quarta-feira, julho 24, 2024
Saúde

Vacinação de vizinhos causa insatisfação

foto: Geovana Albuquerque / Agência Saúde / DF

Secretaria de saúde ainda não tem definido se adotará alguma medida para controlar vacinação de pessoas de outros estados, isso continua em análise. Porém, esta semana o governo anunciou que segunda dose só será aplicada para quem tomou a primeira em uma das cidades do DF

Parte da população que mora no Distrito Federal está incomodada com uma situação: a quantidade de cidadãos de fora da cidade que se vacinaram contra a covid-19 na capital e regiões administrativas.
De acordo com a Secretaria de Saúde, em balanço divulgado na terça-feira (20), o total de 57.666 doses foram aplicadas em moradores de outras unidades da Federação. Há registro de pessoas de todos os estados brasileiros que procuraram o DF para serem imunizadas. A situação tem deixado muita gente intrigada e descontentes com fato. Ministério da Saúde aponta que não há ilegalidade, já que o Sistema Único de Saúde (SUS) é universal.
Segundo o governo do DF, “a maior parte veio de Goiás, onde 19.643 receberam a D1 e 8,6 mil, a D2. Do estado de Minas Gerais, 5.025 receberam a D1 no DF e 1.927 o reforço. Dos moradores de outras unidades da federação que mais procuraram o DF para se vacinar estão notificados como residentes de São Paulo (2.288 D1 e 876 D2), Rio de Janeiro (2.276 D1 aplicadas e 762 D2), Bahia (1.959 D1 e 773 D2) e Piauí (1.373 D1 e 566 D2)”.
Diante do alto número de imunizantes aplicados em pessoas de outras cidades, o DF Notícias procurou a Secretaria de Saúde para saber se o órgão estaria desenvolvendo alguma estratégia pra lidar com a situação. Mas a pasta informou que não tinha definido ainda se adotaria alguma medida para evitar a vacinação de pessoas de outros estados. Até o fechamento desta edição, isso continuava em análise.
Por outro lado, na terça-feira (20), a Secretaria anunciou que a segunda dose da vacina contra a covid-19 será destinada exclusivamente a quem tomou a primeira dose no Distrito Federal. A decisão foi tomada após o aumento da procura por pessoas que moram em outras localidades brasileiras, principalmente de regiões em que houve escassez da segunda aplicação. O controle será feito por meio do cartão de vacina.
Há quem se sinta prejudicado com a situação, como é o caso do servidor público Waldir Azevêdo, que segue em trabalho presencial em uma autarquia do DF, tem 63 anos, e ainda não foi vacinado devido a faixa etária e ausência de vacina para este público.
“Enquanto a gente que mora no DF, trabalha no DF, está aguardando para ser vacinado outras pessoas de outros estados acabam vindo e tomando doses aqui, que poderiam ser direcionadas para cidadãos com idades mais baixas. Isso tem que ter um controle. Os serviços do DF precisam continuar, nós que ainda não somos vacinados temos orientação para permanecer no home office, mas nem sempre isso é possível. Precisam organizar a vacinação, para vacinar primeiramente quem é do DF e depois quem é de fora”, frisou.
Ainda não existe uma legislação específica sobre o tema. O que há, é a previsão de que saúde é um direito universal e uma obrigação do estado. Com a implementação do Sistema Único de Saúde (SUS), a gestão de ações e de recursos é descentralizada e dividida entre união, estados e municípios, no que é denominado de tripartite.


“Precisa vacinar primeiramente quem é do DF”

Vacinados no Goiás

Caso inverso também ocorreu. O governador do Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), informou em uma rede social, que 12.293 brasilienses receberam a primeira dose da vacina contra a covid-19 no estado vizinho. De acordo com ele, 2.556 moradores do Distrito Federal foram contemplados com a segunda aplicação.

Professores

O Conselho de Educação do Distrito Federal publicou recomendação no Diário Oficial do DF (DODF) da terça-feira (20) para reforçar a necessidade de vacinação contra a covid-19 dos profissionais das instituições educacionais das redes de ensino pública e privada da capital da República. Segundo o Governo do Distrito Federal, “os professores serão imunizados à medida que a capital receber mais doses de vacinas contra a covid-19”.
As secretarias de Saúde e de Educação preparam plano para imunizar cerca de 50 mil profissionais da rede pública de ensino do Distrito Federal: 25.979 professores efetivos, 10.500 temporários e 8.813 da carreira da assistência, além de aproximadamente cinco mil outros trabalhadores dessa área, como merendeiras, copeiras, pessoal da limpeza e da vigilância.

Linha de frente

Quanto a vacinação dos profissionais mais expostos às ações de combate à covid-19 tem ocorrido “de forma escalonada e proporcional”, o GDF explica que a ordem é a seguinte: Trabalhadores envolvidos no atendimento e/ou transporte de pacientes; trabalhadores envolvidos em resgates e atendimento pré-hospitalar; trabalhadores envolvidos diretamente nas ações de vacinação contra a covid-19 e trabalhadores envolvidos nas ações de vigilância das medidas de distanciamento social, com contato direto e constante com o público, independente da categoria.