Operação Siblings – MPF denúncia 12 pessoas por contrabando de migrantes e lavagem de.
O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 12 pessoas acusadas de integrar uma organização criminosa transnacional responsável pelo contrabando de migrantes brasileiros para os Estados Unidos. O grupo, sediado na região de Governador Valadares (MG), no Vale.
De acordo com a denúncia, a organização era liderada por integrantes de uma mesma família e movimentou mais de R$ 40 milhões com a atividade criminosa.
A ação foi apresentada pela Unidade Nacional de Enfrentamento ao Tráfico Internacional de Pessoas e ao Contrabando de Migrantes (UNTC/MPF) à Justiça Federal de Minas Gerais.
O MPF pede a condenação dos acusados pelos crimes de organização criminosa transnacional, contrabando de migrantes, uso de documento falso e lavagem de dinheiro.
Também solicita o confisco de bens e valores obtidos com as atividades ilícitas e o bloqueio de R$ 44,7 milhões para reparar os prejuízos causados, além de indenização por danos morais à sociedade.
Grupo era comandado por dois irmãos
Segundo a denúncia, dois irmãos lideravam a estrutura criminosa e coordenavam as etapas desde a captação dos migrantes em Minas Gerais até a chegada à fronteira dos Estados Unidos. Eles também distribuíam tarefas e controlavam os fluxos financeiro e logístico do esquema.
Outros integrantes da família participavam da movimentação e lavagem do dinheiro obtido ilegalmente, além de operar contas utilizadas para receber os pagamentos feitos pelos migrantes.
Travessias custavam até R$ 100 mil
Para organizar a travessia clandestina, o grupo cobrava valores entre R$ 50 mil e R$ 100 mil por pessoa. Os migrantes eram obrigados a entregar veículos, assinar notas promissórias, formalizar termos de confissão de dívida e conceder procurações para a alienação de imóveis em favor de operadores da organização.
Para atrair novos interessados no Vale do Rio Doce, o grupo utilizava uma estratégia de divulgação baseada em depoimentos dos próprios migrantes. Durante a viagem, eles eram orientados a gravar vídeos exaltando o suposto sucesso da travessia e agradecendo pelo serviço prestado.
As investigações, no entanto, apontaram que os viajantes, inclusive crianças, eram submetidos a condições degradantes em casas de apoio superlotadas. Também enfrentavam privação de água e alimentação, além de risco de violência, extorsão e sequestro por cartéis nas rotas clandestinas.
Documentos falsos facilitavam entrada no México
A organização também adulterava cartões de vacina e utilizava documentos falsificados de proteção humanitária para facilitar a entrada dos brasileiros no México. O objetivo era usar o pedido de asilo humanitário como forma de chegar à fronteira com os Estados Unidos.
As investigações identificaram ainda a atuação de operadores internacionais e de um atravessador brasileiro, conhecido como *coiote*, que vivia no México. Ele era responsável por receber os migrantes e organizar o trajeto terrestre até a travessia da fronteira.
O grupo também utilizava o método conhecido como *cai-cai*, no qual adultos eram incentivados a atravessar a fronteira acompanhados de crianças, fossem elas filhos reais ou não, para reduzir o risco de deportação imediata pelas autoridades norte-americanas.
Entre os migrantes identificados na Operação Siblings, 223 eram menores de idade, número equivalente a 32,4% do total.
Ao chegarem ao destino, os brasileiros eram orientados a descartar passaportes, vistos e documentos falsos antes de se entregarem às autoridades de imigração dos Estados Unidos. Também recebiam assistência de advogados custeados pelo grupo, sob a condição de não revelarem o funcionamento do esquema.
Dinheiro era movimentado por laranjas
O dinheiro obtido com as travessias era movimentado em contas bancárias abertas com documentos falsos ou em nome de *laranjas*, com o objetivo de dificultar o rastreamento dos recursos e ocultar a origem ilegal dos valores.
Posteriormente, parte do dinheiro era incorporada ao patrimônio formal dos líderes por meio da compra de apartamentos, veículos de luxo e propriedades rurais.
Caso a denúncia seja recebida pela Justiça Federal, os 12 acusados se tornarão réus e passarão a responder pelos crimes apontados pelo MPF.
Contrabando de migrantes pode levar à prisão
No Brasil, o contrabando de migrantes está previsto no artigo 232-A do Código Penal, que trata da promoção de migração ilegal. A pena pode variar de dois a cinco anos de prisão, além de multa.
A punição pode ser ampliada quando o crime é praticado de forma reiterada, coloca em risco a vida ou a integridade física do migrante, envolve violência ou inclui crianças e adolescentes.
A Unidade Nacional de Enfrentamento ao Tráfico Internacional de Pessoas e ao Contrabando de Migrantes é a estrutura especializada do MPF responsável por atuar na identificação, prevenção e repressão desses crimes, além de centralizar investigações e ações judiciais relacionadas aos casos.
Desde 2025, a unidade atuou em mais de mil processos judiciais e denunciou mais de 200 pessoas pela prática desses crimes. Casos suspeitos podem ser denunciados ao Ministério Público por meio do MPF Serviços.
Crédito da foto: Imagem ilustrativa gerada por IA

