terça-feira, abril 23, 2024
Cidades

Taguatinga mais verde

Foto: A. Sabino

Proposta foi consolidada por grupo suprapartidário. Intenção é transformar a Região Administrativa no que era nas décadas de 1980/90. Prioridade será a arborização e paisagismo da Avenida Comercial, incluindo a área central e a parte Sul da via

Especialistas apontam que pela primeira vez na história da humanidade mais de 50 por cento da população mundial passou a viver em cidades. Nos últimos tempos a expansão territorial tem ocorrido, muitas vezes, com planejamento, mas a falta de áreas verdes tem preocupado. Tanto que, recentemente, um grupo local decidiu se unir para pensar numa forma de amenizar o problema em Taguatinga (DF) e pôr em prática um plano que pretende arborizar a cidade nos próximos anos. Para especialista ouvida pelo DF Notícias, a ação gera inúmeros benefícios para a população.
O grupo suprapartidário, que se reuniu no dia 16 de dezembro, aponta que o plantio de árvores se dará ao longo dos quatro quilômetros da Avenida Comercial Norte e “virou um compromisso com a sociedade de Taguatinga”. Segundo informações repassadas ao DFN, “Na principal via da cidade, que tem 250 mil habitantes, existe apenas um solitário pé de munguba, na QNE 17, em frente à Agência do Banco do Brasil”. O dado preocupante tornou-se público a partir de um artigo do presidente do PT do Distrito Federal, Jacy Afonso, publicado em um jornal local.
Durante o debate foi criado um Comitê denominado Taguatinga Verde, que ficará encarregado de organizar as ações para plantio de mudas em toda a Região Administrativa, com prioridade para a arborização e paisagismo da Avenida Comercial, incluindo a área central e a parte Sul da via.
Caberá ao Comitê, por exemplo, cobrar da Administração Regional a indicação dos locais onde poderão ser plantadas as mudas. Como símbolo do início da campanha, o grupo sugeriu o transplante de uma árvore adulta – provavelmente uma palmeira. A ideia é mostrar que o trabalho não sofrerá interrupção até que a Comercial recupere o verde que ostentava até as décadas de 1980/90.
A Associação Comercial e Industrial de Taguatinga (Acit) abraçou o projeto e se dispôs a colaborar e também liderar as benfeitorias junto com os empresários da cidade que também contam com a participação do administrador regional, Bispo Renato Andrade.
À redação, o administrador Bispo Renato, disse que “o projeto é excelente. Ainda não conseguimos achar um local adequado. A nossa equipe técnica ainda está levantando os possíveis locais. Também estamos com uma pequena dificuldade por conta do projeto de captação de águas pluviais, que vai mexer com a Comercial e Samdu – o processo está aguardando apenas a liberação do Tribunal de Contas e poderá mexer com tudo aquilo que for feito hoje. Foi oferecida uma sugestão de plantio de uma árvore, no momento, como ação simbólica, até que se espere a ação ser concluída no Tribunal referente a licitação. Mas até agora a equipe técnica tem trabalhado na solução definitiva”.
Endossaram a criação do Comitê Taguatinga Verde as seguintes entidades e seus respectivos representantes: ACIT – Justo Magalhães Moraes; Administração Regional de Taguatinga – Bispo Renato Andrade; ACIVIP – Reynaldo Taveira; Contrac’s/CUT – Julimar Roberto; Diretório Zonal do PT – Pedro Lacerda / Adriana da Luz; Sindicato dos Bancários – Wadson Francisco Boaventura; Coordenação Regional de Ensino – Juscelino Carvalho / Cristina Cruz; PT-DF – Jacy Afonso; PT-DF – Ana Araújo; Academia Taguatinguense de Letras (ATL); Admilson Queiroz de Souza (representando o presidente Gustavo Dourado); CUT Brasília – Rodrigo Rodrigues / Washington Domingues Neris; MR Soluções Sustentáveis – Marcelo Melo; Lions Clube – Edvaldo Brito; Sittrater-DF – José Wilson Cabral Filho / Wanderson Moreira Corrêa / Aldemir F. da Silva; CMP-DF – Brida Luiza / Nina Amorin; Jornal Brasília Capital – Orlando Pontes / Antônio Sabino.

Benefícios

A bióloga Vania Maria enumerou diversos benefícios que ação pode trazer. A especialista destaca que “as árvores são super importantes em qualquer cidade. Fazem sombra e a água presente nas folhas das árvores ajudam a minimizar os efeitos do calor, criando um efeito semelhante a um climatizador”.
“Em relação aos benefícios ambientais está o fato de uma única árvore que já cresceu, poder absorver mais de 400 litros de água através de suas raízes todos os dias. Assim como pode captar a água da chuva que cai sobre suas folhas. Além disso as raízes também previnem erosão do solo. Isso é extremamente importante para cidades, pois uma grande proporção da superfície que se encontram nelas é feita por materiais impenetráveis como concreto e asfalto. Caso o local não tenha uma maneira efetiva de escoar a água de uma chuva muito forte, isso causa um alagamento”.
Apesar de todas as melhorias a bióloga ressalta que alguns cuidados devem ser tomados. “Arborizar uma cidade sempre é muito positivo, mas não significa sair plantando árvores por todos os lados. É preciso estudo. É preciso que haja planejamento, ou seja, um projeto de arborização. Nesse tipo de projeto muitos aspectos são levados em consideração, como o local do plantio, que deve ser compatível com a espécie escolhida. Por exemplo, calçadas estreitas não são recomendadas para se plantar, pois a árvore pode atrapalhar a locomoção. Quando você relata que o administrador da cidade tem feito estudos sobre isso, junto de sua equipe, isso é muito bom, significa que o plantio se dará de forma consciente e responsável”.