terça-feira, abril 23, 2024
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Setor Comercial clama por socorro

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Foto e vídeos: Divulgação

Lixo, ratos e abandono estão por toda parte de uma das regiões mais relevantes para o DF. Polícia Militar afirma incremento de efetivo e lideranças do setor se unem ao governo para revitalizar área

Uma das regiões mais importantes para a economia do Distrito Federal está deixando de ser centro econômico para se tornar campo de guerra e abandono. O Setor Comercial Sul (SCS) já hospedou grandes bancos, empresas de porte nacional e fez girar uma das maiores engrenagens econômicas do DF.

Atualmente, grandes e pequenas empresas têm deixado o setor em busca de áreas que possam oferecer mais segurança e bem-estar aos seus clientes e colaboradores. Quem ainda resiste no SCS, reclama do medo e insegurança que tiram a paz e desmotivam o investimento, além de inibir a circulação de pessoas.

A vice-prefeita segue relatando sobre a insalubridade da região. “Ninguém aguenta passar por aqui por conta do mau cheiro. Há restos de comida por toda parte, as árvores e marquises dos blocos viraram banheiro para os moradores de rua que fazem suas necessidades fisiológicas sem qualquer discrição. O setor está tomado de ratos, já entregamos pessoalmente ofício pedindo a desratização da área e até o momento não fomos atendidos”.

A vice-prefeita do Setor Comercial Sul, Anice Hanna Halum Elias conta que várias empresas têm desocupado imóveis pela insalubridade, falta de segurança e as “cenas de horror” que precisam conviver diariamente. “Todos os dias enfrentamos um verdadeiro campo de batalha. A sujeira e a violência tomaram conta do setor. Quem trabalha nos prédios vive com medo da violência e brutalidade dos moradores de rua que tomaram conta de tudo. Há empresário que contratou carro particular para levar os funcionários até à Rodoviária para garantir a segurança de seus colaboradores. A Polícia Militar tem tentado trabalhar, mas os moradores de rua são violentos, arremessam o que tiverem em mãos. Se a PM tem sofrido isso, imagine quem não consegue se defender!”, enfatiza a líder.

“Entendemos que há um problema social aqui. Nossa intenção não é simplesmente empurrar quem está nas ruas para outro lugar. É preciso oferecer abrigo, qualificação profissional e emprego para essa população. E é o que temos tentado juntamente como governo”, aponta Ancie.

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Diante da situação, a Polícia Militar foi questionada sobre o quem vem sendo feito pela corporação. À redação o 1º Sargento Diógenes do 1ºBPM/PMDF relatou que “a presença de moradores de rua tem atrapalhado o desenvolvimento do setor. Haja vista que a situação em si tem se concentrado na quadra 05, área central, próximo ao Posto Policial da Polícia Militar, onde residem pelas calçadas de um modo geral. A situação de desordem social traz consigo outras mazelas como o tráfico de drogas, delinquentes, furtos a transeuntes/lojas, arrombamentos em estabelecimentos, etc. Mas ressalto que há um programa social, por parte do governo, que já está sendo providenciado junto à SEDES para efetivar cadastros da comunidade carente e destinar uma assistência social digna, como prevê nossas leis vigentes”, aponta o Sargento.

O efetivo da Polícia Militar tem trabalhado na segurança da área. “Dentro de um trabalho estratégico de Segurança Pública, a Polícia Militar se faz presente 24h por dia procurando, assim, evitar o sentimento de abando no quesito segurança. E, em soma, a Instituição PMDF, tem procurado zelar, da melhor forma possível, pela Ordem Social através de diversos tipos de policiamento: montado, a pé (Cosme e Damião), motorizado, velado (à paisana) e o Policiamento Comunitário por toda área central. Lembrando que o efetivo policial foi triplicado por diversos turnos de serviço, pois estendemos o policiamento do SCS à Galeria dos Estados, Setor Bancário Sul, Setor de Autarquias, Setor Hoteleiro Sul”, afirma Diógenes.

Esperança

Os entusiastas do Setor Comercial Sul confiam, apoiam e aguardam a tão sonhada revitalização da área prometida pelo governo do Distrito Federal. Os trabalhos já começaram na Praça do Povo e há apontamento para a requalificação da quadra 4. As quadras 3 e 5 estão em estudos, além do projeto inovador da Rua 24 horas que há mais de vinte anos é discutido.

Fernando Brites, presidente da Associação Comercial do Distrito Federal, conta que a implantação da Rua 24 horas “resolveria em definitivo os problemas de segurança, porque para instalar a Rua 24 horas é preciso iluminação, policiamento, e calçadas preparadas para a circulação de pessoas, o que não existe hoje, já que se caminha, literalmente, tropeçando pelas pedras”, afirma.

Uma novidade trazida pelo presidente é a discussão de projeto para instalação de estacionamento subterrâneo na quadra 6, no espaço dos prédios até a W3. Segundo Brites, na semana passada, houve uma reunião juntamente com a Secretaria de Projetos Especiais para discutir a proposta que pretende construir três pavimentos subterrâneos de estacionamento na região. “Isso resolveria muito o problema de estacionamento do SCS. A proposta está andando e não causa nenhum custo ao governo, que precisa apenas autorizar a construção. Aquele espaço seria mantido como um boulevard para a circulação de pessoas, onde elas possam tomar um café. Quanto as lojas, atrairíamos lojas de grife para lá”, conta Brites, entusiasmado.

Respostas

Em nota, a Administração do Plano Piloto disse que: “A Administração Regional do Plano Piloto informa que a situação da população de rua é de atribuição da SEDES”.

A Secretaria de Desenvolvimento Social esclarece que: “Especificamente no que diz respeito a pessoas em situação de rua, o DF conta com mais de 40 unidades de acolhimento, entre abrigos, alojamentos, casas de passagem e repúblicas para todos os grupos geracionais. O Serviço Especializado de Abordagem Social (Seas) atua com 28 equipes em escalas de plantão, diariamente, inclusive com equipes exclusivas para crianças e adolescentes, e público LGBTQIA+. Em circunstâncias normais, o acolhimento institucional é um serviço contínuo, no qual o cidadão é atendido amplamente em todas as suas vulnerabilidades. A inserção nesse serviço se dá por encaminhamento dos Creas e do Seas para a Central de Vagas”.