Campanha nacional coleta DNA de familiares de pessoas desaparecidas; veja como participar
A Semana de Mobilização Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas começa nesta segunda-feira (24) e segue até sexta-feira (28). A iniciativa pretende ampliar os bancos de perfis genéticos e permitir o cruzamento do material coletado com.
A 4ª edição da campanha é promovida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), com coordenação da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). Ao todo, 334 pontos de coleta foram preparados em diferentes regiões do país.
Somente em 2025, mais de 84 mil pessoas desapareceram no Brasil, de acordo com dados encaminhados pelos estados e pelo Distrito Federal ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). No Distrito Federal, segundo a Polícia Civil, foram registrados 2.181 desaparecimentos no período.
Desse total, 2.121 pessoas foram localizadas, o equivalente a 97,2%.
Como o DNA pode ajudar na identificação
O material genético dos familiares é incluído em bancos de perfis genéticos e comparado com perfis de pessoas encontradas sem identificação. A análise é feita por meio de softwares estatísticos que buscam possíveis compatibilidades genéticas.
Entre os casos que podem ser identificados estão os de pessoas encontradas vivas, como alguém que perdeu a memória e está internado sem identificação, além de pessoas mortas, incluindo cadáveres e ossadas cuja identidade ainda não foi determinada.
Segundo a diretora-adjunta do Instituto de Pesquisa de DNA Forense (IPDNA), Marinã do Amaral, o banco funciona de forma cumulativa. Isso significa que os perfis cadastrados continuam sendo comparados com novos registros inseridos no sistema.
“Quanto maior o número de perfis de familiares cadastrados no banco de dados, maior a chance de, quando a gente encontrar uma pessoa não identificada, conseguir fazer esse match”, afirma Marinã.
O perfil genético do familiar é utilizado exclusivamente para a identificação da pessoa desaparecida. Após a confirmação da identidade, os dados são retirados do banco de dados.
Quem já participou de campanhas anteriores ou realizou coleta de DNA em outro momento com a finalidade de identificar uma pessoa desaparecida não precisa repetir o procedimento. Os dados permanecem armazenados e continuam sendo comparados com novos perfis.
Quem deve fazer a coleta
A recomendação é que familiares diretos da pessoa desaparecida forneçam o material genético. A prioridade é para pai ou mãe biológicos, filhos biológicos da pessoa desaparecida, preferencialmente acompanhados do outro genitor, e irmãos biológicos que sejam filhos do mesmo pai e da mesma mãe.
Na ausência desses parentes, outros familiares podem ser avaliados individualmente pelos especialistas. Segundo Marinã, a participação de determinados parentes pode aumentar a eficácia da comparação genética.
No caso de filhos da pessoa desaparecida, por exemplo, é indicado que estejam acompanhados do outro genitor para auxiliar no confronto genético.
Menores de idade também podem participar, desde que estejam acompanhados e tenham autorização de um responsável legal.
A coleta é realizada com um cotonete ou uma pequena esponja passada na parte interna da bochecha. Em alguns casos, pode ser utilizada uma gota de sangue retirada do dedo. Não é necessário estar em jejum.
Atendimento no Distrito Federal
No Distrito Federal, a coleta será realizada no Instituto de Pesquisa de DNA Forense, localizado no Complexo da Polícia Civil, entre os dias 24 e 28 de agosto, das 8h às 18h.
Diferentemente de outros pontos de coleta, no DF o atendimento ocorre preferencialmente mediante agendamento feito pelas delegacias. Antes da coleta, é necessário que exista um Boletim de Ocorrência registrado sobre o desaparecimento. A delegacia encaminha o familiar ao instituto por meio de um memorando.
“A gente não consegue fazer esse cadastramento aqui no Instituto de DNA se nunca foi registrada ocorrência formal desse desaparecimento”, explica Marinã.
Após o agendamento, o familiar deve levar documento de identificação, memorando de encaminhamento fornecido pela delegacia, documento da pessoa desaparecida, se houver, e número ou cópia do Boletim de Ocorrência, caso esteja disponível.
Se o desaparecimento tiver sido registrado em outro estado, mas o familiar morar no Distrito Federal, a coleta também poderá ser feita no IPDNA. Nesse caso, a recomendação é levar uma cópia do Boletim de Ocorrência para agilizar o atendimento.
Canais para tirar dúvidas no DF
Moradores do Distrito Federal podem obter informações pelos telefones (61) 3207-4362 e (61) 3207-4370, pelo WhatsApp (61) 98253-8016 ou pelo e-mail ipdnadesaparecidos@pcdf.df.gov.br.
Nos demais estados, os familiares devem procurar os pontos de coleta indicados na lista oficial do Ministério da Justiça.
Campanhas anteriores no DF
Nas campanhas anteriores, o Distrito Federal registrou 74 familiares que fizeram coleta relacionada a 45 pessoas desaparecidas em 2024. Em 2025, foram 54 familiares com material coletado relacionado a 42 pessoas desaparecidas.
O número de familiares pode ser maior que o de desaparecidos porque mais de um parente pode fornecer material genético para auxiliar na identificação de uma mesma pessoa.
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