Mais votado no DF, Fábio Felix não conseguiu ‘puxar’ nenhum colega do PSOL para a Câmara.
Fábio Felix (PSOL) foi o deputado federal mais votado no Distrito Federal nas eleições de 2026, com 224.224 votos, mas a votação não foi suficiente para eleger outro nome da federação PSOL-Rede para a Câmara dos Deputados.
A principal razão foi o desempenho individual dos demais candidatos do grupo. Para conquistar uma vaga pelo cálculo proporcional no DF, era necessário atingir ao menos 20.738 votos próprios, equivalente a 10% do quociente eleitoral.
A segunda candidatura mais votada da federação PSOL-Rede foi a da Enfermeira Karine (PSOL), com 4.366 votos, abaixo do mínimo exigido.
Fábio Felix teve a terceira maior votação da história do Distrito Federal para deputado federal e recebeu mais de 90% dos votos destinados às candidaturas da federação PSOL-Rede à Câmara na capital.
Como funciona o quociente eleitoral
O Distrito Federal elege oito deputados federais. Em 2026, foram registrados 1.659.057 votos válidos para a Câmara. Dividido pelas oito vagas, o total resultou em um quociente eleitoral de 207.382 votos.
O número de cadeiras obtidas por cada partido ou federação depende da votação total da legenda e do desempenho individual dos candidatos.
Depois da divisão inicial das vagas, cada candidato precisa alcançar pelo menos 10% do quociente eleitoral para assumir uma cadeira. No DF, esse piso foi de 20.738 votos.
Como nem sempre todas as vagas são preenchidas na primeira etapa, a Justiça Eleitoral também faz a distribuição das chamadas sobras eleitorais, levando em conta a votação dos partidos e federações e as médias obtidas no cálculo.
PSOL-Rede perdeu chance de ampliar bancada
A federação PSOL-Rede recebeu 239.437 votos no Distrito Federal. O total seria suficiente para disputar uma vaga adicional na distribuição das sobras, mas nenhum candidato além de Fábio Felix alcançou a votação individual mínima exigida.
Com isso, a federação ficou com apenas uma cadeira na bancada do DF na Câmara dos Deputados.
Situação semelhante ocorreu com o MDB. Rafael Prudente foi o segundo candidato mais votado no Distrito Federal, com 119.427 votos, mas será o único representante do partido na bancada federal do DF. O MDB recebeu 214.223 votos no total.
PL elegeu três deputados
O PL somou 448.883 votos no Distrito Federal e conquistou três vagas na Câmara dos Deputados.
Alberto Fraga, terceiro candidato mais votado, recebeu 118.579 votos. Izalci Lucas teve 88.056 votos e garantiu uma cadeira pelo resultado acumulado do partido, de acordo com o sistema eleitoral.
Izalci teve a quinta maior votação entre os candidatos do Distrito Federal, mas sua eleição dependeu do desempenho conjunto da legenda.
Federação de PT, PV e PCdoB conquistou duas vagas
A federação formada por PT, PV e PCdoB recebeu 237.155 votos e garantiu duas cadeiras.
Agnelo Queiroz (PT) foi eleito com 43.542 votos. Reginaldo Veras (PV) foi reeleito com 43.179 votos.
No caso de Reginaldo Veras, a eleição também foi favorecida pela soma dos votos recebidos pelas demais candidaturas da federação e pela distribuição das sobras.
Concentração de votos também afetou outros estados
Em São Paulo, Erika Hilton (PSOL) recebeu 1,5 milhão de votos e foi a segunda candidata mais votada. O PSOL conquistou seis cadeiras, mas também encontrou limite na exigência de votação individual mínima para os demais candidatos.
Naquele estado, a federação PT-PV-PCdoB teve quase 200 mil votos a menos que a PSOL-Rede, mas conseguiu preencher 11 cadeiras porque mais candidatos atingiram a votação própria mínima.
Em Minas Gerais, o PL teve resultado diferente. O partido conseguiu eleger 21 deputados federais após Nikolas Ferreira receber mais de 3 milhões de votos. Entre os 16 deputados eleitos com menor votação no estado, 15 eram do PL.
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