Oficina de miçangas leva criatividade e convivência à psiquiatria do Hospital de Base
Pacientes internados na ala de psiquiatria do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) participam, todas as terças-feiras, de uma oficina de miçangas que promove criatividade, interação e convivência durante o tratamento. Realizada há quatro anos, a.
A iniciativa é coordenada pela presidente do Serviço Auxiliar Voluntário (SAV), Vandelícia Dias, que percorre os quartos convidando os pacientes a participar. Durante os encontros, eles escolhem cores, combinam formatos e produzem pulseiras, colares e outros acessórios.
Alguns pacientes preferem observar antes de começar. Outros já conhecem a oficina e aproveitam o encontro para continuar trabalhos iniciados nas semanas anteriores. As peças confeccionadas podem ser usadas pelos próprios participantes ou oferecidas como presentes a colegas e profissionais de saúde.
Atividade estimula concentração e convivência
Além de incentivar a interação, a oficina exige atenção, planejamento e criatividade. Os participantes precisam escolher as miçangas, organizar as cores e definir como será o acessório antes de concluir a produção.
“Parece uma coisa boba, mas, com isso, eles precisam pensar, planejar as cores que vão usar, como vai ser o desenho final; eles colocam a mente para trabalhar e, enquanto fazem isso, não pensam na doença que estão enfrentando”, explica Vandelícia.
O chefe do Serviço de Enfermagem da Psiquiatria do Hospital de Base, Edinan Oliveira Neto, destaca que o principal objetivo da iniciativa é proporcionar momentos de convivência durante a internação.
“O objetivo aqui não é fazer pulseiras, é interagir com os colegas, conversar, ouvir uma música, compartilhar esse momento”, afirma.
Segundo o profissional, a atividade oferece uma alternativa à rotina dos pacientes. “Eles estão se ocupando, é diferente de apenas estar no leito recebendo medicações”, acrescenta.
Produção de presentes fortalece vínculos
Uma das estratégias utilizadas pela voluntária para incentivar a participação é sugerir que os acessórios sejam confeccionados para presentear outras pessoas, especialmente quando o paciente demonstra pouco interesse em produzir algo para uso próprio.
“Quando alguém diz que não quer participar porque não usa, eu sempre sugiro fazer algo para dar para a médica que cuida dele, para o enfermeiro que administra o remédio. Eles começam a trocar entre si, e isso vira um momento de conexão, de mostrar gratidão e de estreitar laços”, relata Vandelícia.
Entre os participantes está Carla, nome fictício de uma paciente que escolheu miçangas amarelas de diferentes formatos para produzir uma pulseira de presente. Para ela, a oficina representa uma oportunidade de se concentrar em uma atividade diferente da rotina de internação.
“Eu achei essa atividade bem legal. É um momento em que a gente fica concentrado e não pensa em mais nada”, conta.
Hospital de Base oferece outras atividades aos pacientes
A oficina de miçangas integra um conjunto de atividades desenvolvidas na psiquiatria do Hospital de Base para ampliar as oportunidades de participação e convivência durante a hospitalização.
Entre as iniciativas também estão o plantio na horta, a modelagem em argila, a prática de boxe e a realização de festas temáticas.
As ações oferecem aos pacientes diferentes formas de ocupar o tempo, interagir com outras pessoas e participar de atividades fora dos leitos durante o período de tratamento.
Crédito da foto: Divulgação/IgesDF

