terça-feira, abril 23, 2024
Cidades

Aglomeração em cemitérios gera revolta

Foto: Lucia Rosa / Arquivo Pessoal

Denunciantes alegam que regras sanitárias não têm sido cumpridas nas unidades do Distrito Federal. GDF aponta que realiza fiscalizações e pede que população mantenha os cuidados de distanciamento social, uso de máscara e de álcool gel, conforme recomendações dos órgãos de controle

Sepultar entes queridos ou resolver qualquer procedimento burocrático nas administrações de qualquer um dos cemitérios do Distrito Federal tem se tornado algo constrangedor. De acordo com familiares falta cumprimento das medidas sanitárias indicadas pelas autoridades de saúde nesses locais. GDF aponta que tem fiscalizado e orientado os cemitérios quanto às medidas sanitárias.
As denúncias são de que os enterros têm acontecido com aglomerações, sem fiscalização do uso de máscaras e distanciamento social. Há descumprimentos, inclusive, quando se trata de enterro de vítimas de covid-19.
Lucia Rosa, perdeu a mãe para a covid e falou com a reportagem sobre a situação no cemitério de Taguatinga. Ela contou que precisou resolver questões na administração da unidade e se deparou com diversos descumprimentos das normas exigidas pelas autoridades. “Estava desde cedo aguardando atendimento para tomar as providências para o enterro. Ligamos no call center, tivemos esse cuidado, e agendamos para 15h30. Era mais de 17h e ainda aguardávamos pelo atendimento do lado de fora, no sol e com diversas pessoas na mesma situação, com aglomeração. O agendamento não serviu para nada”.


“Estão nos dando um tratamento desumano”

Ela disse ainda que “um coveiro reclamou que estava acontecendo um enterro de uma vítima de com covid e estavam mais de 50 pessoas aglomeradas. Além disso, eu pude constatar que pessoas chegavam de ônibus fretado para velórios. Capelas lotadas. Não estão respeitando as normas”.
“Não temos dignidade. Estão nos dando um tratamento desumano. O atendimento é feito em sala cheia, sem distanciamento, com ar-condicionado ligado. As salas ficam fechadas. Isso já era para ter sido resolvido, estamos há mais de um ano vivendo uma pandemia. Eu não estou com covid e tive que ir ao cemitério para resolver. Mas está muito cheio, me sinto desrespeitada e violada (sic). O serviço é caríssimo e sem a menor condição de qualidade e cumprimento de exigências sanitárias. Para se ter ideia, o termômetro que afere a temperatura de quem entra na sala, está travado em 33 graus. É um salve-se quem puder.”, reclama Lucia.
Situação parecida acontece também na unidade de Brazlândia. Uma funcionária do cemitério aponta que está preocupada. “Acredito que deveria ter uma tenda para atendimento dos familiares de pessoas com covid e outra tenda para atendimento de outros tipos. Estamos vulneráveis. Não estamos na listagem prioritária de vacinação e as pessoas estão desrespeitando as normas. Deveria ter mais fiscalização nos cemitérios”.

Órgãos fiscalizam

Segundo o governo, a primeira orientação é evitar a ida de muitos familiares aos cemitérios para resolver problemas administrativos. “Caso a opção seja a de ir até esses locais, será preciso manter os cuidados de distanciamento social, uso de máscara e de álcool gel, conforme recomendações dos órgãos de controle da pandemia. Além disso, todas as pessoas devem ter a temperatura medida antes de entrar no cemitério, e os colaboradores desses locais deverão utilizar equipamentos de proteção individual”, apontam.
As orientações às administrações dos cemitérios do Distrito Federal incluem fiscalizar o uso obrigatório de máscaras, o controle do número de pessoas que ingressam no local, bem como monitorar atividades e pessoas para evitar aglomerações. “A concessionária responsável pela administração dos cemitérios deverá adotar todas medidas necessárias a fim de evitar riscos de contágio”.
A Diretoria de Vigilância Sanitária (Divisa/SVS) disse ao DF Notícias que “tem fiscalizado e orientado os cemitérios do DF quanto às medidas sanitárias, principalmente ao protocolo para enterros de pacientes com suspeita ou confirmação de covid-19”.
Segundo o órgão, “as fiscalizações ocorrem na rotina e, principalmente, após recebimento de denúncias. Portanto, a Divisa solicita que sempre que algum usuário identificar irregularidades faça a denúncia pela Ouvidoria da Secretaria de Saúde, pelo telefone 160, ou Ouvidoria do GDF, no número 162”.
A Secretaria de Justiça e Cidadania apontou por meio de nota que “notificou a concessionária Campo da Esperança, responsável pela administração dos 6 cemitérios do Distrito Federal que sejam cumpridas fielmente as disposições do protocolo de manuseio de cadáveres e prevenção para doenças infectocontagiosas de notificação compulsória, com ênfase em covid 19, no sentido de cumprir e fazer cumprir todos os seus termos.”.
Atualmente, o Campo da Esperança administra seis cemitérios de Brasília: Asa Sul, Taguatinga, Gama, Sobradinho, Planaltina e Brazlândia. O serviço se trata de uma concessão pública, em vigor desde 2002.