quarta-feira, abril 2, 2025
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Não é sobre roupa: a verdade sobre a violência sexual

Fotos: Divulgação/PCDF

Exposição apresenta roupas inspiradas em casos reais de crimes atendidos pela PCDF 

Por diversas vezes, é possível ouvir comentários como: “veste esse tipo de roupa e depois reclama de ser violentada”. Mas a verdade é que os crimes contra a dignidade sexual feminina estão diretamente ligados a sensação de domínio, desrespeito e controle exercidos pelo criminoso.

Dados da Secretaria de Segurança Pública do DF apontam que ao contrário do imaginário popular, a maior parte dos casos de violência sexual conta meninas e mulheres acontece dentro de casa. Em 2024, dos 319 casos registrados, 157 foram praticados no interior de residências, um percentual de 49%. Enquanto 59 crimes (18%)foram praticados em locais ermos ou vias públicas.

No sentido de ampliar a divulgação dessa realidade e desmistificar a relação entre vestimentas e crimes sexuais, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) promove a exposição “Não é sobre o que vestimos”. A mostra ficará disponível até o dia 31 de março, nos corredores do Departamento de Polícia Especializada (DPE), das 9h às 18h, de segunda a sexta-feira.

A abertura da exposição ocorreu na quarta-feira (12), durante solenidade no auditório do DPE. Estiveram presentes diversas autoridades convidadas, entre elas o delegado-geral da PCDF, José Werick de Carvalho, que destacou a importância da realização da exposição no combate aos crimes contra a mulher. “É preciso falar sobre a violência contra a mulher. Essa modalidade de crime destrói a pessoa e os familiares”, afirmou odelegado-geral.

A diretora do DPE, Ana Carolina Litran, explicou que a exposição mostra 15 casos reais registrados no DF. “Não existe um padrão, basta ser mulher para ser vítima. E nenhuma roupa justifica um ato de violência. A culpa será sempre de quem comete o crime”, ressaltou Ana Carolina.

De acordo com a PCDF, o objetivo da exposição é desmistificar a ideia equivocada de que a vestimenta da vítima justifica esse tipo de crime, reforçando que a violência sexual decorre de abuso de poder, controle e desrespeito.

Além de sensibilizar a sociedade sobre a gravidade do tema, a exposição também busca incentivar denúncias e divulgar os serviços de apoio às vítimas, contribuindo para o rompimento do ciclo de impunidade.