quarta-feira, novembro 4, 2026
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Celina Leão terá desafio de sanar crise no BRB e equilibrar contas públicas do DF no novo.

Reeleita para governar o Distrito Federal por mais quatro anos, Celina Leão (PP) iniciará o novo mandato com dois desafios na área econômica: enfrentar a crise do Banco de Brasília (BRB) e equilibrar as contas públicas do DF.

As duas questões estão diretamente relacionadas. O Governo do Distrito Federal (GDF), acionista controlador do BRB, busca um empréstimo bilionário para recompor o patrimônio da instituição financeira. A operação, caso seja concretizada, poderá gerar novas obrigações financeiras para o governo nos próximos anos.

A situação do banco e o desequilíbrio das contas públicas ganharam destaque durante a campanha eleitoral de 2026 e devem permanecer entre as principais preocupações da próxima gestão.

Crise do BRB exige recomposição bilionária de capital

A crise do Banco de Brasília está relacionada às operações realizadas com o Banco Master. Em março de 2025, o BRB anunciou a intenção de adquirir parte da instituição privada.

A proposta previa a compra de 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais do Banco Master. A operação recebeu autorização da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).

No fim de outubro de 2026, a Polícia Federal indiciou 15 pessoas suspeitas de envolvimento em condutas ilegais relacionadas ao caso. Entre os investigados estão Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e ex-diretores do banco público.

O indiciamento não representa condenação definitiva dos investigados.

Como acionista controlador do BRB, o GDF tem responsabilidades relacionadas à manutenção da estrutura financeira da instituição e ao cumprimento das exigências do sistema bancário.

BRB busca recuperar patrimônio e cumprir exigências do Banco Central

O principal desafio financeiro do BRB é recompor o capital afetado pelas operações envolvendo o Banco Master e voltar a atender aos limites prudenciais estabelecidos pelo Banco Central.

O banco estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões em créditos adquiridos sejam inexistentes, fraudulentos ou de difícil recuperação.

Para enfrentar o problema, o Governo do Distrito Federal busca um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões destinado à recomposição do patrimônio da instituição.

O GDF recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar viabilizar a operação com recursos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Até o momento, o dinheiro não foi liberado.

O governo federal informou que não pode oferecer garantia para o empréstimo, mas o Distrito Federal mantém as tratativas. Celina Leão também afirmou que busca negociações com bancos árabes como alternativa para obter recursos.

Divulgação do balanço do BRB continua pendente

Outro ponto de atenção é a divulgação das informações financeiras do banco. O balanço do BRB não é divulgado desde novembro de 2025.

Após a vitória nas eleições, Celina Leão negou que a divulgação do documento estivesse condicionada ao resultado eleitoral.

Em entrevista à TV Globo, a governadora afirmou que a apresentação do balanço estava vinculada à negociação do empréstimo para recuperar o banco.

Celina também declarou que não participou das negociações envolvendo o BRB e o Banco Master e que era contrária à operação.

Depois de assumir o comando do GDF, a governadora passou a defender medidas para recuperar a instituição financeira e afirmou que havia assumido a responsabilidade de enfrentar o problema do BRB.

Contas públicas representam outro desafio para o GDF

Além da situação do banco, Celina Leão terá de enfrentar o desequilíbrio financeiro do Distrito Federal durante o novo mandato.

Desde que assumiu o governo, em 30 de março de 2026, após a renúncia de Ibaneis Rocha, a governadora anunciou medidas de contenção de despesas, revisão de contratos e redução de gastos públicos.

Celina afirmou ter encontrado um rombo bilionário nas finanças do DF. Ao longo dos meses, o governo apresentou diferentes estimativas para dimensionar o desequilíbrio e também passou a projetar melhora no resultado das contas públicas.

Entre as primeiras decisões da gestão esteve o cancelamento da festa de aniversário de 66 anos de Brasília. A medida foi acompanhada do anúncio de redirecionamento de R$ 25 milhões para a saúde pública.

A governadora também informou que seria necessário revisar contratos, despesas com aluguéis e gastos relacionados à frota de veículos do governo.

Em reunião com deputados distritais de oposição, Celina voltou a defender cortes de despesas como parte das medidas para reorganizar as finanças públicas.

Plano de governo prevê responsabilidade fiscal, mas não define metas

O plano de governo apresentado por Celina Leão estabelece diretrizes para a administração pública, mas não apresenta metas fiscais específicas para o próximo mandato.

O documento não detalha valores previstos para receitas, despesas e investimentos, nem estabelece indicadores ou prazos para a execução das medidas propostas na área fiscal.

Entre os compromissos estão a adoção de um modelo de gestão pública voltado para resultados, o fortalecimento da responsabilidade fiscal e a modernização da administração tributária.

A proposta também prevê a adequação do Distrito Federal ao novo sistema tributário nacional.

Outro objetivo é integrar o planejamento de longo prazo aos principais instrumentos orçamentários do governo: Plano Plurianual (PPA), Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e Lei Orçamentária Anual (LOA).

Apesar dessas diretrizes, o plano não esclarece como as ações serão implementadas nem apresenta metas quantitativas para avaliar os resultados da política fiscal.

Recuperação do BRB e equilíbrio fiscal devem marcar novo mandato

A necessidade de recuperar o patrimônio do BRB ocorre em um momento de restrições nas contas públicas do Distrito Federal.

O empréstimo de até R$ 6,6 bilhões, ainda em negociação, é uma das principais medidas defendidas pelo GDF para enfrentar a situação financeira do banco.

Ao mesmo tempo, a próxima gestão terá de administrar as despesas públicas, revisar contratos e buscar condições para executar as prioridades previstas no orçamento.

A solução para a crise do BRB e a definição de medidas concretas para equilibrar as contas do DF estarão entre os principais desafios econômicos de Celina Leão nos próximos quatro anos.

Crédito da foto: Gustavo Moreno/STF