermeiros relatam acúmulo de funções no centro obstétrico

De acordo com os relatos, um único enfermeiro chega a ficar responsável por diferentes atividades durante o plantão, mesmo quando há pacientes em estado grave que precisam de acompanhamento contínuo.

Além da classificação de risco, os profissionais afirmam que precisam realizar admissões, transferências, exames de cardiotocografia e atendimentos relacionados a partos que ocorrem na triagem. Também precisam substituir colegas durante os períodos de descanso.

A cardiotocografia é um exame que monitora os batimentos cardíacos do bebê e as contrações uterinas, utilizado na avaliação da gestação e do trabalho de parto.

Em mensagens compartilhadas durante os plantões, profissionais relatam dificuldades para atender à demanda de pacientes e realizar todos os procedimentos necessários.

Profissionais denunciam interrupções no horário de almoço

A rotina de trabalho no centro cirúrgico também é alvo de reclamações. Uma enfermeira afirma que a unidade já registrou 14 cirurgias em um único dia, com número reduzido de profissionais para acompanhar os procedimentos.

Segundo ela, a sequência de atendimentos dificulta até mesmo as pausas para alimentação e descanso.

“Às vezes, dá tempo de sentar dois minutos e já tem outra. Somos tirados do almoço para entrar em cirurgia”, relatou a profissional.

Os trabalhadores também apontam que a falta de vagas para internação contribui para a sobrecarga das equipes e interfere na rotina de atendimento.

Escalas de trabalho e atendimento a recém-nascidos geram reclamações

Outra preocupação envolve a designação de enfermeiros sem especialização em neonatologia para acompanhar recém-nascidos em estado grave.

Profissionais afirmam que enfermeiros obstétricos são deslocados para essas atividades mesmo com a existência de especialistas na unidade.

Há relatos de mudanças de setor consideradas arbitrárias e de possíveis retaliações após as denúncias sobre as condições de trabalho. Essas alegações são apresentadas pelos trabalhadores e não representam conclusões de órgãos de fiscalização.

Sindicato identifica superlotação e riscos no hospital

O Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal (SindEnf-DF) também realizou uma visita ao Hospital Regional de Santa Maria e denunciou superlotação e sobrecarga assistencial.

Durante a visita, a entidade identificou crianças recebendo cuidados intensivos em espaços improvisados enquanto aguardavam transferência para unidades de referência.

Para o sindicato, a situação demonstra limitações na estrutura disponível para atender à demanda e representa riscos à segurança dos pacientes e dos trabalhadores.

A entidade informou que pretende encaminhar representações ao Ministério Público e à Comissão de Saúde da Câmara Legislativa do Distrito Federal para solicitar providências.

Equipes também reclamam da falta de apoio psicológico

Além das dificuldades operacionais, profissionais relatam desgaste emocional relacionado à rotina hospitalar e à ausência de acompanhamento psicológico adequado.

Uma das enfermeiras mencionou o impacto causado na equipe após a prisão, em março, de uma técnica de enfermagem suspeita de tentar levar um recém-nascido da unidade.

Segundo a profissional, os colegas ficaram abalados com o episódio e não receberam acompanhamento psicológico ou psiquiátrico. Ela também relatou preocupações anteriores com as condições emocionais da trabalhadora envolvida.

As declarações representam relatos das profissionais e não estabelecem as circunstâncias ou as causas do episódio investigado.

Coren-DF cobra readequação das equipes

O Coren-DF confirmou que encontrou irregularidades no dimensionamento das equipes de enfermagem e situações de sobrecarga durante uma fiscalização no hospital.

Em reunião realizada em setembro, o conselho estabeleceu prazo de 90 dias para que o Iges-DF apresente medidas destinadas à readequação das condições de trabalho.

O órgão também confirmou a realização de tratativas com o instituto sobre os problemas identificados na unidade.

Iges-DF informa medidas para contratação de profissionais

O Iges-DF informou que acompanha continuamente o dimensionamento das equipes e os fluxos de atendimento do Hospital Regional de Santa Maria.

O instituto afirmou que adota medidas de acordo com a demanda dos diferentes setores assistenciais, incluindo ações para contratação e reposição de profissionais.

A administração também confirmou que mantém reuniões com o Coren-DF para tratar das condições de trabalho.

Até as informações disponíveis na reportagem, não havia confirmação de uma solução definitiva para as irregularidades apontadas pelos profissionais e pelos órgãos de fiscalização.

Crédito da foto: Reprodução/Agência Brasília