segunda-feira, maio 18, 2026
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Maioria das denúncias de crimes sexuais e maus-tratos envolvem menores

Mais da metade das denúncias de crimes sexuais e maus-tratos registradas no Distrito Federal em 2025 envolveu vítimas menores de 18 anos, segundo levantamento do Núcleo de Enfrentamento à Violência e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes.

Crimes em números

Violência sexual e maus-tratos foram os tipos mais recorrentes entre menores: foram 584 denúncias de estupro de vulnerável, 216 por maus-tratos e 83 por importunação sexual em 2025. Esses números mostram a predominância de crimes que atingem crianças e adolescentes no conjunto das denúncias oferecidas à Justiça.

Mapeamento das regiões

As maiores concentrações de casos no DF ocorreram em Ceilândia (293), Brasília (237), Planaltina (134), Samambaia (132), Taguatinga (122) e Sobradinho (117), segundo o levantamento do MPDFT. Essas áreas concentram parte relevante da demanda por investigação e atendimento às vítimas.

Em 2025 foram instaurados 3.671 inquéritos policiais e termos circunstanciados relacionados a crimes sexuais e maus-tratos, 1.707 desses procedimentos (46,5%) envolviam crianças e adolescentes.

No recorte por tipos para menores, o relatório aponta maus-tratos (793), estupro de vulnerável (691), importunação sexual (97) e estupro (63).

Meninas são maioria

Dados da Subsecretaria de Vigilância à Saúde do DF citados no relatório indicam que, no terceiro quadrimestre de 2025, 54,40% das notificações de violência sexual atingiram meninas e adolescentes, e que o padrão se manteve nos primeiros meses de 2026, com cerca de 40% dos registros envolvendo meninas menores de 19 anos.

As faixas etárias de 10 a 19 anos concentram a maior parte das notificações.

O MPDFT afirma que tem fortalecido redes de proteção, capacitação de profissionais da linha de frente e iniciativas de acolhimento. Promotoras do Nevesca ressaltam a necessidade de políticas públicas com perspectiva de gênero e canais seguros de denúncia.

“O trabalho do MPDFT tem sido fortalecer e impulsionar as redes de proteção como importante estratégia para promover o acolhimento das vítimas e a prevenção de novas violências”, disse a promotora Liz-Elainne Mendes.

O relatório e os números reforçam que o enfrentamento exige atuação integrada entre instituições públicas, rede de saúde, educação, conselhos tutelares e sociedade civil.

Crédito da foto: Imagem ilustrativa gerada por IA

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