domingo, junho 23, 2024
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Absenteísmo e os impactos no sistema de Saúde

Foto: DCStudio/Freepik

Afastamento de profissionais de assistência à vida reflete tanto nos custos quanto na qualidade e segurança dos serviços 

Levantamento inédito realizado pelo Programa Brasileiro de Segurança do Paciente (PBSP) mostra o impacto financeiro que o absenteísmo de profissionais envolvidos com a assistência pode provocar no sistema de saúde brasileiro. Utilizando os dados de 23 instituições de saúde, de todas as regiões brasileiras, o trabalho demonstra prejuízo que pode ultrapassar R$ 25 milhões ao ano, apenas dentro do universo pesquisado.

Nas instituições participantes, houve um total de 1.197 colaboradores ausentes por mês, uma média de 52 ausências mensal por hospital. A região Sudeste foi a mais impactada por este cenário, com prejuízo de aproximadamente R$ 11 milhões, seguida pelo Nordeste (mais de R$ 7 milhões), Centro-Oeste (cerca de R$ 4 milhões), Sul (pouco mais de RS 2 milhões) e Norte (R$ 583 mil).

Os valores levam em conta, além dos custos salariais de um profissional que falta ao trabalho sem motivo definido, os gastos com substituição ou, em alguns casos, com o excesso de pessoal necessário para suprir um nível específico de ausência. Também são contabilizados os custos associados à perda de produtividade ou redução da qualidade e da segurança.

De acordo com o levantamento, aqui no Distrito Federal o prejuízo registrado foi de R$ 3.649.138,50.

“A ausência de profissionais prejudica a demanda, a qualidade e a eficiência da prestação de serviços de saúde”, afirma o diretor técnico, Felipe Tolaini. “O absenteísmo pode ser um termômetro para o bem-estar físico e psicológico dos profissionais de saúde, além de uma medida valiosa do desempenho dos sistemas de saúde.”

Para o especialista, “é necessário trazer a discussão não só entre os profissionais, mas esclarecer com os gestores os riscos, impactos e o trabalho com mecanismos que possam gerenciar essas ausências, para que se evite um ciclo vicioso de má gestão na saúde”, pontua Tolaini.

Secretaria de Saúde 

O absenteísmo já é tema de estudo entre os vários setores do funcionalismo público do Distrito Federal, inclusive na Secretaria de Saúde (SES). Em 2020, a Secretaria de Economia divulgou o perfil do absenteísmo-doença dos servidores públicos estatutários da capital. 

De acordo com o levantamento, em 2019, a SES registrou 40.651 licenças. Foram 15.469 servidores afastados que somados seus atestados resulta em 592.771 dias de ausência nas unidades públicas de saúde. 

Todas essas ausências também impactam os cofres públicos. Os dados divulgados pela Secretaria de Economia revelam que no ano da pesquisa, os custos relativos ao absenteísmo-doença na SES foram de R$ 218.537.520,20.