Entenda como funciona o Hospital de Base, um gigante da saúde pública do DF
O Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) completa 66 anos como referência em atendimentos de alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Inaugurada em 12 de setembro de 1960, a unidade recebe pacientes encaminhados de diferentes regiões do.
O hospital realiza atendimentos de urgência, consultas ambulatoriais, cirurgias complexas, transplantes, tratamentos oncológicos e cuidados intensivos. Cerca de 1,7 mil pessoas circulam diariamente pela unidade, que conta com 5.455 colaboradores, 789 leitos e mais de 40 especialidades.
A estrutura reúne pronto-socorro, ambulatório, unidades de internação e terapia intensiva, centro cirúrgico, serviços de diagnóstico e tratamento e assistência multiprofissional.
Consultas seguem fluxo de regulação
Apesar da diversidade de serviços, o Hospital de Base não deve ser procurado diretamente por qualquer pessoa com um problema de saúde. No ambulatório, as consultas e os procedimentos são agendados conforme os fluxos de regulação da rede pública.
O setor possui 122 salas assistenciais, distribuídas em 28 especialidades médicas e não médicas, com capacidade operacional de aproximadamente 1,6 mil agendamentos por dia.
Entre as especialidades oferecidas estão cardiologia, cirurgia cardiovascular, cirurgia oncológica, neurocirurgia, neurologia, oncologia, ortopedia, nefrologia, hematologia, oftalmologia, pneumologia, urologia, gastroenterologia, endocrinologia, infectologia, mastologia, psiquiatria e reumatologia.
A assistência ambulatorial também inclui serviços de enfermagem, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição, psicologia, serviço social e terapia ocupacional.
Pronto-socorro atende casos mais graves
O pronto-socorro do Hospital de Base é voltado a situações de maior gravidade, especialmente nas áreas de trauma, cardiologia, neurologia, neurocirurgia, oftalmologia, cirurgia vascular, otorrinolaringologia e oncologia.
A unidade também recebe pacientes com complicações relacionadas aos tratamentos de quimioterapia e radioterapia. O setor dispõe de 115 leitos e recursos especializados para atender casos compatíveis com o perfil assistencial do hospital.
Parte dos pacientes chega encaminhada por outras unidades da rede. Quem necessita de atendimento de menor complexidade deve procurar inicialmente uma Unidade Básica de Saúde (UBS), uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou um hospital regional, conforme a situação.
O diretor de Atenção à Saúde do instituto que administra o hospital, Edson Gonçalves, explica que a definição correta da unidade de atendimento ajuda a direcionar cada paciente ao serviço mais adequado.
“O Hospital de Base tem um papel muito específico dentro da rede pública: receber e cuidar de pacientes que precisam de atendimento de maior complexidade. São pessoas que necessitam de equipes especializadas, exames, procedimentos ou tratamentos que exigem uma estrutura hospitalar preparada para casos mais graves.
Por isso, o paciente não precisa escolher o Base por conta própria. Na maioria das situações, ele chega ao hospital encaminhado pela própria rede de saúde, de acordo com a necessidade de cada caso”, afirma.
Estrutura para diagnóstico e tratamento
O funcionamento integrado permite que hospitais e outras unidades do SUS atuem de maneira complementar. Enquanto os demais pontos da rede recebem casos que podem ser solucionados nesses níveis, o Hospital de Base concentra recursos e equipes destinados às situações de maior gravidade.
Entre os atendimentos realizados estão politraumas, emergências cardiovasculares, neurocirurgia, cirurgia cardiovascular, assistência onco-hematológica e transplantes.
A unidade também oferece hemodinâmica, medicina nuclear, radioterapia, quimioterapia, endoscopia digestiva e respiratória, anatomia patológica, laboratório clínico, diagnóstico por imagem, métodos gráficos e eletrofisiologia.
A concentração dos serviços permite que diferentes etapas da investigação e do tratamento sejam realizadas no próprio hospital.
Pacientes de outros estados
A complexidade dos serviços faz com que o Hospital de Base também receba pessoas encaminhadas de outros estados para tratamentos que não estão disponíveis em todos os hospitais públicos.
Uma dessas pacientes é Maria de Fátima Ramos Pereira, de 25 anos, moradora de Caldas Novas, em Goiás. Desde criança, ela enfrentava dificuldades provocadas pelo pé torto congênito e não havia conseguido o cuidado necessário para corrigir a condição.
No Hospital de Base, Maria de Fátima conseguiu caminhar com os pés alinhados pela primeira vez. “Eu nunca consegui usar um sapato comum e passei por muitos traumas. Cheguei a me preparar para uma cirurgia, mas ela não aconteceu porque o médico da época considerou o método muito invasivo”, relembra.
Ela conheceu o trabalho do ortopedista do HBDF Davi Haje por meio de uma reportagem exibida no programa Fantástico, que apresentou os resultados da técnica utilizada na unidade. Em 2026, Maria de Fátima realizou o procedimento no hospital.
De acordo com o médico, o pé torto congênito é uma alteração na qual o pé fica voltado para dentro. Quando não recebe tratamento, a condição pode fazer com que o paciente apoie o peso do corpo sobre o dorso do pé. A alteração tem origem multifatorial e importante componente genético.
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