sábado, abril 13, 2024
Economia

Construção civil é alavanca para crescimento

Especialistas alertam para aumento de preços de materiais de construção. Enquanto isso, governo do DF divulgou licitações e retomadas de certames para diversas obras com expectativa de abrir mais de 14 mil postos diretos e indiretos de trabalho nos próximos meses

A pandemia ocasionada pela Covid-19 abalou as estruturas de diversos setores em todo país. Mas, um dos menos afetados é o setor da construção civil, que não teve suas obras paradas, inclusive, foi considerada atividade essencial no DF durante a pandemia, de acordo com o Sinduscon-DF (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal).
O governo do DF, tentando amenizar os impactos que a pandemia do novo coronavírus trouxe para a economia local, divulgou, em agosto, licitações e retomadas de certames para diversas obras. A expectativa é que, mais de 14 mil empregos diretos e indiretos sejam criados nos próximos meses, reativando a economia e levando melhorias para diversas regiões do Distrito Federal. As obras, que ainda estão em fase de licitação, devem receber um aporte de mais de R$ 300 milhões do GDF para serem realizadas. Entre os órgãos executores dos trabalhos, estão a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), o Departamento de Estradas de Rodagem (DER/DF) e as Secretarias de Obras e de Mobilidade.
O governador Ibaneis Rocha (MDB) afirma que, “estamos diante de um desafio. Além de enfrentar uma pandemia que não tem prazo para terminar, temos os reflexos dela, principalmente no tocante aos empregos. O GDF vai liderar a retomada da economia com uma série de obras necessárias em todo o Distrito Federal. A construção civil é quem cria postos de trabalho mais rapidamente, por isso, vamos investir todo nosso esforço no setor. Também teremos que desenvolver ações sociais que protejam as famílias menos favorecidas; será um esforço de toda a sociedade e nós vamos fazer a nossa parte”, afirma.
Para o Sinduscon-DF, o setor foi um dos menos atingidos. Houve demissões no primeiro momento. Mas, o setor já está empregando a nível nacional. “Parece-me que quase 10 mil empregos foram gerados na construção civil no país, com Brasília mais empregando do que desempregando”, aponta o presidente da entidade, Dionyzio Klavdianos.
Além disso, a entidade aponta que a construção civil é muito forte. Dados do sindicato dão conta que o setor chegou a ter 100 mil empregos formais no Distrito Federal nos bons tempos da construção. Hoje, conta com 50 ou 60 mil. O setor responde por 60% do PIB da indústria do DF.

Aumento de preços

Fato tem chamado atenção daqueles que precisam ir a uma loja de materiais de construção nos últimos meses. O preço dos itens aumentou consideravelmente nos últimos dias. A construção civil enfrenta esse problema e corre risco iminente de desabastecimento.
O DF Notícias ouviu profissionais do ramo, para saber se a situação é real e qual a expectativa para os próximos meses. O engenheiro Matheus Papa aponta que “o setor da construção foi um dos poucos que não pararam com a pandemia. Por conta da necessidade de as pessoas ficarem em casa, muita gente viu que era preciso reformar seus lares. Coisas que antes não incomodavam tanto, passaram a ser essenciais. Isso gerou grande demanda de reformas residenciais. Hoje a maior preocupação é alta dos materiais básicos como cimento e tijolos por exemplo, que já estão em falta, e quando se acha é com um preço super elevado”.
A arquiteta, Mayara Cardoso, também conversou com o DFN e disse que “algo precisa ser feito o quanto antes. Os preços subiram muito e isso tem chamado a atenção da população. Inclusive, prejudica o setor, que é um dos mais importantes para a economia local. A construção civil é setor ímpar, ela é alavanca para o crescimento em qualquer estado, inclusive no DF”.
Sobre o aumento dos preços, o presidente do Sinduscon-DF afirma que a crescente generalizada dos valores pode afetar diretamente a construção civil com o risco de desabastecimento de insumos, inclusive. Segundo ele, as obras públicas do Distrito Federal já sentem os impactos. ”Esse movimento virtuoso do GDF no sentido de colocar licitação na rua, obras para serem feitas, pode ser paralisado porque falta material. PVC, material elétrico, cerâmica, tijolos e bitolas de aço. Isso é tão danoso quanto o preço alto, para a economia como um todo”, completou.
Para o economista Leonardo Costa, “as razões são variadas. Alguns itens, como aqueles que têm cobre, sofrem o impacto do câmbio: o produto é uma commodity, é importado e o real está desvalorizado perante o dólar. Cimento e aço tiveram a produção interrompida durante o início da pandemia e as atividades retomadas não alcançaram o patamar produtivo anterior à crise sanitária”, justifica.