domingo, junho 23, 2024
Desta semanaSaúde

Comunicação ativa e afetiva

Foto: Reprodução

A tecnologia tem trazido grandes benefícios à comunicação, porém é preciso estar atento para que a comunicação o olho no olho não caia em desuso

Em tempos de avanço tecnológico e com grande uso das redes sociais, ficou raro estabelecer escuta em diálogo, mesmo que seja com pessoas queridas, como: amigos, filhos, pais, namorados e até mesmo com os pets. Escuta ativa e afetiva então, está quase impossível! Para ilustrar o tema trouxe alguns conceitos e percepções.
Comunicação – ação de transmitir uma mensagem e, eventualmente, receber outra mensagem como resposta.
Afetiva – no âmbito da psicologia é a capacidade individual de experimentar o conjunto de fenômenos afetivos (tendências, emoções, paixões, sentimentos). A afetividade consiste na força exercida por esses fenômenos no caráter de um indivíduo.
Que o ato de se comunicar é essencial para as relações humanas, é indiscutível, mas o que temos percebido é que a cada dia que passa essa comunicação tem ganhado outros panos de fundo, como os vários recursos que as redes sociais têm nos ofertado.
Devemos reconhecer o grande benefício desse avanço, pois o que seria da humanidade se não tivéssemos esses recursos à nossa disposição em meio à pandemia? Na verdade, devemos ser cautelosos com uso e principalmente não perder a oportunidade de usufruir da comunicação presencial, aquela em que olhamos nos olhos, sentimos a presença e o cheiro da pessoa, onde exercemos a escuta ativa e afetiva, gerando troca, colocando em funcionamento os nossos órgãos dos sentidos, estimulando o sistema sensorial cerebral, o que é bastante benéfico para o nosso sistema imunológico, pois evita adoecimentos físicos e psicológicos.
A escuta ativa e afetiva é geradora de empatia, pois existe uma dinâmica em escutar para compreender, ou seja, o interlocutor e o ouvinte, assim essa prática dinâmica se repete naturalmente com alternância de papéis.
Temos ouvido muito a palavra “empatia”, mas será que sabemos seu real significado? Será que conseguimos exercê-la?
A empatia pode ser entendida, a partir de estudos atuais, como uma das competências emocionais relacionadas à habilidade que um indivíduo tem de se relacionar com outro indivíduo, ou seja, com o que se entende por competência emocional social. Na ausência dessa habilidade, ocorre uma ruptura de competência que compõe ou deveria compor esse indivíduo. Em longo prazo, essa incompetência poderia contribuir para a construção de um repertório de comportamentos sem plena consciência ou capacidade de perceber os sentimentos de outra pessoa (Vieira, 2017).
Como vimos anteriormente, estamos condicionados a nos comunicar com mais frequência via rede social, a tendência é darmos mais atenção a quem está do outro lado da tela do que a quem está ao nosso lado. O que não podemos negar é que muitas relações tem sofrido conflitos com essa prática. Então como mudar essa dinâmica que já se tornou automática?
É preciso estabelecer tempo de uso diário dos dispositivos móveis; ao chegar em casa evitar abrir ou responder e-mails de trabalho (estando em home office, determine o seu horário de trabalho); estabeleça momentos em família, (refeições) sem o uso de telas; planeje momentos agradáveis em família (ou com amigos) estimulando a memória afetiva; pergunte como foi o dia da pessoa amada olhando nos olhos e ouça a resposta, ela se sentirá amada e você também.
Com essas ações será percebida a importância de ouvir e ser ouvido, pois estará sendo estabelecida a empatia, estreitando assim os laços afetivos.

Rita Rocha
Psicóloga
CRP 01/19406