domingo, junho 23, 2024
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Lixo: descarte correto gera riqueza

Foto: Tony Oliveira /Agência Brasília

Cerca de 25% dos resíduos descartados poderiam ser reciclados, produzindo renda e minimizando os impactos ambientais

O descarte correto de resíduos é uma ação que beneficia o meio ambiente, gera renda e mantém a cidade limpa. Há anos, gestores públicos buscam implementar a cultura da coleta seletiva nas regiões do Distrito Federal com campanhas e investimentos em cooperativas de reciclagem. Contudo, para que haja êxito, as iniciativas precisam da participação ativa e constante da população local.

Muito já está sendo feito pelos brasilienses, mas é preciso um maior empenho da população. Dados levantados pelo Serviço de Limpeza Urbana (SLU) revelam que das 2,2 mil toneladas de resíduos que chegam todos os dias ao Aterro Sanitário de Brasília (ASB), pelo menos 500 toneladas são de recicláveis que poderiam gerar renda para centenas de famílias que trabalham nas cooperativas do Distrito Federal. Mas, por estarem misturados com resíduos da coleta convencional, esses recicláveis não têm outra destinação e acabam aterrados.

Para chegar a esse resultado, o SLU analisou os resíduos da coleta convencional e da coleta seletiva ao longo do ano de 2020. O material foi classificado em três categorias: recicláveis (plásticos, papéis, metais, isopor e embalagens longa vida), não recicláveis (vidros, tecidos, roupas, borracha e couro) e orgânicos (resíduos de alimentos, restos de poda e madeira).

Uma das conclusões do estudo aponta que, das 820 mil toneladas de resíduos aterrados em 2020, pouco mais de 202 mil toneladas são de recicláveis, o que representa quase 25% do total.

Diante dos resultados, o diretor-presidente do SLU, Silvio Vieira, aponta que o objetivo do estudo “é justamente conhecer a composição dos resíduos gerados e assim melhorar a sua gestão e o seu gerenciamento. Isso nos permite identificar os desafios e direcionar melhor as ações para melhorar a coleta seletiva no Distrito Federal”, aponta.

Impacto no aterro

O descarte de resíduos de maneira incorreta impacta diretamente na vida útil do aterro sanitário. Ainda de acordo com o levantamento do SLU, o despejo de materiais recicláveis na área reduz o tempo de vida útil do aterro, limitando até 2030, mesmo considerando o projeto de execução da terceira e da quarta etapas.

Se a quantidade de recicláveis identificada fosse corretamente descartada e voltasse ao ciclo produtivo, esse tempo teria estimativa aumentada em pelo menos 15%.

A gerente de aterros do SLU, Andrea Almeida, explica que “a capacidade atual do aterro é de 8,1 milhões de toneladas de resíduos” e que “existe um projeto de expansão que visa criar mais duas áreas com a mesma capacidade original. Mas, se a população ajudar e fizer a separação dos resíduos de forma correta, a gente vai precisar cada vez menos de novas áreas para depósito de resíduos. Por isso a gente diz que essa mudança de hábito tem um impacto social na renda dos catadores, mas também um forte impacto ambiental”, ressalta Andrea.

O estudo do SLU também apontou a proporção de resíduos recicláveis na coleta convencional proveniente das regiões administrativas (RAs). Na análise, observa-se que as RAs com maior impacto no descarregamento de resíduos recicláveis no aterro sanitário são também as mais populosas, com destaque para Ceilândia (9,37%), Plano Piloto (7,87%), Taguatinga (7,03%), Samambaia (6,65%) e Guará (5,68%).

 Fonte de renda

A implantação da coleta seletiva no DF trouxe emprego e renda para várias famílias que buscam no descarte de resíduos fonte de sustento. Os materiais recicláveis são minunciosamente triados e vendidos.

Ao todo, são 11 cooperativas que somam 495 catadores trabalhando na triagem e comercialização dos materiais. São duas mil toneladas de resíduos sólidos processados por mês, número que pode atingir cinco mil toneladas.

De acordo com a Central de Cooperativas de Materiais Recicláveis do Distrito Federal (Centcoop/DF), R$ 11 milhões são movimentados com materiais recicláveis. Trabalhadores revelam que é possível receber entre R$900 e R$1.200 por mês.

Como separar o lixo

Para fazer a separação em casa, basta ter duas lixeiras (ou sacos), uma para resíduos recicláveis e a segunda para orgânicos e rejeitos. São classificados como recicláveis garrafas PET, embalagens de produtos de limpeza, potes de shampoo, tubos de pasta de dente, sacolas e embalagens plásticas em geral, isopor, latas e objetos de metal, jornais, papéis, papelões limpos, caixas de leite e de sucos.

Na lixeira para resíduos orgânicos e rejeitos, devem ser colocados restos de comida, cascas de frutas, legumes e ovos, filtro de café e saquinhos de chá, papéis sujos e engordurados, lixo de banheiro, papel higiênico e fraldas.

Além disso, é muito importante fazer o descarte nos dias e horários corretos. Os calendários estão disponíveis no site do SLU e também no aplicativo SLU Coleta DF, disponível nas plataformas Android e IOS.

Com informações do SLU