domingo, junho 23, 2024
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Energia solar: alternativa para meio rural

Foto: Douglas Ribeiro

Produtores rurais têm buscado alternativas para baratear seus custos com produção e a energia fotovoltaica desponta como recurso. Fundo rural oferece condições para empreendedores implantarem sistema

Quem costuma comprar frutas, verduras, hortaliças e busca por itens frescos e de qualidade, tem notado a variação dos valores. Além dos preços elevados dos insumos – que podem variar de acordo com o dólar – o encarecimento do transporte e da energia elétrica também atingem diretamente o preço final repassado ao consumidor.

Para amenizar os impactos nos custos das produções, empreendedores rurais têm buscado alternativas para viabilizar a entrega de seus produtos aos consumidores com os menores efeitos possíveis. Por isso, muitos protutores têm buscado a implantação de sistemas de produção de energia elétrica por meio das placas fotovoltaicas. Esses sistemas possibilitam a produção de energia capitando os raios solares com placas instaladas em pontos estratégicos da propriedade.

Os investimentos para a implantação de sistemas fotovoltaicos podem parecer dispendiosos e inviáveis inicialmente, contudo, o custo-benefício é notado já nos primeiros dias após a instalação.

Nessa linha, o Governo do Distrito Federal (GDF) tem empenhado recursos para que haja uma expansão do uso de energia solar nas produções rurais do DF por meio do Fundo Distrital de Desenvolvimento Rural (FDR). De acordo com o Executivo, já foram investidos cerca de R$ 1 milhão em projetos para sistemas de energia fotovoltaica em 11 propriedades desde 2019. 

O primeiro produtor a ter o projeto de sistema de energia fotovoltaica aprovado pelo FDR e implantado na propriedade foi Vilmar de Almeida, 45 anos, localizado na área rural de Planaltina. Em sua miniusina foram instalados 24 painéis de energia solar de dois metros quadrados que alimentam o sistema de irrigação da olericultura orgânica da fazenda, que produz mais de 20 variedades de vegetais, como mandioca, quiabo, jiló, beterraba e brócolis.

O projeto de Vilmar foi aprovado em 2019 e de lá para cá o produtor tem comemorado a economia que a implantação do sistema tem gerado. “Minhas economias melhoraram muito. Eu estaria pagando hoje cerca de R$ 1 mil na conta de luz mensalmente, com o projeto implementado agora pago menos de R$ 3 mil a cada seis meses”, conta o produtor rural.

O financiamento para projetos como o de Vilmar está disponível há quatro anos e de acordo com as regras do fundo, só podem ser financiadas iniciativas que estejam ligadas exclusivamente à atividade rural, com prazos de pagamento de até 10 anos.

Trâmites

Os produtores rurais contam com a assessoria da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF) para a elaboração dos projetos de implantação de energia fotovoltaica. A extensionista rural da Gerência de Desenvolvimento Econômico Rural do órgão, Luciana Tiemann explica que: “Ajudamos com a elaboração do projeto, questão de documentação e de liberações ambientais. Tudo isso pronto, e o projeto sendo aprovado, depois continuamos acompanhando, fazendo as supervisões e fiscalização”.

O atual cenário crítico no setor energético do país tende a impulsionar a procura pelos sistemas de produção elétrica independentes, principalmente no meio rural. Por isso a expectativa do governo é aumentar os investimentos. Segundo o diretor de Fundos da Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri), Edson Rohden, a previsão da pasta é de aumentar os projetos de financiamento para energia solar. “A demanda tem sido crescente, principalmente com a questão do encarecimento da energia elétrica. Para o ano que vem, o orçamento previsto para o FDR é em torno de R$ 6 milhões, e 20% desse valor deve ser para projetos de energia fotovoltaica”, afirma.

O que é FDR

O Fundo de Desenvolvimento Rural tem por missão promover o desenvolvimento do setor no DF. A meta é implementar ações que permitam o aumento da produção (medida de resultados) e da produtividade (capacidade de produzir mais utilizando cada vez menos tempo), da renda, da segurança alimentar e da permanência dos produtores no espaço rural.

O FDR tem dois objetivos específicos. O primeiro, na modalidade FDR-Crédito, financia projetos de atividades rurais. O segundo, o FDR-Social, apoia, em caráter não reembolsável, projetos de fomento à produção agropecuária.

O FDR-Crédito é destinado à: Produtores rurais individualmente; Associações e Cooperativas de produtores rurais e Empresas rurais.

Já o FDR-Social é voltado para projetos comunitários, apresentados pelo conjunto das organizações sociais rurais, selecionados pelos Conselhos Regionais de Desenvolvimento Rural Sustentável – CRDRS.

Com informações da Agência Brasília