Culpa materna e saúde mental

Foto: Reprodução

É preciso estar atenta ao processo natural da maternidade e ter entendimento que cada mulher pode criar formas próprias de maternar

Essa semana resolvi trazer um pouco sobre esse assunto que é tão pouco falado, mas é um sentimento muito comum entre as mães.
Podemos afirmar que quando nasce uma mãe, nasce um sentimento de culpa?
Mas de onde vem essa culpa? Por que ela é tão comum entre as mães?
Na gestação ocorre uma explosão hormonal no corpo feminino que já contribuí para alterações físicas e emocionais, o que geralmente ocasiona fragilidade, além das mudanças alimentares e hábitos na preparação para a chegada do novo membro da família.
Claro que a gestação deve ser opcional e planejada, mas nem sempre isso é possível, gerando incertezas e conflitos emocionais.
Quando o bebê nasce a expectativa da mãe com relação a saúde física de seu pequenino é muito alta, manter o bebê saudável e confortável no seu novo ambiente pode se tornar um grande desafio. Por isso qualquer espirro pode causar pensamento de culpa como: “Será que deixei a janela aberta ou não o agasalhei o suficiente? “
Talvez a fragilidade e a dependência do bebê ajude a perpetuar esse sentimento que tanto machuca e puni as mães. O medo está diretamente relacionado à culpa, pois o medo é uma sensação gerada a partir de situações de perigo ou da preocupação de que algo aconteça de forma contrária ao que estava previsto.
Para o pesquisador Lewis (1971) o sentimento de culpa é o nosso julgamento negativo sobre conseguirmos viver de acordo com padrões. Esses padrões podem ser impostos pela sociedade de maneira objetiva, ou de nós mesmos. Sabemos que a maternidade é uma prática muito padronizada socialmente e que precisamos romper com esses padrões para uma maternidade mais funcional e saudável.
A psicóloga Bianca Amorim, desenvolveu um trabalho focado na “Culpa Materna” no ano de 2017, dividindo a culpa em três níveis:

  • Medo dos 3 Fs: faltar, falhar e frustrar;
  • Medo dos outros: medo do julgamento do outro;
  • Medo dos erros reais: medo de ter atitudes que não desejava.

Os níveis não classificam a culpa, mas a categoriza afim de apoiar as mães na reflexão para encontrar a sua fonte de angústia.
Em relação ao medo 1 e medo 2, há uma grande possibilidade de serem eliminados, já que a partir do empoderamento materno a mulher pode criar formas próprias de maternar e perceber que os “3Fs” fazem parte do processo da criação da criança e demonstram que mãe também é imperfeita, contribuindo para a formação do/da pequeno/pequena.
Por outro lado, o nível 3 não tem a possibilidade de ser eliminado, pois toda mãe comete erros, o essencial nesse caso é que aprendamos com eles, nos tornando a mãe possível.

Rita Rocha, psicóloga, CRP 01/19406