quinta-feira, agosto 20, 2026
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Morre a jornalista Zenaide Azeredo aos 77 anos

Morreu, na segunda-feira (17/8), aos 77 anos, a jornalista Zenaide Azeredo. Segundo a família, ela teve complicações de saúde após uma queda que resultou na fratura do fêmur e estava internada em um hospital no Lago Sul, em Brasília.

A morte foi divulgada na quarta-feira (19/8) pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) e confirmada pela família. A entidade lamentou a perda e destacou a trajetória da jornalista, que atuou por mais de quatro décadas na profissão.

Zenaide foi referência na cobertura da área militar, de povos indígenas e da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Ela também integrou o grupo Brasília-Mulher, que ajudou na criação do Ministério das Mulheres.

Em manifestação sobre a morte, o SJPDF ressaltou o legado profissional deixado pela jornalista, marcado pelo jornalismo ético, preciso e pelo respeito à história do país, além de prestar solidariedade a familiares, amigos e colegas.

Mais de quatro décadas de jornalismo

Ao longo da carreira, Zenaide trabalhou no Jornal do Brasil, O Globo, O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e Jornal de Brasília.

Ela foi a primeira assessora de imprensa do então recém-criado Ministério da Defesa, durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Também integrou a comunicação da Secretaria de Previdência Complementar nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

A cremação está marcada para esta quinta-feira (20/8). A família informou que não haverá velório. A missa de sétimo dia será realizada no domingo (23/8), ao meio-dia, na Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no Lago Sul.

Pioneirismo na cobertura militar

Nascida em Morrinhos, em Goiás, em 1949, Zenaide chegou a Brasília ainda jovem, em 1966. Na capital federal, estudou e iniciou a trajetória no jornalismo. De acordo com a irmã, Norma Guimarães Azeredo, de 82 anos, a jornalista também estagiou no Correio Braziliense no fim dos anos 1960 ou no início dos anos 1970.

Foi na cobertura militar que Zenaide construiu uma parte importante da carreira. Em uma época em que poucas mulheres atuavam na área, tornou-se respeitada por colegas e por integrantes das Forças Armadas.

Norma destacou a coragem da irmã para trabalhar em um ambiente predominantemente masculino e afirmou que Zenaide mantinha uma postura séria e direta, característica que contribuiu para que conquistasse espaço profissional.

A jornalista Tânia Monteiro, de 69 anos, amiga próxima e colega de trabalho de Zenaide, também destacou a coragem da profissional ao questionar integrantes das Forças Armadas.

Entre as coberturas feitas pelas duas está um episódio durante as manifestações pelas Diretas Já. Elas acompanharam, a pé, na Esplanada dos Ministérios, o então comandante militar do Planalto, general Newton Cruz, enquanto ele tentava dispersar manifestantes que defendiam eleições diretas para presidente.

Ao longo da carreira, Zenaide recebeu honrarias concedidas pelo Exército e foi indicada ao Prêmio Esso de Jornalismo.

Compromisso com a profissão e a família

Para a filha, a advogada Fernanda Azeredo, de 38 anos, o reconhecimento profissional da mãe foi resultado da forma como ela encarava o jornalismo, com compromisso com a informação, a educação, a verdade e a responsabilidade.

Mãe de três filhos, Zenaide acompanhou a criação deles até a conclusão dos estudos universitários. Fora da rotina profissional, gostava de nadar, frequentar a igreja, estudar teologia, visitar Morrinhos e passar tempo com os netos e outros familiares.

Segundo a irmã, Zenaide conciliava diferentes dimensões da vida. Era jornalista reconhecida, mãe, católica praticante e feminista convicta.

Além do jornalismo, também se dedicou à pesquisa. Estudou na França e fez mestrado sobre a Usina de Itaipu, com tema relacionado à geopolítica. De volta ao Brasil, aprofundou os estudos em História do Brasil.

Interesse pela história política do país

Durante a juventude, Zenaide teve proximidade com movimentos estudantis e políticos. Segundo a irmã, era amiga de Honestino Guimarães e de Paulo de Tarso Celestino da Silva e manteve, ao longo da vida, interesse por temas ligados à memória e à história política do país.

Zenaide deixa três filhos, além de netos, irmãos e sobrinhos, e uma trajetória profissional marcada também pela abertura de espaço para mulheres em áreas desafiadoras do jornalismo brasileiro.