Vamos falar sobre câncer de mama?

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Outubro chegou e com ele a campanha Outubro Rosa, que alerta sobre a importância do diagnóstico precoce de uma das doenças que mais mata mulheres no país

Parece impossível, mas falar sobre câncer de mama ainda é tabu em muitas comunidades brasileiras, e no Distrito Federal não é diferente. Porém, por mais que seja um tema delicado de tratar e que envolva crenças e costumes, é preciso falar na doença que é uma das mais incidentes no país. Só em 2020, o câncer de mama representou 30,3% dos novos casos de câncer no Brasil.

Para que haja uma orientação mais eficaz, no sentido de preventivo, o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva e Ministério da Saúde elaboraram mais uma edição da cartilha que traz informações detalhadas do que é o câncer de mama, quais as medidas preventivas e tratamentos para a doença.

Um em cada três casos de câncer pode ser curado se for descoberto logo no início. Mas muitas pessoas, por medo ou desinformação, evitam o assunto e acabam atrasando o diagnóstico. Por isso, é preciso desfazer crenças sobre o câncer, para que a doença deixe de ser vista como uma sentença de morte ou um mal inevitável e incurável. Alguns tipos de câncer, entre eles o de mama, apresentam sinais e sintomas em suas fases iniciais. Detectá-los precocemente traz melhores resultados no tratamento e ajuda a reduzir a mortalidade.

O que é o câncer de mama?

É uma doença resultante da multiplicação de células anormais da mama, que forma um tumor com potencial de invadir outros órgãos. Há vários tipos de câncer de mama. Alguns se desenvolvem rapidamente, e outros, não. A maioria dos casos tem boa resposta ao tratamento, principalmente quando diagnosticado e tratado no início.

No Brasil, é o tipo mais comum, depois do câncer de pele, e também é o que causa mais mortes por câncer em mulheres, em 2019 foram 18.068 mortes pela doença. A estimativa do Ministério da Saúde é que em 2021 sujam 66.280 novos casos no país. 

Porém, é importante ressaltar que o câncer de mama não atinge apenas mulheres. Homens também podem ter câncer de mama, porém é mais raro (apenas 1% dos casos).

Qual a causa da doença?

Não há uma causa única. Diversos fatores estão relacionados ao câncer de mama. O risco de desenvolver a doença aumenta com a idade, sendo maior a partir dos 50 anos.

É importante que mulheres e homens estejam atentos aos fatores de risco: obesidade e sobrepeso após a menopausa; sedentarismo; consumo de bebida alcoólica; exposição frequente a radiações ionizantes (raios X, mamografia e tomografia). Fatores hereditários ou genéticos como familiares com histórico de câncer de ovário; câncer de mama em homens; câncer de mama em mulheres, principalmente antes dos 50 anos. Além de fatores reprodutivos e hormonais.

É possível reduzir os riscos?

De acordo com a cartilha, é possível sim diminuir os riscos de ter câncer de mama. Para isso é preciso manter o peso corporal adequado, praticar atividade física e evitar o consumo de bebidas alcoólicas. Esses cuidados ajudam a reduzir o risco de câncer de mama. A amamentação também é considerada um fator protetor e deve ser estimulada pelo maior tempo possível.

Quais os sinais e sintomas?

Caroço (nódulo) endurecido, fixo e geralmente indolor. É a principal manifestação da doença, estando presente em mais de 90% dos casos; alterações no bico do peito (mamilo); pequenos nódulos na região embaixo dos braços (axilas) ou no pescoço; saída espontânea de líquido de um dos mamilos; pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja.

É imprescindível que qualquer caroço na mama em mulheres com mais de 50 anos seja investigado. Em mulheres mais jovens, qualquer caroço deve ser investigado se persistir por mais de um ciclo menstrual.

Além do autoconhecimento, é importante que as mulheres de 50 a 69 façam a mamografia periodicamente (de 2 em 2 anos). Exame é uma radiografia das mamas capaz de identificar alterações suspeitas e é oferecido pelo SUS.

Os serviços de saúde devem priorizar a consulta das mulheres com nódulo ou outras alterações suspeitas da mama. A rapidez da avaliação facilita a detecção precoce da doença.

Benefícios e riscos da mamografia

A cartilha também traz informações sobre benefícios e riscos das mamografias de rotina para mulheres que não tem sintomas. O exame pode ajudar a reduzir a mortalidade por câncer de mama, mas também expõe a mulher a alguns riscos.

Benefícios: encontrar um câncer no início e ter um tratamento menos agressivo; menor chance de morrer por câncer de mama, em função do tratamento precoce.

Riscos: resultados incorretos (suspeita de câncer de mama, que requer outros exames, sem que se confirme a doença. Esse alarme falso [resultado falso-positivo] gera ansiedade e estresse. Câncer existente, mas resultado normal [resultado falso-negativo]. Esse erro gera falsa segurança à mulher); ser diagnosticada e tratada, com cirurgia (retirada parcial ou total da mama), quimioterapia e/ou radioterapia, de um câncer que não ameaçaria a vida. Isso ocorre em virtude do crescimento lento de certos tipos de câncer de mama; exposição aos raios X (raramente causa câncer, mas há um discreto aumento do risco quanto mais frequente é a exposição).

A mulher deve avaliar os benefícios e riscos da mamografia de rastreamento e decidir o que é melhor para ela. Mas a cartilha traz dados que devem ser levados em consideração.

Se 1.000 mulheres, entre 50 e 69 anos e sem alto risco para câncer de mama, são rastreadas a cada dois anos, por sete anos: 294 mulheres poderão ter um resultado falso-positivo na mamografia, o que exigirá novos exames de imagem; 37 dessas mulheres poderão passar por uma biópsia para confirmar se elas têm ou não câncer de mama; 12 mulheres serão diagnosticadas com câncer de mama – dentre essas: 3 serão tratadas de um câncer que poderia nunca causar danos; 1 morte por câncer será prevenida.

Com informações da cartilha mama 6ª edição