sábado, abril 13, 2024
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Empreendedorismo para vítimas de violência

Foto: Renato Araújo – Agência Brasília

Até o último mês de novembro, o Pró-Vítima atendeu mais de 5.400 pessoas

Ser vítima de violência doméstica acarreta em várias consequências físicas, emocionais e sociais. Com a pandemia o número de registros de agressões contra mulheres aumentou de maneira significativa, aumentando também a quantidade de atendimentos realizados pelo programa Pró-Vítima, da Secretaria de Justiça do Distrito Federal (Sejus).

O programa existe há 12 anos e somente em 2021 – de janeiro a novembro – foram atendidas 5.440 pessoas e, no momento, existem 80 pessoas em atendimento. De janeiro a dezembro de 2020 foram realizados 4.590 atendimentos.

Iniciativa é uma grande ferramenta de transformação na vida de várias pessoas que tinham dificuldade de romper com o ciclo de violência por não terem condições de promover o próprio sustento.

Com o atendimento multiprofissional, as vítimas de violência, seus familiares ou testemunhas que chegam a um dos oito núcleos do programa Pró-Vítima do DF são acolhidos por uma equipe composta por um agente administrativo, responsável pela recepção, um assistente social, que cuida do acolhimento e encaminhamento das demandas sociais e um psicólogo, que faz o atendimento com terapia focal individualizada.

Para participar do programa a vítima pode procurar pessoalmente, ou ser encaminhada por amigos, parentes, ou pessoas da comunidade. Ainda pode ser encaminhada por instituições governamentais e não governamentais.

Os núcleos do programa estão localizados em Ceilândia, Guará, Paranoá, Planaltina, Plano Piloto, Taguatinga, Itapoã e Recanto das Emas. A diretora de Prevenção e Combate à Violência da Subsecretaria de Apoio às Vítimas de Violência da Sejus, Thalita Carrijo, comemora a expansão.

“Eram apenas quatro núcleos, hoje são oito. Esse crescimento foi muito importante”, comemorou. Segundo a pasta, a criação dos novos núcleos não gerou dispêndio de recursos financeiros, uma vez que as células de atendimento do programa utilizam espaços de equipamentos públicos da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus) já existentes.

Atendimento individualizado

As pessoas chegam às unidades porque, de alguma forma, têm contato com violência ou são convidadas a receber atendimento, não há nenhuma imposição. Aqueles que aceitam ser atendidos passam por avaliação individualizada do assistente social e, se necessário, seguem para sessões com psicólogos.

De acordo com a Sejus, as sessões de terapia variam de oito a 15, podendo ser estendidas, dependendo da necessidade do paciente. Cada sessão tem duração de uma hora. Não há diferença nos atendimentos ofertados pelo Pró-Vítima, independentemente da forma de ingresso ao programa. Sendo assim, qualquer pessoa que necessitar de atendimento será acolhida por meio do assistente social para verificar possíveis necessidades sociais e, posteriormente, encaminhada ao profissional de psicologia para acompanhamento.

Os órgãos e instituições de assistência e atendimento que contribuem para a consolidação de uma política de apoio às vítimas de violência são: Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), Ministério Público, Defensoria Pública, Conselhos Tutelares, Centro 18 de Maio, Centro de Atenção Psicossocial (Caps), Unidades Básicas de Saúde, Provid, Delegacias da Polícia Civil, Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas) e associações, entre outros.

Banco de talentos

De acordo com a subsecretária de Apoio às Vítimas de Violência da Sejus, Janandréia Medeiros, 80% das vítimas de violência que passaram pelos órgãos que compõem a rede de proteção são mulheres em situação de vulnerabilidade. Por isso, a Subav, da Sejus, por meio da Diretoria de Prevenção e Combate à Violência (Dicomb), desenvolveu o Banco de Talentos.

O projeto foi idealizado ao se observar que a grande maioria das pessoas atendidas pelo programa Pró-Vítima eram mulheres em situação de violência doméstica. Assim, pensou-se na possibilidade de implementação de atividades que pudessem contribuir para a autonomia de mulheres vítimas de violência, em situação de vulnerabilidade social e migrantes que tivessem recorrido ao Pró-Vítima. O objetivo é usar o empreendedorismo para romper o paradigma da dependência econômica e tornar esta mulher protagonista de sua própria história.

O Banco de Talentos foi criado em 15 de maio de 2019, sendo que mais de 150 mulheres já foram beneficiadas. Atualmente o projeto conta com a participação de 85 mulheres, sendo que 11 são migrantes. A Sejus/DF, após a retomada das atividades presenciais, em junho de 2021, realizou um total de 16 dias de feiras, sendo que 14 foram realizadas no âmbito do Programa Sejus Mais Perto do Cidadão e duas ocorreram no Parque da Cidade.

Por meio de parcerias com o Senac, Sesc e Caixa Econômica são disponibilizados cursos de gestão de negócios, marketing, uso de mídias sociais e educação financeira, entre outros. Ao todo, 150 mulheres já passaram pelo Banco de Talentos e 80 estão utilizando o projeto. “O Pró-Vítima faz com que as pessoas se sintam valorizadas”, diz Jana.

“Uma em cada quatro mulheres já sofreu violência no Brasil. Nós estamos falando de violência moral, psicológica, patrimonial. A gente tem um grupo com escuta qualificada feita por profissionais que querem cuidar de outras mulheres, nós estamos falando de romper ciclos de violência pela oportunidade. E nós, enquanto Secretaria de Justiça e Cidadania, geramos oportunidades por meio do direito que o cidadão tem”, disse a secretária de Justiça, Marcela Passamani.

Com informações da Agência Brasília