sexta-feira, julho 19, 2024
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Túnel de Taguatinga: além das escavações

Foto: DFN

Intervenções são complexas e visam otimizar a logística e a segurança do trabalho, assim como a qualidade de vida de quem circula pela região

O jornal DF Notícias foi convidado para conferir de perto o andamento das obras do túnel de Taguatinga, empreendimento é reivindicado pela população da cidade há décadas e que não saía das gavetas de governos passados. A visita foi na terça-feira (3), na companhia de empresários da cidade, líderes comunitários, técnicos da Administração Regional de Taguatinga, engenheiros, além do administrador, Bispo Renato Andrade.

Com aproximadamente 2.050,00 m² de área, o túnel tem previsão de liberação da primeira etapa para abril do ano que vem, quando será entregue o boulevard.  Entrega total está prevista para outubro de 2022.

Tudo na obra impressiona. Além do investimento de R$ 275,7 milhões, a quantidade de trabalhadores e materiais são de grandes proporções. Segundo o governo, até a conclusão dos serviços cerca de 2 mil empregos serão criados.

Durante a visita o coordenador de Licenciamento, Obras e Manutenção (COLOM) da Administração Regional de Taguatinga, André Sousa de Araújo, explicou à reportagem os principais pontos da situação atual da construção do túnel.

“Hoje, estamos com em torno de 42% de execução da obra. Nesse momento está sendo preparado o escoramento para execução da laje do primeiro trecho, parte de cima – inicio do túnel -, amanhã (4) inicia a concretagem das vigas de sustentação da laje. Do trecho de baixo, que abrange do cruzamento da comercial até o antigo Viaduto da Samdu, seguem as escavações. A demolição do Viaduto da Samdu foi finalizada e está sendo feito trabalho de retirada dos rejeitos. O próximo passo de grande relevância será o início da colocação da laje superior do túnel, no trecho de cima, onde estamos agora”, conta André.

Para muitos, a obra se trata de cavar um grande buraco e instalar as pistas. Mas o técnico explica que a metodologia da construção do túnel foi desenvolvida com base nos impactos na economia, no trânsito, em quem habita e frequenta a região.

O coordenador de obras explica que “o método de escavação está sendo feito no modo invertido, ou seja, se faz a primeira escavação, da cota (nível) da laje até uma certa profundidade, após isso se concreta a laje superior, libera o fluxo em cima dessa laje, e após isso e que segue a segunda escavação até a cota (nível, profundidade) final do túnel. Ou seja, nesse método não se escava até o final para poder liberar o fluxo na parte superior, se escava até um nível, concreta a primeira laje, libera o fluxo e seguem as escavações finais. Isso se dá pela particularidade da obra e para fins de aliviar parcialmente os transtornos da obra em um tempo antes do final das intervenções”.

“Pela previsão do projeto, em cima dessa laje não haverá fluxo de veículos. Há previsão para BRT, mas nessa da laje será todo um boulevard para fluxo de pedestre, ciclovias, calçadas. O fluxo de veículos será pelas marginais, tanto durante a obra quanto pós conclusão. As marginais serão mantidas para quem acessa a cidade de Taguatinga e quem vai somente cruzar a cidade, usará o túnel”, completa André Araújo.

Questionado sobre a segurança, tanto para quem está de fora da obra quanto para quem trabalha no empreendimento, o coordenador esclarece que “para garantir a integridade dos trabalhadores há toda a parte de segurança do trabalho, bem como engenheiros, técnicos em segurança do trabalho, além do fornecimento de EPIs. Ainda há treinamentos de segurança do trabalho e de obra”.

Referente a segurança da população, André ressalta que “diariamente é feito monitoramento das fundações de todas as edificações do centro de Taguatinga. Antes do início das obras foram pegos todos os projetos de fundações das edificações, onde ficam os pilares, a profundidade das estacas, que tipo de fundação foi usada, para que a topografia faça o acompanhamento diário dessas estruturas para garantir a segurança das edificações, assim como de quem transita na região. Ainda há o cercamento da obra, que por norma tem que ser cercada, para quem transita na cidade. Isso inclui também a segurança de pessoas, não entram pessoas sem autorização na obra”, explica.

Ainda relativo a segurança, André informa que há um plano de ação em caso emergência. “Em caso de acidente, vários órgãos são acionados, como a Secretaria de Obras, Administração Regional, Novacap, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Samu, Detran. Enfim todos esse órgãos, em caso de acidente, serão prontamente mobilizados”.

Funcionamento

Após a conclusão das obras, a passagem subterrânea fará uma ligação para motoristas que trafegam no sentido Ceilândia, pela Avenida Elmo Serejo, além de oferecer uma via alternativa pela superfície para quem quiser acessar o centro de Taguatinga. Dessa maneira a retenção dos veículos nos semáforos da região, que era uma das grandes queixas de moradores e motoristas, deixará de existir no centro da cidade. Com o túnel os carros que estiverem na Avenida Elmo Serejo, sentido Plano Piloto, vão entrar pela passagem subterrânea e sair na Estrada Parque Taguatinga (EPTG).

O governo explica que, do outro lado, aqueles que chegarem a Taguatinga pela EPTG também passarão pelo túnel até o início da Via Estádio, saindo logo após o viaduto da Avenida Samdu. Vias marginais darão acesso às avenidas Comercial Sul e Norte e Samdu Sul e Norte. A passagem subterrânea terá 1.010 metros de extensão e vai contar com duas vias paralelas, cada uma com três pistas de rolagem em cada sentido.

Um dos pontos altos do projeto para a comunidade é a criação do boulevard. A Avenida Central de Taguatinga receberá paisagismo – com a implantação de muitas árvores, construção de ciclovia, reforma das calçadas e ampliação dos estacionamentos.

Para o administrador da região, Bispo Renato, “o prejuízo hoje será o ganho de amanhã por tudo o que vai acontecer com a cidade. O túnel não será apenas uma passagem de veículos, mas também um centro de atração turística para Taguatinga”, afirma.