sábado, abril 13, 2024
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Alerta amarelo para salvar vidas

Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde

Cuidados com a saúde mental vão da prática de exercícios à uma boa rede de acolhimento

O mês de setembro chegou, e com ele a campanha de combate ao suicídio ganha força. O Setembro Amarelo é a maior campanha anti estigma do mundo. Neste ano, o lema é “Se precisar, peça ajuda!” e diversas ações já estão em desenvolvimento.

De acordo com a última pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde – OMS em 2019, são registrados mais de 700 mil suicídios em todo o mundo, sem contar com os episódios subnotificados, pois com isso, estima-se mais de 1 milhão de casos. No Brasil, os registros se aproximam de 14 mil casos por ano.

Acabar com o estigma de que quem passa por sofrimento é uma pessoa fraca, sem caráter ou sem força de vontade é um importante passo para que quem passa por alguma situação de aflição, angústia e ansiedade possa pedir ajuda.

Aqui no Distrito Federal, um dos fatores que mais contribuíram para o aumento na procura por atendimento psicológico foi a pandemia de civid-19. Segundo a Diretoria de Serviços de Saúde Mental da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES), ano passado, foram registrados 215.362 procedimentos de atenção psicossocial classificados como ambulatoriais, atendimentos individuais, oficinas terapêuticas e acolhimento de pacientes. Nos seis primeiros meses deste ano, já foram 130.446 atendimentos – praticamente o mesmo número registrado ao longo de 2021, que somou 135.761.

Especialistas apontam que uma boa saúde mental começa na construção de hábitos que promovam o bem-estar, como a prática de exercícios físicos, a alimentação saudável e o respeito ao sofrimento diante de momentos difíceis da vida comuns a todas as pessoas, como luto, perdas e mudanças.

“Sentimentos bons e ruins são normais”, pontua a psiquiatra Ana Luísa Lamounier Costa, referência técnica distrital (RTD) na área. “Quando eles começam a interferir nas atividades do dia a dia, é hora de procurar ajuda”. Ela aponta ainda fatores genéticos, do desenvolvimento, familiares e sociais capazes de aumentar o risco de depressão e outros transtornos mentais, abrangendo desde reações agudas ao estresse até outros episódios mais sensíveis, como esquizofrenia e psicose.

Ajuda

Estão disponíveis à população do Distrito Federal várias maneiras de chegar até a Rede de Atenção Psicossocial. As 175 unidades básicas de saúde (UBSs) oferecem atendimento de equipe multidisciplinar e participação em atividades coletivas, como yoga e terapia comunitária.

De acordo com a Secretaria de Saúde, os casos moderados a graves, inclusive para situações de uso e abuso de substâncias químicas, são encaminhados a uma das 18 unidades do Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Todos possuem serviços de porta aberta, isto é, atendem quem chegar. Entre essas unidades, destacam-se os sete Caps AD, especializados em casos de uso e abuso de álcool e de outras drogas, e os quatro Capsi, voltados a crianças e adolescentes.

Episódios mais graves, como surtos e violência contra outras pessoas ou contra si mesmo, as 13 unidades de pronto atendimento (UPAs), o Hospital de Base (HBDF) e os hospitais regionais fazem o acolhimento dos pacientes. Em casos extremos, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pode ser acionado, ou é possível buscar diretamente a emergência psiquiátrica no Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) ou no HBDF. O detalhamento da Rede de Atenção Psicossocial está disponível no site da SES.