quinta-feira, outubro 29, 2026
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Fingindo demência’ – diretora do BRB alertou para R$ 1,1 bilhão em créditos atrasados, diz.

A ex-diretora executiva de Controle e Riscos do Banco de Brasília (BRB), Luana de Andrade Ribeiro, alertou a cúpula da instituição sobre R$ 1,1 bilhão em créditos atrasados em carteiras compradas do Banco Master. A informação consta de um relatório da Polícia.

De acordo com a investigação, os créditos apresentavam atrasos superiores a 15 dias. Além disso, a área de Riscos do BRB não havia recebido as averbações dos contratos, documentos necessários para confirmar a natureza consignável das operações. Apesar das irregularidades identificadas, as transações foram confirmadas.

Luana está entre os 15 investigados indiciados pela Polícia Federal no inquérito que apura suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master e o BRB.

Mensagens revelam alertas sobre operações do BRB

Em mensagem enviada em 12 de fevereiro de 2025 ao então diretor executivo de Finanças e Controladoria do BRB, Dário Oswaldo Garcia Júnior, Luana afirmou que realizava a análise dos créditos *na confiança*.

Na mesma conversa, a ex-diretora classificou a operação como uma *colcha de retalhos*, diante da dificuldade de reunir todas as condições necessárias em um único parecer.

A investigação também aponta que Luana enfrentava pressão hierárquica para concluir o trabalho. Em uma das mensagens analisadas pela PF, ela escreveu: “Tô fingindo demência com o chefe. Pra ele parar de brigar”.

Mesmo diante dos problemas relacionados à documentação, Luana informou a aprovação do parecer. Segundo a Polícia Federal, a ex-diretora também assinou documentos que apontavam a deterioração da liquidez do BRB e, posteriormente, votou a favor de novas operações envolvendo carteiras de crédito.

Dário Oswaldo Garcia Júnior também está entre os indiciados pela PF.

Problemas nas carteiras de crédito já haviam sido identificados em 2024

Os alertas sobre os créditos adquiridos do Banco Master começaram antes da comunicação sobre os R$ 1,1 bilhão em atrasos.

Em 2024, integrantes da diretoria do BRB foram informados sobre falhas em operações envolvendo carteiras de crédito do Master. Na ocasião, um gerente apontou que aproximadamente 90% da carteira recebida apresentava problemas ou não atendia aos critérios exigidos pelo Banco de Brasília.

Apesar das falhas identificadas, as operações entre as duas instituições financeiras foram efetivadas.

Polícia Federal indicia 15 pessoas no caso Master e BRB

A Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal, nesta quarta-feira (28), um relatório parcial com mais de 700 páginas sobre as investigações envolvendo os dois bancos.

O documento apresenta o indiciamento de 15 pessoas suspeitas de participação nas irregularidades investigadas, incluindo ex-dirigentes do Banco Master, antigos gestores do BRB e empresários ligados à empresa Tirreno.

Entre os indiciados estão Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master; Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB; e Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.

Segundo a PF, Vorcaro e Paulo Henrique integravam o núcleo estratégico de uma organização criminosa investigada por tentar viabilizar a compra do Banco Master pelo BRB entre 2024 e 2025.

Os investigadores atribuem a Vorcaro a liderança do grupo e a centralização de decisões relacionadas à produção, aquisição e transferência de carteiras de crédito utilizadas na captação de recursos.

As conclusões fazem parte da investigação policial e não representam condenação judicial.

BRB enfrenta crise após operações com o Banco Master

O Banco de Brasília, que tem o Governo do Distrito Federal como acionista majoritário, enfrenta uma crise financeira relacionada a operações realizadas com o extinto Banco Master.

O BRB tentou adquirir o Master e chegou a injetar R$ 16,7 bilhões na instituição controlada por Daniel Vorcaro. A compra acabou barrada pelo Banco Central.

Posteriormente, o BRB identificou que parte das carteiras de crédito adquiridas apresentava fraudes e não possuía lastro.

Daniel Vorcaro, Paulo Henrique Costa e Augusto Lima foram alvos de diferentes fases da Operação Compliance Zero, que investiga os negócios do Banco Master. Os três estão presos, conforme as informações apresentadas na investigação.

Confira os 15 indiciados pela Polícia Federal

O relatório inclui os seguintes investigados:

Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master; Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB; Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro no Banco Master; Angelo Antônio Ribeiro da Silva, ex-diretor do Master; Luiz Antônio Bull, ex-diretor do Master; Alberto Félix de Oliveira Neto, ex-diretor do Master; Allan da Silva Machado, ex-procurador do Master; Henrique Souza e Silva Peretto, sócio da Tirreno; André Felipe de Oliveira Seixas Maia, sócio da Tirreno; Daniel Lopes Monteiro, ex-advogado do Master; Dário Oswaldo Garcia Júnior, ex-diretor de Finanças e Controladoria do BRB; Luana de Andrade Ribeiro, ex-diretora executiva de Controle e Riscos do BRB; Cristiane Maria Lima Bukowitz, ex-diretora executiva de Gestão de Pessoas do BRB; Diogo Ilário de Araújo Oliveira, ex-diretor executivo de Atacado e Governo do BRB; José Maria Correa Dias Júnior, ex-diretor executivo de Tecnologia do BRB.

A empresa Tirreno é apontada pela Polícia Federal como uma estrutura de fachada utilizada no esquema investigado.

Polícia Federal pede mais 60 dias para concluir investigação

Além dos indiciamentos, a Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal a prorrogação das investigações por mais 60 dias.

O prazo adicional seria utilizado para dar continuidade às apurações, concluir perícias pendentes e apresentar um relatório complementar.

O pedido será analisado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF.

As defesas de Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa contestaram a fundamentação dos indiciamentos. As manifestações integrais dos advogados não constam do material disponibilizado.

Crédito da foto: Joédson Alves/Agência Brasil