Recuperação ambiental da orla do Lago deve ser finalizada em dezembro

Foto: Rede Terra / Sema-DF

Lúcio Costa projetou um lago para acesso da maioria da população. Ideia inicial foi retomada após desocupação de áreas. Projeto Orla pretende recuperar de 75 hectares

O Lago Paranoá é um lago artificial que foi idealizado em 1894 pela Missão Cruls. Mas só se tornou realidade durante a construção da nova capital do Brasil durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek.

As águas represadas do Rio Paranoá formam o lago que tem 48 quilômetros quadrados de área, profundidade máxima de 38 metros e cerca de oitenta quilômetros de perímetro. O projeto que deu vida ao Lago Paranoá é de Lúcio Costa, vencedor do concurso que elegeu o projeto arquitetônico e urbanístico da nova capital.

Lúcio cumpriu a exigência de um projeto urbanístico que demandava a construção de um lago, cujo nível das águas seria a cota de 1000 metros acima do nível do mar. O arquiteto chama o Lago de lagoa e o descreve no item 20 do Relatório Descritivo do Plano Piloto de Brasília – 1959: “Evitou-se a localização dos bairros residenciais a orla da lagoa, a fim de preservá-la intacta, tratada com bosques e campos de feição naturalista e rústica para os passeios e amenidades bucólicas de toda a população urbana”.

Além disso, à época, Lúcio Costa também afirmou que a ideia do lago não era sua e que o acesso devia ser para maioria da população. “O Lago Paranoá foi fundamental desde o início e não foi proposta minha. Quando foi escolhido o local da nova capital já havia a possibilidade de se fechar aquela garganta e criar o lago. De modo que o lago foi uma peça fundamental na proposta da nova capital. Acho, de fato, que se deve tornar o lago mais acessível para a maioria da população”.

Passados alguns anos, a ocupação desordenada, sem fiscalização e a falta de atenção das autoridades competentes com o espaço tornou boa parte da orla do lago um privilégio de alguns, que se propuseram a fazer a manutenção da área com a contrapartida de tornar o espaço público em particular.

Porém, a desocupação foi realizada e as margens do lago voltaram a ser públicas. E para que haja a recuperação ambiental das áreas está em andamento o Projeto Orla, que prevê a recuperação de 75 hectares ao longo das áreas de preservação permanente (APPs) da orla do Lago Sul, com ações nos 30 metros às margens do espelho d’água do Lago Sul.

A equipe do DF Notícias esteve no local no último final de semana para verificar a situação da orla ao logo do Lago Sul. De fato, houve a desocupação por parte dos proprietários das residências à beira do lago, porém, há áreas em situação de abandono – mato alto, falta de sinalização, iluminação pública, segurança – o que causa preocupação para moradores e frequentadores da região.

Morador da Ql 8 não quis se identificar, mas conta que região precisa de cuidados. “Estamos preocupados com a falta de estrutura e segurança aqui. Sabemos que a área é pública, mas nem todos têm a consciência de que é preciso cuidar do espaço. Aos fins de semana, grupos vêm, mas deixam lixo espalhado, e alguns maus elementos aproveitam o movimento para ficarem rondando por aqui, isso assusta”.

Ações do projeto

Questionada sobre o andamento do Projeto Orla, a Secretaria de Meio Ambiente (Sema) respondeu ao DF Notícias, por meio de nota, que: “Desde 2020 está sendo realizado o monitoramento e a manutenção dos plantios [mudas e sementes] durante a vigência do Projeto. Foram realizadas também ações de mobilização e educação ambiental. Mas as estratégias foram revistas em função da pandemia e desde março/2020, reforçamos a divulgação por meio das redes sociais, colocação de placas educativas e de sinalização, mantido contato com moradores da vizinhança e visitantes. Destacamos o plantio e tutoramento de 34.462 mudas de 87 espécies de árvores nativas do bioma Cerrado, plantadas e tutoradas 2.284 covetas (locais onde são plantadas as mudas) com 9.000 sementes de 64 espécies”.

Além disso, a pasta ressalta que “considerando os usos mais ou menos intensos dos visitantes, buscamos adequar a densidade de plantio de árvores, assim houve bastante variação entre trechos (polígonos), ente 282 a 802 árvores por hectare. Houve ainda o plantio de grama em 250 m² em áreas de solo exposto e susceptível a intensificação de processos erosivos”.

Proteção e investimentos

A Sema afirma que para garantir a manutenção e proteção de árvores “algumas medidas protetivas tiveram de ser instaladas como: 65 grades protetoras para as mudas em situação vulnerável; a instalação de contentores para reduzir o acesso de veículos nas proximidades dos plantios e das margens do lago. Esta ação abrangeu 1.600 contentores (ao longo de 2,2 Km) no Polígono 10 (Arie do Bosque – QL 10) e outros 410 contentores (ao longo de 600 m) no Polígono 8 (Setor de Clubes Esportivos Sul – Trecho 1).

A secretaria conta que “o valor disponibilizado pelo Funam [Fundo Único de Meio Ambiente] para o projeto soma R$ 2.461.710,00, além de recursos de contrapartida do Instituto Rede Terra”.

Ainda de acordo com a pasta “até dezembro/2021, retomando o período de chuvas, estão sendo plantados mais 12 hectares prioritariamente na região do Braço do Riacho Fundo, de forma a fechar a meta de 75 hectares de áreas com ações de recuperação. Além disso serão feitas ações de manutenção de todas as áreas já beneficiadas e relatoria de todas as ações e resultados do Projeto”.