Câncer de próstata: homens devem ficar alertas

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Doença é o segundo tipo de tumor que mais afeta homens no país. Queda nas consultas, diagnósticos e cirurgias acendem alerta e preocupam comunidade médica

Assim como o câncer de mama, falar sobre prevenção do câncer de próstata ainda é um tabu na sociedade brasileira. Na comunidade masculina o assunto é ainda mais contornado ou até mesmo ignorado. Porém, é indispensável falar sobre a doença e principalmente sobre os cuidados preventivos que devem ser observados pelos homens.

O câncer de próstata é o segundo mais incidente em homens no Brasil, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), são esperados para 2021 o aparecimento de 65.840 novos casos da doença no país, mas muitos podem nem ter sido diagnosticados.

A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) também revela que houve um aumento de 10% na mortalidade por câncer de próstata em cinco anos. Em 2015, eram 14.542, e subiram para 16.033 em 2019. Um alerta se acende, já que a quantidade de diagnósticos caiu consideravelmente no Brasil. No SUS o número de consultas urológicas reduziu 33,5%.

De acordo com dados Ministério da Saúde, as coletas do antígeno prostático específico (PSA) e de biópsia da próstata que, junto com o exame de toque retal, diagnosticam a doença, registraram quedas de 27% e 21%, respectivamente, como mostram as informações do Sistema de Informações Ambulatoriais, do Sistema Único de Saúde (SUS).

As internações de pacientes com diagnóstico da doença caíram 15,7%. As consultas com um urologista também sofreram queda. Até julho, foram 1.812.982, enquanto em 2019 foram 4.232.293 e em 2020, 2.816.326. Os procedimentos para retirada da próstata por conta de tumores tiveram redução de 21,5% na comparação entre 2019 e 2020.

É importante ressaltar que o adiamento das consultas pode resultar em tratamentos menos eficazes, visto que em 90% dos casos diagnosticados em fase inicial, o câncer de próstata pode ser curado.

A próstata é uma glândula que faz parte do sistema reprodutor masculino. Localizada abaixo da bexiga e tem como principal função proteger os espermatozoides a partir da produção de uma secreção – o líquido prostático. De acordo com o médico urologista e diretor do Hospital Urológico de Brasília, Dr. Ériston Uhmann, exames de rotina, relacionados à glândula, são indispensáveis para avaliar a saúde do homem. “O grande mérito das campanhas é justamente conscientizar os homens que, mesmo sem sintomas, façam as avaliações anualmente, porque as melhores chances de cura estão justamente nos diagnósticos mais precoces”, enfatiza o médico.

A vontade de urinar com frequência e a presença de sangue na urina ou no sêmen podem significar a presença do câncer numa fase mais avançada. Nem todo tipo da doença tem necessidade de cirurgia, quimioterapia e outros tratamentos, mas pode ser acompanhado por meio da vigilância ativa.

A consulta com o urologista, com o intuito de evitar a detecção de um possível câncer de próstata em estágio avançado, deve ser realizada a partir dos 45 anos. Mas se há casos na família, o recomendável é que a visitas ao especialista se iniciem aos 40. “Quando descoberto na fase inicial, as chances de cura do câncer de próstata, com alguma forma de tratamento, são de 95%”, aponta o especialista.

Fatores de risco

O câncer de próstata está relacionado ao envelhecimento do homem. Quanto maior a idade, mais propenso a desenvolver a doença. Outro aspecto está ligado à etnia. Segundo o Dr. Ériston Uhmann, os homens negros têm mais chances de desenvolver a enfermidade do que os demais.

Outro aspecto é o genético. Um paciente cujo pai ou tio tiveram câncer de próstata, por exemplo, tem o dobro de risco para desenvolver a doença do que a população em geral. “Se o paciente tiver menos de 65 anos e mais de um parente afetado pela doença, o risco aumenta de 6 a 11 vezes”, esclarece o urologista.

Outros fatores envolvem a alimentação, com dieta rica em gordura e carne vermelha, pobre em legumes, vegetais e frutas; o sedentarismo e a obesidade, com probabilidade de desenvolverem câncer de próstata mais agressivo.

Sintomas e tratamento

Na fase inicial, o câncer de próstata não apresenta sintomas. Mas em estágio avançado, eles podem estar relacionados ao trato urinário, como a vontade de urinar com frequência, dor ao urinar, presença de sangue na urina ou sêmen, além de dor óssea próxima à região da próstata ou, em casos de metástases (quando as células do tumor inicial se espalham para outras regiões do corpo), dores ósseas em outras partes do corpo e fraturas. “Quanto mais avançado é um tumor mais mutações ocorrem, conferindo maior agressividade”, destaca o urologista.

O processo de tratamento indicado para a doença localizada, ou seja, que só atingiu a próstata e não se espalhou para outros órgãos, são: cirurgia, radioterapia e até mesmo observação vigilante (em algumas situações especiais). Já para doença localmente avançada, radioterapia ou cirurgia em combinação com tratamento hormonal têm sido utilizados. No caso de metástase – quando o tumor já se espalhou para outras partes do corpo-, o tratamento mais indicado é a terapia hormonal.

É importante destacar que a escolha do tratamento mais adequado é individual e definida pelo médico que está fazendo o acompanhamento juntamente com o paciente, quando discutem os riscos e benefícios de cada opção.