quinta-feira, abril 18, 2024
CidadesDesta semana

Piscinas da Água Mineral fechadas há dois anos

Foto: Reprodução / internet

Parque Nacional de Brasília permanece com piscinas fechadas mesmo com decreto autorizando abertura de equipamentos. População cobra reabertura do balneário, mas ICMBio aponta que não há prazo para retomada do uso das piscinas

O Parque Nacional de Brasília é um dos pontos turísticos e de lazer mais visitados do Distrito Federal. Nele é possível encontrar trilhas, piscinas com água natural e ilha de meditação.  Porém, o que antes abrigava moradores e turistas, principalmente aos finais de semana, passou a ficar deserto pela falta de gestão.

As piscinas do parque completaram dois anos sem funcionamento, já que estão fechadas desde março de 2019 – mesmo com decreto do Executivo que permite a utilização de piscinas em clubes durante a pandemia.

Esta semana o DF Notícias recebeu um compilado de informações e reclamações por parte de usuários e mensalistas. De acordo com as reclamações “há muito não se fala em obras, reformas ou melhorias na Água Mineral. Essa história de licitação é só conversa fiada. Não tem nada concluído, enquanto isso a população perde um espaço importantíssimo de lazer e diversão. Mesmo que houvesse determinação para que os visitantes seguissem as normas ditas pelas autoridades sanitárias, não vejo motivo para esse que espaço, que é de todos, permaneça fechado”, disse um dos mensalistas do Parque. 

Em agosto de 2020, o Governo do Distrito Federal (GDF) e o governo federal anunciaram que fariam melhorias na Água Mineral. Inicialmente, seriam investidos R$ 2,5 milhões. Entre as obras divulgadas, estavam melhorias da infraestrutura física, reformas de instalações já existentes, além de abertura de novas trilhas, instalação de equipamentos de contemplação e proteção dos animais, entre eles, um mirante e uma passagem suspensa. Porém, nada foi feito até o momento. De acordo com informações do governo do Distrito Federal, a administração atual é do ICMBio.

As melhorias nas instalações do Parque seriam subsidiadas com recursos do Fundo de Compensação Ambiental, que é administrado e executado pela Caixa Econômica Federal, segundo informação dada pelo o ex-ministro Ricardo Salles na ocasião em que anunciou a privatização. A Caixa realizou pregão eletrônico para a contratação da empresa que vai elaborar o projeto de reforma no local, no valor de R$ 360 mil. Depois da apresentação do projeto, seria feita a licitação das obras e, posteriormente, o lançamento do edital de concessão para gestão da área verde de 42,3 mil hectares. Mas, até o momento não houve desdobramento.

Em agosto do ano passado, três propostas apresentadas à Câmara dos Deputados sustaram o decreto do governo (Decreto 10.447/20) que autoriza a concessão à iniciativa privada do Parque Nacional de Brasília – também conhecido como Água Mineral – e do Parque Nacional de São Joaquim, em Santa Catarina. No âmbito do Parque em terras distritais, o problema já se arrasta pelo menos desde 2017.

O deputado Professor Israel Batista (PV-DF), autor do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 364/20, assinado por toda a bancada do PV, disse que “não precisamos privatizar parques e não devemos, mas sim cumprir a legislação ambiental, e melhorar nossa imagem internacional”.

O DF Notícias procurou o Instituo Chico Mendes de Biodiversidade para saber como anda a licitação para gestão do Parque e quais melhorias foram realizadas no local. Por meio de nota apontaram apenas que: “O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) informa que não há previsão para reabertura das piscinas da Água Mineral, no Parque Nacional de Brasília (PNB)”.

Reivindicação

O Parque recebia mensalmente aproximadamente 250 mil pessoas. Os moradores do DF que visitavam o local com frequência reclamam o fechamento das piscinas e das restrições impostas.

Paula Cardoso mora na Estrutural e conta que aos finais de semana costumava ir ao Parque com os filhos e fazia trilhas. Agora, com as piscinas fechadas não tem outra opção próxima de casa. “Antes eu fazia trilhas, caminhava pelo Parque e depois mergulhava na piscina para desestressar, agora não temos mais esta opção. É triste saber que nada tem sido feito no local. Mesmo antes de fechar, uma das piscinas não funcionava. É preciso que as autoridades olhem para este local e olhem para a população que não tem condições de passar o final de semana em outro estado. É um parque que ajuda inclusive na questão de saúde mental. Lá você respira paz, respira ar puro e é em ambiente aberto”.

Ana Claudia Humberto é professora e adepta do ciclismo, ela aponta que: “Há muitos anos passei a pedalar em longas distancias no DF como forma de tratar minha depressão. Um dos locais que eu marcava ponto todo final de semana era a Água Mineral, porque eu podia relaxar, espairecer de toda tensão da semana e era diversão garantida. Agora não temos mais esta opção. O que nos é ofertado é apenas trilhas, isso não é o suficiente. Temos um local magnífico que precisa de investimento. Ou é isso, ou o Parque Nacional vai se deteriorando.”, desabafa.

Outro mensalista que reclama o fechamento das piscinas é Danilo Dantas, atleta da natação. “Realmente as piscinas do parque Nacional de Brasília estão fazendo muita falta. Para a turma dos cinquenta pra frente, além de lazer é muito bom para saúde,  no meu caso  faz muita falta porque eu faço competição de natação master”, explica.

A presidente da Associação dos Amigos do Parque Nacional de Brasília, Junia Lara, disse ao DF Notícias que a entidade tem trabalhado pela reabertura do local. “Nós estamos dialogando com a bancada do DF na Câmara dos Deputados, pedindo apoio para abertura do local de segunda a sexta, de 6h às 12h, evitando aglomeração e que sejam respeitados todos os protocolos, com limitação de número de pessoas. Já ficou provado os benefícios da prática de exercício ao ar livre, com sol, como na Água Mineral. Sabemos também que a água não transmite a Covid-19. Estamos trabalhando para que haja uma reunião com o ICMBio, mas não tivemos retorno. Mas existe a mobilização para abertura mesmo que em período reduzido ou gradual enquanto durar a pandemia. É uma questão de saúde mental e de saúde física. É um benefício para a população”, aponta.

O Parque fica aberto à visitação todos os dias, com entrada de 8h às 16h e permanência até as 17h. Para os visitantes mensalistas, a entrada é permitida a partir das 6h.